Montanheses do Vietnã enfrentam a guerra da propaganda

| 19/05/2004 - 00:00


Durante o fim-de-semana de Páscoa, dias 10 e 11 de abril e alguns dias depois, os montanheses do planalto central do Vietnã tentaram fazer uma manifestação para chamar a atenção para as duras injustiças que estão sofrendo nas mãos das autoridades comunistas e dos colonos vietnamitas étnicos.

Os manifestantes tribais planejaram viajar das aldeias de origem de uma forma coordenada para vários centros importantes, especialmente para as cidades de Buonmathuot e Pleiku. De acordo com informações de montanheses das terras altas centrais, civis e forças de segurança vietnamitas vestidos em trajes civis atacaram os manifestantes com armas, como paus cravejados de pregos, barras de ferro, correntes, enxadas e facões. Um número não especificado de montanheses foi morto, centenas ficaram feridos e muitos estão desaparecidos. Estes foram presos ou fugiram. O governo agora admite que as manifestações envolveram milhares de pessoas.

Chegaram informações de várias fontes após os acontecimentos. O governo vietnamita organizou uma agressiva campanha de propaganda. No extremo oposto, uma organização com base nos Estados Unidos, que apoia os direitos dos montanheses, chamada de Sociedade Fundação Montanhesa (SFM), circulou a sua versão dos fatos.

Uma terceira linha de relatório da Human Rights Watch (HRW) e outras agências evitaram os exageros da SFM, mas contestaram o Vietnã em suas negativas, minimizações e encobrimento dos fatos. No dia 29 de abril, a Comissão de Liberdade Religiosa da Aliança Evangélica Mundial fez um atento trabalho de análise envolvendo o depoimento de várias testemunhas oculares. No mesmo dia, a Anistia Internacional começou a contestar o Vietnã quanto a sua rude política em relação aos montanheses e publicou uma lista de oito pessoas que morreram nas manifestações.

O governo vietnamita primeiro respondeu a estes eventos com o silêncio, negativas, minimização e depois passou a admitir que existe um problema. O Vietnã colocou a culpa do conflito nos montanheses ingênuos - que eram incapazes de aprender, de acordo com uma fonte, e eram facilmente enganados. Depois eles assumiram o papel de vítimas de uma conspiração maligna de forças externas.

Duas semanas após os acontecimentos, o Vietnã levou diplomatas e jornalistas estrangeiros ao local dos distúrbios. O governo sente-se claramente no controle desta guerra de propaganda ao permitir que jornalistas estrangeiros, incluindo americanos, verifiquem as coisas por si mesmos. Contudo, com as restrições impostas aos jornalistas e diplomatas, observadores experientes acreditam que a verdade sobre o que aconteceu foi dissimulada.

Durante este momento, um evento eclesiástico tornou-se a peça central de propaganda usada para ilustrar que tudo está bem no front religioso. A reconhecida Igreja Evangélica do Vietnã (Sul) organizou uma reunião especial para assinalar o reconhecimento oficial da décima primeira igreja na província de Gia Lai. As autoridades locais do governo tentaram dissuadir os líderes da igreja de realizarem a reunião.

Entretanto, quando a igreja Plei RNgol foi em frente com a reunião, o governo filmou o evento e deu a ela uma excessiva publicidade durante o noticiário noturno de TV de âmbito nacional, no dia 13 de abril. O governo fez repetidas referências a este evento desde então, mas reconheceu somente dezesseis dos mais de 750 grupos eclesiásticos que funcionavam em Gia Lia e Dak Lak antes de 2002.

Amplamente criticada por uma parte em incitar as manifestações dos montanheses em 2001, a SFM reforçou esta percepção quando liberou informação, no dia 9 de abril, de que as manifestações ocorreriam no dia seguinte. A SFM também telefonou para repórteres estrangeiros em Hanói no dia 9 de abril, insistindo para que eles fossem até as terras altas centrais.

No meio da semana, eles publicaram uma lista via Internet dos vilarejos de 139 mil manifestantes que, disseram eles, haviam considerado os custos e se juntado às manifestações. Algumas informações da SFM falavam de 150 mil manifestantes. No dia 12 de abril, a SFM noticiou que quatrocentos cristãos haviam sido mortos. Vários serviços de notícias cristãos publicaram este número e notícias relacionadas em boletins adicionais sem posterior confirmação.

De acordo com um respeitado observador vietnamita, três problemas surgiram do relatório da SFM. Primeiro, o anúncio antes do acontecimento fez da SFM um bode expiatório natural para o Vietnã. Na sessão de abertura no dia 12 de maio da Assembléia Nacional do Vietnã, as autoridades do governo, como era de se prever, criticaram a SFM por organizar os protestos, de acordo com uma reportagem da Rádio ABC da Austrália.

Segundo, a constante referência da SFM aos cristãos montanheses no contexto do conflito é enganoso e causa grande dificuldade para muitos da igreja protestante montanhesa que escolheram lutar por justiça de outras formas. O risco para eles tornou-se evidente num discurso que o vice-primeiro ministro Nguyen Tan Dung fez na Assembléia Nacional, no qual apelou às autoridades que combatesse as conspirações e forças hostis entre os líderes montanheses. Os líderes vietnamitas prometeram punir qualquer um que incitasse mais tumulto no planalto central.

Finalmente, os exageros da SFM desviaram a atenção da legítima defesa dos montanheses. Por exemplo, a Human Rights Watch (HRW) publicou um relatório no dia 14 de abril que cobriu os eventos dos dias anteriores e incluiu sólida documentação de forte repressão nos meses que antecederam o tumulto de fim-de-semana da Páscoa. A HRW continuou no dia 22 de abril, com uma significativa noticia detalhando os eventos de 10 e 11 de abril, baseado em fontes confiáveis. Ele informava que pelo menos dez pessoas haviam sido mortas, mas admitia ser impossível citar o número exato de mortos e, portanto, apelava para que observadores internacionais investigassem.

No dia 29 de abril, a Comissão de Liberdade Religiosa da Aliança Evangélica Mundial, citando fontes primárias, publicou o documento Compreendendo as Demonstrações de abril de 2004 nas Terras Altas Centrais do Vietnã. No mesmo dia, a Anistia Internacional relatou e listou detalhes das oito mortes.

No dia 30 de abril, o Vietnã celebrou o 29º aniversário da libertação do país em 1975. Ironicamente, as minorias oprimidas do Vietnã estão menos libertas hoje do que nunca.


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