“Não há nada que possa resistir ao amor”

A viúva nigeriana Ana* conta como foi ataque do Boko Haram e como a igreja sobreviveu, respondendo em amor

| 27/06/2018 - 00:00

"Nós nos vingamos com amor" (Foto representativa por razões de segurança)

"Nós nos vingamos com amor" (Foto representativa por razões de segurança)


Entre os dias 9 e 26 de junho recebemos a visita da cristã perseguida Ana, da Nigéria. Ela visitou 16 igrejas em quatro cidades (Recife, Fortaleza, Santos e São Paulo) e atingiu um público de 3.485 pessoas. É a segunda vez que ela vem ao Brasil. Sua primeira visita foi em 2015, quando ainda estava no processo de luto devido à perda do marido, que era pastor. Em suas próprias palavras: “Em 2015, eu estava em dor e dificuldade. Hoje o Senhor curou e encheu meu coração”.

Ela relembrou o episódio em que o Boko Haram invadiu sua cidade, atacando escolas, delegacias e igrejas. Cerca de 150 igrejas foram destruídas. No momento do ataque, Ana estava no hospital onde trabalhava. Então o marido ligou para ela e ela conseguiu ir para casa. Eles pegaram o carro para tentar fugir. Mas foram interceptados por uma emboscada – havia jihadistas disfarçados de soldados do exército.

“Nem muçulmano, nem infiel; sou cristão”

Então um militante do Boko Haram perguntou ao seu marido: “Você é muçulmano ou infiel?” Ao que ele respondeu: “Nem muçulmano, nem infiel; sou cristão”. Eles então o mandaram ajoelhar-se ao lado da estrada. Em desespero, Ana começou a gritar: “não matem meu marido!” Seu apelo não foi atendido e ele foi morto com cinco tiros na cabeça na frente dela. Quando fizeram a Ana a mesma pergunta, ela deu a mesma resposta. Quando um jihadista apontou a arma para ela, um outro gritou: “Pare!” Então eles pegaram todos os objetos de valor do carro, colocaram 20 crianças dentro, e a deixaram ir. 

Ela dirigiu por 2 Km em estado de choque. Quando recobrou a consciência, não conseguiu dirigir mais, e saiu correndo. Ela foi ajudada por algumas pessoas e após encontrar o filho primogênito, fugiu para as montanhas com um grupo de cristãos. Eles escalaram cinco montanhas com sede e fome, e só depois conseguiram contatar uma igreja da capital, que enviou um ônibus para resgatá-los. Somente depois de três dias é que ela conseguiu achar seus cinco filhos. Eles tiveram que ficar três semanas na capital, até o governo recuperar o controle da cidade.

“Nós nos vingamos com amor”

Mesmo com tudo destruído, eles decidiram ir à igreja adorar ao Senhor. Mesmo com a igreja toda queimada, eles louvavam a Deus em pé entre os escombros. Foi então que Deus começou a mostrar seus milagres. Os muçulmanos, que eram hostis à comunidade cristã, começaram a ficar com medo deles, pois pensavam que todos haviam sido mortos. Ao ver o número de cristãos vivos que retornaram, pensaram que eles iriam se vingar. “Mas nós nos vingamos com amor. Quando víamos nossos pertences nas mãos de um muçulmano, falávamos: ‘Você gostou? Pode ficar’”, relembra Ana.

Ela compartilhou vários testemunhos da intervenção de Deus em favor de seus filhos. E concluiu dizendo que passam por muitos problemas, aflições e lutas, “mas em todas essas coisas somos mais que vencedores; não há nada que possa nos vencer”. Ana nos encorajou a estar na presença do Senhor em todo o tempo, pois mesmo quando o inimigo vem, ele não nos atingirá. “Isso é o que o meu coração deseja, que todos nós vivamos na presença do Senhor”, expressa a cristã perseguida.

*Nome alterado por segurança.

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