Análise da situação religiosa da Nigéria

| 15/06/2004 - 00:00


Entrevista dada pela Associação Cristã da Nigéria (ACN) em 6 de maio de 2004

Contra o cenário das insurreições presenciadas em Jos desde o princípio do atual governo civil, em 29 de maio de 1999, e seu transbordamento no Estado, temos testemunhado tremendas perdas de vidas e de propriedades, incluindo o esmagamento da nossa vida econômica, tornando a vida mais indesejável.

Um quadro real e objetivo dos conflitos vivenciados no Estado no passado, especialmente nos últimos cinco anos, retrata somente um quadro negativo: a alegação dos muçulmanos de que os cristãos tem estado à frente assoprando as brasas do problema.

O desenvolvimento da prolongada crise no Estado deve suas raízes ao distúrbio da província de Quaan Pan de 27 de março de 2001, quando alguns saqueadores parecendo nômades atacaram o complexo Tiv no vilarejo de Kundum de Bakin Ciyawa, no distrito de Kwande, matando o Sr. Anthony Dafaan, um homem Kwall, junto com alguns membros da sua família. Isso resultou num ataque em represália por pessoas desconhecidas altamente suspeitas de terem sido contratadas para vingar-se da morte do Kwall.

Nem bem isso havia sido resolvido, nos dias 30 de março a maio de 2001 Shendam caiu nas mãos dos saqueadores, que espalharam sem piedade o terror sobre os habitantes do complexo de Zendesha, no vilarejo de Gidan Zuru, incendiando casas, animais e alimentos pertencentes aos Tivs. O motivo deste ataque permanece um mistério até hoje, já que não se descobriu evidências com base nos relatórios da segurança.

De 11 a 15 de abril de 2001, explodiu outra guerra em Wase, depois de uma disputa não resolvida quanto a quem colheu algaroba no vilarejo de Nassarawa de Wase, entre um Taroh e um muçulmano Bogghom que acabou numa rixa que resultou em perdas de vidas e propriedades.

No dia 20 de maio de 2001, aconteceu um ataque represália sobre os muçulmanos em Langtang depois da maioria das pessoas terem sido lançadas em campos abertos como refugiadas como resultado das conseqüências da guerra de Wase. As razões para este conflito estão ligadas a desavenças na cidade de Langtang envolvendo indivíduos muçulmanos e indígenas bem como possíveis conseqüências de discussão étnica anterior na vizinha Kanam L.G.A. que provocou o desalojamento dos Tarohs de Wase que se tornaram refugiados em Lantang do Norte.

Depois dos levantes de Langtang, veio a mãe de todos os conflitos que resultou nas revoltas de Jos, que tiveram ampla publicidade, de 7 a 12 de setembro de 2001, onde o Estado ficou quase reduzido a um estado de anarquia e falta de lei. Este conflito em particular fez em pedaços o Estado, com a grande conseqüência de prejuízos inimagináveis e sem precedentes quanto a vidas de propriedades. Em fevereiro de 2002, o Mercado Principal de Jos foi incendiado de uma maneira que indica terrorismo.

Jos, que antes disso era considerada o Lar da Paz e do Turismo, de repente tornou-se uma feiúra. O efeito resultante dessa experiência não tem sido bom, embora estejamos juntando aos poucos nossos pedaços de paz.

Exatamente quando pensamos que os eventos de 7 de setembro de 2001 se foram com a forte lembrança dos ataques terroristas do 11 de setembro às torres gêmeas do World Trade Center de Nova Iorque e ao Pentágono, no dia 2 de maio de 2002, uma discordância numa reunião no distrito Naraguta B do norte de Jos disparou outra disposição violenta em Jos após uma aspereza intrapartidária no PDP que, uma vez mais, colocou a paz de joelhos. Vidas e propriedades foram levadas com a crise. E nós lamentamos outra vez!

Em fevereiro de 2004, outro desassossego aconteceu em Wase, quando soube-se que casas de cristãos que voltavam para o vilarejo de Yaudara, ao longo da rodovia Wase-Langtang, tinham sido demolidas pelo Wazirin Wase com a desculpa de que se tratava de construções ilegais.

Isso aconteceu em 8 de fevereiro de 2004. Até hoje, nenhuma detenção foi feita, apesar de terem sido identificados os culpados. Na segunda-feira, dia seguinte, 9 de fevereiro, o Sr. Lipdo Wapven foi morto a sangue frio por volta das 4h00 da manhã.

No dia 15 do mesmo mês, soldados armados atacaram o vilarejo de Lyanjit, o Governo Local de Langtang do Norte, com pleno conhecimento do Emir de Wase, Dr. Harua Abdullahi Maikano, que se acredita estar por detrás das crises. Sabe-se que o Emir contratou os serviços de soldados armados do vizinho Estado de Bauchi pela estrada Yuli-Bashar para ajudar a treinar milícias étnicas. A maior parte dessas milícias, nós confirmamos, vieram das repúblicas vizinhas do Níger e do Chade e ficaram acampadas na cidade de Wase, distrito de Lamba e nos distritos de Bashar e Mavo, às expensas do Conselho do Emirado.

Os rebeldes invadiram o vilarejo de Hamale no dia 12 de fevereiro de 2004, desalojando a Polícia Móvel que guarnecia a segurança da cidade de Wase e vilarejos fronteiriços como Duwi, Yaudara, Kirim, Hamale e Tsamiya durante a crise. Muitos prejuízos foram causados como resultado disso. Mais de 46 bicicletas e motos foram levadas enquanto suas casas eram demolidas ou incendiadas.

Experiência semelhante ocorreu também no dia 15 de fevereiro de 2004 em Shimankar em Shendam LGA quando moradores locais notaram movimentos bastante fora do comum de algumas milícias que resultou depois na morte de quatro Policiais Móveis armados mandados para lá com o objetivo de investigar a veracidade da informação. A morte deles não deixou dúvida quanto à presença daquelas milícias étnicas.

No domingo, 22 de fevereiro de 2004, o vilarejo de Yamini foi completamente destruído por vaqueiros Fulani que alegavam estar no encalço de ladrões de gado. Isso resultou na invasão dos vilarejos.

Os ataques tiveram conotação religiosa por causa da exibição do retrato de Osama bin Laden em Yelwa Shendam, que foi também declarada parte do Estado de Zamfara. Apesar de ações das autoridades locais em Shendam para impor um toque de recolher noturno, foi feita forte resistência que resultou numa situação sem toque de recolher.

Em seguida ao "sucesso" em protelar a situação do toque de recolher, os jovens de Yelwa Shendam armaram alto-falantes de todos as formas, entoando todos os tipos de slogans islâmicos, chamando os cristãos de "infiéis". Na loucura que se seguiu, os assentamentos dos Gomai de Nshar adjacente a Yelwa foram completamente destruídos e muitas pessoas mortas. O mercado de inhame de Nshar, igrejas e prédios residenciais e os únicos quatro estabelecimentos de saúde acabaram todos em chamas. Isto aconteceu logo depois da destruição dos vilarejos de Ajikamai, Lakushim Tumbi, Tukung, Goedo Mangoro e Pandam, incluindo os escritórios do PADP e quarteirões residenciais de Kwapjur. Só nessa operação insensível o registro de mortes chegou a 1.500 pessoas que foram queimadas ou chacinadas.

A grande perda sofrida pelos cristãos no dia 24 de fevereiro de 2004 no massacre de 46 pessoas em Yelwa Shendam numa igreja foi o ponto mais alto da irresponsabilidade e insensibilidade; inimaginável até em sociedades rudes. Vemos isso como uma coisa bárbara e insensível, e deveria ser completamente condenada pelos amantes da paz. Esta é a menos esperada provocação, somente admitida por culturas ou religiões grosseiras numa sociedade que pensamos fosse mais civilizada.

AGRESSOR E O AGREDIDO

A partir da apresentação acima, somos compelidos a fazer uma pausa e, neste ponto, perguntar: quem é o agressor e quem é o agredido? Acreditamos que a nossa paciência a respeito disto, como um corpo, chegou ao limite! Esta posição nos empurrou demais contra a parede e a Igreja não pode mais ficar em cima do muro. Nós rejeitamos isso!

A NOSSA POSIÇÃO

À vista do retrocesso sofrido pela Igreja durante estas crises, a Associação Cristã da Nigéria, ACN, Capítulo do Estado de Plateau, toma, portanto, a liberdade de declarar entre outras coisas:

Que a contínua provocação à Igreja, o corpo de Cristo na menor oportunidade, pelos fundamentalistas islâmicos que não acreditam em nada a não ser fomentar problemas, espalhando assim terror e destruição, matando e destruindo vidas e propriedades com prazer, sem recurso à santidade de vida e o direito dos outros de viverem, não somente é condenável mas é, para dizer o mínimo que: DEFINITIVAMENTE BASTA!

Que damos o nosso apoio ao recente pronunciamento do governo do Estado em tratar de forma decisiva a inundação de inquietação no Estado, incluindo o aparelhamento da situação de segurança sempre que acontecimentos indesejáveis surgirem novamente. Em prosseguimento a isto, apelamos ao governo do Estado que libere os vários relatórios da Comissão de Inquérito de desordens públicas organizadas desde o começo deste governo, e os que forem achados ausentes e assim foram incendiados nos relatórios destas comissões, sejam punidos exemplarmente, independentemente de posição.

Que, depois da perda colossal e prejuízos causados, tanto a vidas como a propriedades devido a estas carnificinas; e considerando a monumental tortura e trauma que a igreja passou nos últimos cinco anos (1999 - 2004), exigimos que o governo pague indenizações adequadas às famílias das vítimas atingidas e às igrejas destruídas pelo fogo.

Que a ACN, na qualidade de porta-voz da igreja em Plateau, não somente se ofende profundamente pela destruição de alguns de seus locais de culto no Estado de uma forma geral, como condena com todo o senso de responsabilidade a destruição da primeira igreja indígena construída em Plateau, a Igreja COCIN de Wase. Para nós, destruir a cultura ou a história de um povo é a marca de todo raciocínio desumano; muito bárbaro, rude e incivilizado! Declaramos em termos claros e inconfundíveis que o Conselho do Emirado de Wase e o Governo Local deve ser declarado zona terrorista, insegura a pessoas civilizadas; que o governo deve adequadamente assumir total responsabilidade pela restauração deste edifício, já que ele serviu como fonte da história da igreja, não somente em Plateau, mas além.


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