Professora cristã é discriminada em escola particular

| 12/09/2017 - 00:00


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Rebekkah* é uma jovem professora que pertence à quarta geração de cristãos paquistaneses. Há cinco anos ela dá aulas para crianças de 3 a 6 anos numa escola particular em um outro país do Golfo. Ao longo dos anos, ela fez amizade com as crianças e os pais. Com a ajuda do professor de música, Mustaq*, também cristão, ela ensina canções com uma mensagem cristã aos seus alunos. Este foi o meio que ela encontrou de ensinar as crianças sobre o amor de Jesus. Segundo ela, as músicas abrem portas para falar do poder de Deus aos pequenos. “Eles são tão abertos para falar sobre Deus e desejosos de ouvir sobre Jesus”, afirma. Algumas mães discretamente pedem que Rebekkah ore por elas. Uma até já chegou a alertá-la que poderia ter problemas. A professora diz que nunca foi agredida por ensinar histórias cristãs às crianças, porque Jesus é um profeta do Alcorão. Mas quando ela fala de Jesus como seu Salvador, a coisa muda de figura.

Como os cristãos são considerados cidadãos de segunda categoria, pertencentes a uma casta inferior, os pais já chegaram a reclamar do fato de ela e Mustaq beberem no mesmo bebedouro que as crianças. Esse ano Rebekkah quase desistiu quando um de seus alunos disse que a mãe tinha mandado presentes para todos os professores, menos para ela. “Minha mãe diz que você é uma kafir. É verdade?”, perguntou o menino. Kafir significa uma pessoa que blasfema contra os pilares da fé e, portanto, é considerada imunda. Ouvir isso de um menininho cujas mãos ela segurou para ensinar a escrever partiu seu coração. “Eu sou uma mulher digna em Cristo, mas no meu país eu era considerada uma escrava devido a uma ideologia que era falsa, mas massivamente ensinada um dia após o outro a milhões de pessoas”, lamenta a cristã.

Alguns dias depois, a direção da escola pediu que Rebekkah trocasse de aula com outro professor. Ela sabia que era a pedido de algum pai de aluno por a considerar inferior. “Como quando eu era criança, mais uma vez, os valores e a visão de uma criança muçulmana têm mais poder na escola. A única diferença é que agora eu sou a professora. Mas ainda assim sou kafir”. Essa é a realidade enfrentada por cristãos em toda a região do Golfo. Eles sabem que não importa o quanto estudem e que nível de graduação atinjam, sempre serão considerados indignos, nascidos na casta errada, blasfemos, enfim kafirs.

Por gerações, os cristãos eram considerados os precursores na educação e ensino nessa região do Golfo, mas nos últimos 40 anos, as coisas mudaram e os cristãos são cada vez mais marginalizados devido à nacionalização. Um dos motivos é que muitas escolas cristãs foram tomadas pelo governo, o que levou toda uma geração a perder o contato com professores e influência cristã. Como resultado, muitos esqueceram que os cristãos são parte da nação e não apenas faxineiros. “Só há um jeito de nos livrarmos dos ataques de ódio diários: jogar a toalha e tornar-se muçulmano. Mas isso eu nunca vou fazer. Nunca vou fazer”, diz Rebekkah com um sorriso entre lágrimas no rosto.

*Nomes alterados por motivos de segurança.

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