Oito pastores mortos na Nigéria central

| 06/04/2004 - 00:00


A violência religiosa no Estado de Plateau, na Nigéria central, alastrou-se para mais cidades e vilarejos naquela região e além de suas fronteiras, resultando na morte de oito pastores e 1.500 crentes, além da destruição de 173 igrejas.

A assembléia religiosa do Estado de Plateau da Associação Cristã da Nigéria (ACN) informou à Portas Abertas os nomes de sete pastores martirizados na cidade de Jos. São eles Pius Kurnap, Simon Nimbon, Aminu Lachak, Musa Fannap, Salbol Dashe, Musa Vongkur e Emmanuel Nimmak. A oitava vítima, um pastor da Igreja Vida Intensa, cujo nome não foi revelado, foi morto com a esposa e quatro filhos.

Os pastores eram Batistas, Anglicanos, Católicos Romanos, da Assémbléia de Deus e Evangélicos Reformados, da Igreja de Cristo da Nigéria (ICN) e da Igreja Evangélica do Oeste da África.

Os porta-vozes da ICN, Dinfa Manshal e Sunday Lakong disseram que os extremistas muçulmanos recrutaram mais de dez mil muçulmanos das Repúblicas do Níger e do Chade para invadir cidades e vilarejos cristãos. Bandos de muçulmanos fundamentalistas promoveram desordem com morte e mutilação de cristãos e incendiaram suas igrejas.

Numa entrevista à imprensa em Jos, o líder da comunidade cristã, Ambrose Gapsuk, disse: A invasão de cidades e vilarejos cristãos por muçulmanos fanáticos demonstra claramente que o ataque é uma guerra contra os cristãos. Ambrose é da cidade de Shendam, que fica numa das áreas afetadas pela violência. Ele informou que 1.500 cristãos foram mortos e suas igrejas e propriedades destruídas.

A Agência Nacional de Gerenciamento de Emergência da Nigéria (ANGE) informou que a violência religiosa em Plateau e Nasarawa afetou dez áreas locais do governo em dois Estados, resultando no desalojamento de 25 mil pessoas.

Alhaji Musa Lima, conselheiro especial do governo do Estado vizinho de Bauchi, disse à Portas Abertas: Cerca de cinqüenta mil pessoas desalojadas que conseguiram escapar da hostilidade foram temporariamente realocadas para algumas partes deste Estado. As autoridades de Bauchi informaram que a afluência de refugiados colocou uma pressão muito grande sobre os recursos locais.

O porta-voz da ANGE, Biodun Oladunjoye, disse que entre as pessoas desalojadas estão muitas mulheres e crianças cujos números são diariamente dizimados por doenças e pela fome. Ele disse também que, a menos que algo seja feito com urgência, os campos de refugiados nos três Estados verão mais mortes.

O governo está fazendo tudo o que pode para reduzir a violência contra os cristãos na região, disse o governador do Estado de Plateau, Joshua Dariye num discurso durante um culto na Igreja de Cristo em Jos. Nós nos solidarizamos com a igreja pela morte de seus pastores e de membros e faremos tudo o que pudermos para impedir o alastramento da violência contra os cristãos neste Estado.

No dia 28 de março, eclodiu a violência muçulmano-cristã no Estado de Nasrawa, ao que se sabe matando quinze cristãos nas áreas locais do governo de Keana, Doma, Jenkwe, Ekye e Giza.

Homens da segurança foram mandados para as áreas afetadas para restaurar a lei e a ordem, disse à Portas Abertas o comissário de polícia de Nasarawa, Alhaji Muhammed Zarewa, em Lafia, capital do Estado.

Enquanto isso, o presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, reagiu à prolongada violência admitindo que as autoridades nesses Estados parecem ser impotentes ou não ter inspiração para fazerem algo a respeito.

Sabe-se que os líderes muçulmanos fizeram uma visita a Olusegun em seu gabinete em Abuja, capital da nação, para discutirem soluções para o conflito. Alguém vai querer dar desculpas, mas não acho que tenhamos qualquer justificativa para permitir que a violência envolva a nós e ao nosso país, disse-lhes Olusegun.


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