Sobreviventes lamentam e questionam segundo ataque a ônibus no Egito

Cristãos coptas se recuperam de segundo ataque a ônibus em dois anos, em estrada deserta da província de Minia, e questionam por que não houve proteção para eles

| 26/11/2018 - 00:00

Nadia, cristã sobrevivente de ataque a ônibus em 2017. Ao seu lado a imagem de seu filho, que morreu no incidente

Nadia, cristã sobrevivente de ataque a ônibus em 2017. Ao seu lado a imagem de seu filho, que morreu no incidente


Na sexta-feira deste mês (5), uma família cristã celebrava o batismo de dois meninos, Emile, de quatro meses, e Noufir, de cinco meses, que haviam ocorrido de manhã no mosteiro St Samuel. Havia sido um dia feliz para a família, mas na volta para casa, foram surpreendidos por homens mascarados que dirigiam um veículo com tração nas quatro rodas. Os 28 membros da família a bordo se esconderam, incluindo Sameh Nabil, motorista do ônibus, e Ibrahim Youssef, que estava sentado ao lado dele.

“Eu me senti responsável pelos meus passageiros, eu precisava mantê-los seguros”, disse Nabil para a Portas Abertas duas semanas após o incidente. “Dirigi o mais rápido que pude, mas isso não impediu os terroristas. Eles conseguiram quebrar uma das janelas com o tiroteio. Então, me sentei no chão do ônibus, mas pressionei o acelerador com toda a força que tinha, tentando escapar”, contou.

“Quando o tiroteio começou, todos os passageiros começaram a gritar. Eu saí do meu lugar e me sentei no chão do ônibus para evitar as balas, e outras pessoas estavam fazendo o mesmo. Foram momentos terríveis. Nós apenas gritamos e pedimos a Deus para nos proteger”, disse Youssef.

Os extremistas notaram um outro microônibus se aproximando, o que desviou sua atenção, permitindo que Nabil escapasse e dirigisse o veículo a um local seguro. Não houve mortos, embora alguns dos membros da família tenham sofrido ferimentos graves. No outro ônibus, no entanto, sete pessoas de uma outra família, incluindo duas crianças, foram mortas.

Nabil e Youssef disseram que se entristeceram com a família enlutada e que sua fuga foi um milagre. “Deus nos protegeu e nos resgatou da morte. Eu estava dirigindo a uma velocidade excessiva, enquanto estava sentado no chão do ônibus, e o ônibus ainda se manteve estável na estrada ”, disse Nabil.

“Os mesmos terroristas, no mesmo lugar”

Logo após o incidente, os cristãos locais se reuniram na cena do ataque para protestar e expressar sua indignação com outro ataque a ônibus no mesmo local do que aconteceu em maio de 2017, no qual 28 coptas perderam suas vidas.

“Conheço todas as vítimas que morreram [no último ataque]. Eles eram bons membros de nossa igreja, pessoas honestas que tinham um forte relacionamento com Deus”, disse o líder cristão Sirapion Effat, da igreja copta na cidade de Minia.

“Estamos surpresos que isso possa acontecer novamente. O mosteiro St Samuel é um local antigo que recebe cristãos e turistas locais. Por que não era melhor protegido? ”, perguntou.

“O estado deveria explicar como o mesmo ataque pode acontecer duas vezes da mesma maneira, e no mesmo lugar”, acrescentou o líder Samuel Fayes, da igreja copta em El-Kawamel, de onde veio o primeiro ônibus. Ele perguntou por que não havia polícia no posto de controle da estrada que levava ao mosteiro quando o ônibus passou pela manhã.

“O governo do Egito prometeu melhorar a segurança em torno do mosteiro após o primeiro ataque, mas isso não aconteceu”, disse Amir Fakhry, um ativista local de direitos humanos. “Eles prometeram construir uma via de 25 km até o mosteiro (para ajudar os motoristas a fugir), adicionar iluminação na estrada e fortalecer a rede móvel nessa área para ajudar a evitar outro ataque. [Tudo] isso não aconteceu. Então o incidente se repetiu, com os mesmos terroristas e no mesmo lugar”, disse Fakhry.

Dois dias depois do incidente, autoridades egípcias informaram que haviam matado 19 extremistas islâmicos suspeitos de envolvimento no segundo ataque a ônibus.

O Estado Islâmico lançou um vídeo em fevereiro do ano passado prometendo acabar com os cristãos coptas do Egito e “libertar o Cairo”. Enquanto isso, um grupo afiliado ao Estado Islâmico, conhecido como Província do Sinai, tenta impor sua interpretação extremista sobre a população de Sinai do Norte.

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