Por que a Europa tem medo de Deus?

Autoridades se reuniram em Berlin para enfatizar a importância da responsabilidade diante de Deus e do homem

| 17/07/2004 - 00:00

Evento é resposta à retirada da referência de Deus da constituição posposta pela União Europeia

Evento é resposta à retirada da referência de Deus da constituição posposta pela União Europeia


Durante muitas horas, quando líderes estatais e primeiros-ministros europeus decidiram em Bruxelas deixar uma referência a Deus fora da constituição proposta pela União Européia, mais de trezentos políticos, diplomatas e líderes cristãos de trinta nações se reuniram em Berlin para enfatizar a importância da "Responsabilidade diante de Deus e do Homem - Nossa abordagem à extensão e intensificação da União Européia".

Eles participaram da 9ª Reunião Internacional em Berlin, de 17 a 19 de junho. O convidado mais proeminente foi o presidente alemão Johannes Rau. "Responsabilidade diante de Deus e do homem" - esta frase é parte do preâmbulo à constituição alemã adotada em 1949.

Após os horrores do regime nazista de Hitler, as mães e pais da democracia alemã oriental tiveram o objetivo de se certificar que os lideres eleitos nunca se tornariam novamente vítimas de um Fuehrer ou qualquer outra forma de totalitarismo. Eles sempre deveriam sentir-se responsáveis por ser autoridade máxima.

Responsabilidade diante de Deus é de modo algum um conceito novo. Isto existe desde o período do Velho Testamento. Os reis de Israel não foram governadores absolutos. Sempre houve uma autoridade acima deles - Deus.

O presidente alemão - um cristão protestante devoto - parecia sentir que nada estava sido bem conduzido em Bruxelas. Ao mencionar a reunião em Berlin, Rau afirmou: "Eu ainda não sei se haverá uma referência a Deus na constituição da União Européia. Entretanto, eu realmente sei que manter a referência pessoal a Deus - a consciência que nós temos quanto à Sua observância - é mais importante que qualquer texto constitucional".

No momento que os estadistas da União Européia estiverem de acordo com as vagas referências "à herança humanitária, religiosa e cultural européia", se tornará mais importante a existência de líderes que sejam conscientes da sua "responsabilidade pessoal diante de Deus e do homem".

Encontrar tais líderes de todo o mundo e trazê-los para reuniões de café da manhã para leituras bíblicas e oração é o propósito do movimento da reunião em Berlin.

Tais reuniões nos corredores do poder foram primeiramente estabelecidas nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial. Desde então, elas se espalharam ao redor do globo. Na Alemanha, reuniões de oração interdenominacionais com participantes de todos os partidos democráticos foram realizadas em Bundestag, assim como em vários parlamentos federais.

Rudolf Decker, ex-deputado do estado de Baden-Wuerttemberg, é a força motriz. Incansavelmente, ele une amigos e inimigos - não somente na Alemanha, mas também na península dos Balcãs e na África.

Por décadas, ele tem trabalhado pacientemente atrás das cenas a fim de finalizar a maior guerra civil na África - o conflito entre o governo central sudanês islâmico radical e os rebeldes do sul, onde os cristãos (80%) e os animistas (20%) predominam.

O conflito se estende por vinte anos e já custou a vida de mais de dois milhões de pessoas.

Decker e outros representantes do movimento do café da manhã foram instrumentos para trazer um acordo de paz, que promete terminar o conflito, embora seja obscurecido por novos massacres - denominado genocídio por algumas organizações de direitos humanos - na região sudanesa oriental de Darfour.

O ministro estrangeiro do Quênia Stephen Musyoka também mencionou a reunião em Berlin neste ano. Ele chamou atenção aos "conflitos tribais" que atormentam tanto a Europa como a África.

"A Europa", afirmou ele, "trilhou um longo percurso na estrada da reconciliação. A África aprendeu muito com a Europa a este respeito, entretanto, a Europa não deve esquecer as difíceis condições da África."

Este pensamento foi reiterado pelo porta-voz dos negócios estrangeiros dos Democratas Sociais Alemães, Gert von Weisskirchen. Ele advertiu que a Europa unida não deve se tornar uma fortaleza, mas se tornar um "projeto de solidariedade", afirmou ele.

O líder dos Democratas Cristãos no parlamento saxão, Fritz Haehle, lembrou à audiência das raízes cristãs de solidariedade - o mandamento de "amar o seu próximo".

Brigitte Schulte, um dos líderes dos cafés da manhã de oração em Bundestag, impeliu que os europeus continuem a trabalhar arduamente pela paz e reconciliação. Ela se questiona por que o mundo inteiro está chocado com os atos de terrorismo, e mal percebe a existência da fome e o genocídio.

O sociável presidente alemão Johannes Rau, de 73 anos, que foi sucedido por Horst Koehler, de 61 anos, no dia 1º de julho, está profundamente preocupado com a indiferença política existente entre os europeus. A pequena participação nas eleições da União Européia no dia 13 de junho pareceu indicar que a desilusão está se transformando em desprezo, afirmou Rau.

Ele impeliu que partidos políticos e as igrejas alcançassem a geração mais jovem. A falta de democratas, não o excesso de extremistas, foi o cair da alvorada da primeira democracia alemã na década de 30.

Thomas Rachel, o líder do Grupo de Trabalho Protestante do Partido Democrático Cristão, prediz uma mudança crucial na Europa. Desafios éticos, tais como a engenharia genética e a eutanásia exigiram respostas bem definidas diante "da responsabilidade para com Deus".

Entretanto, se a Europa negar sua herança cultural e espiritual, não poderá abrir caminho para um futuro promissor, afirmou Rachel, referindo-se a constituição da União Européia, que ainda tem que ser aprovada por todos os 25 membros do estado.

A França e a Bélgica foram as forças apoiadoras da fraseologia liberal secular. A professora universitária Dorota Simonides, membro do senado polonês, não entende por que a referência a Deus não deveria ser incluída na constituição. Sua simples pergunta é: "Por que a Europa teme tanto a Deus?"


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