Linha dura contra adventistas

| 26/05/2004 - 00:00


Devido a uma linha dura para com os adventistas do Azerbaidjão, três pastores foram multados nas cidades de Gyanja e Sumgait por pregações ilegais e por deixar de registrar seus locais de residência, enquanto que a congregação na capital Baku está sofrendo com o aumento da pressão. Não concordamos com essa multa, disse ao Forum18 o pastor Yahya Zavrichko, chefe da Igreja Adventista no Azerbaidjão em Sumgait no dia 20 de maio. Nós só queremos ter condições de atuar livremente.

Em Sumgait, uma cidade industrial, o pastor Khalid Babaev foi interrogado no dia 19 de maio e, no dia seguinte, foi multado em cerca de USD 17,00 de acordo com o Artigo 299 parágrafo 1 do código administrativo de ofensas, que pune líderes de comunidades religiosas que deixam de se registrar junto às autoridades.

O pastor Khalid foi forçado a fugir de Nakhichevan em fevereiro, depois de receber ameaças de morte por tentar dirigir uma congregação adventista naquele local. Só depois de um mês ele acabou mudando para Sumgait.

A polícia chegou em sua residência na noite do dia 19 de maio, confiscando 48 livros religiosos e em seguida o encaminhou à delegacia. Lá, eles o advertiram a não mais dirigir trabalhos religiosos até que ele receba aprovação da administração local, forçando-o a assinar uma declaração dizendo que ele iria cumprir as instruções, e no dia seguinte teria que comparecer novamente à delegacia. Quando os colegas adventistas - incluindo o pastor Yahya - se juntaram à corte municipal de Sumgait, no dia 20 de maio, eles ficaram sabendo que a polícia estaria aplicando a multa ao invés de entregá-los à corte.

O pastor Khalid nem estava realizando uma reunião no momento em que a polícia chegou em sua casa, disse ao Forum18 Yahya. Ele disse que Khalid tinha assinado a instrução, concordando em não realizar qualquer reunião religiosa até que sua comunidade tenha seu pedido de registro aprovado somente sobre grande pressão, sendo que a igreja acredita que essa exigência não condiz com a lei. Yahya disse que os líderes da igreja tinham visitado o oficial na administração municipal de Sumgait, que é o responsável pelas ligações com organizações sociais e partidos políticos e o informou da intenção da igreja de buscar o registro. Oficiais disseram que não haveria nenhum problema e que tudo que a igreja tem que fazer é escrever ao prefeito da cidade, Vagif Aliev.

Yahya acreditava que o movimento de punir Khalid foi iniciado por Hasan Asadov, chefe da polícia de Sumgait, que foi interrogar o pastor na noite anterior. O Forum18 não conseguiu entrar em contato de imediato com o Hasan. Entretanto, a polícia voltou a confiscar livros no dia 20 de maio.

O oficial local envolvido no caso, Rahim Salimov, insistiu em dizer ao Forum18 que os adventistas podem atuar em Sumgait só depois que receberem a permissão da administração local. Eles deixaram de registrar seu local de reunião, disse ele ao Forum18 em Sumgait, no dia 20 de maio. Trata-se de uma residência particular. E a lei diz que é necessário estar registrado antes que a reunião seja iniciada. Quando perguntado que lei especifica diz que a prática religiosa sem o registro passa a ser ilegal, ele declarou repetidas vezes: a lei azerbaidjana. Mas ele não soube especificar qual lei.

A batida policial realizada na casa do pastor Khalid em Sumgait aconteceu uma semana depois de uma batida policial bem parecida contra os líderes da igreja adventista em Gyanja, segunda maior cidade do país na região oeste. A polícia não só realizou as batidas como reclamou da distribuição de convites nas ruas para comparecer à igreja.

A polícia disse ao pastor Bazim Azimov e seu assistente, Elshan Jabarov, que eles seriam multados por incitar o ódio, mas ao invés disso, eles foram multados em cerca de USD 10,00 por violar o regime de passaporte. A polícia alegou que, como eles não estavam registrados para morar na igreja, passaram a violar a lei, reivindicação disputada por Yahya. Não existe lei que diga que os cidadãos não podem viajar para outras cidades, disse ele ao Forum18. Ele ainda disse que embora eles não concordassem com a decisão, os dois pastores pagaram a multa no dia 18 de maio.

O pastor Yahya também reclamou da atenção maior que passou a existir frente a atividade de sua congregação em Baku. A administração local passou a ficar interessada em saber sobre tudo que é feito e em descobrir o endereço de todos os ministros religiosos desta congregação, disse ele ao Forum18. Sentimos que existem movimentos de impor maiores controles em nossa obra.

As congregações protestantes, especialmente as compostas pela etnia Azeri - passam por grandes dificuldades em obter e registro e estatus legal junto ao estado, especialmente as congregações que se encontram fora de Baku. Eles freqüentemente passam por obstruções e abuso das autoridades, bem como freqüentes ataques na mídia. A rede pró-governo de televisão ANS, mostrou outra reportagem no início desse mês onde membros da igreja Batista de Baku foram atacados.


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