Mais mortes assinalam a retomada de violência em Poso, Indonésia

| 06/01/2004 - 00:00


Oranje Tadjodja, tesoureiro do Sínodo da Igreja Protestante de Sulawesi Central, Indonésia, foi encontrado morto a pancadas no dia 16 de novembro junto com o sobrinho, Yohannes Tadjodja, 26, cuja garganta fora cortada.

As mortes brutais ocorreram durante uma onda de tiroteios e novos ataques a vilarejos e indivíduos, despertando temores de uma iminente crise na região de Poso de Sulawesi Central.

Os corpos de Oranje Tadjodja e do sobrinho foram descobertos pela polícia logo depois da meia-noite de 16 de novembro. Os agressores evidentemente quebraram das janelas dos carros, mataram os ocupantes e depois empurraram o carro para o mato, fora da estrada, cerca de 20 quilômetros de Poso.

Tadjodja ia pregar em Pantangolemba, um dos vilarejos atacados pelos extremistas armados no dia 12 de outubro. Ele saiu de Tentena com o sobrinho por volta das 15h daquele dia. A polícia calcula a hora da morte por volta das 17h. Devido aos muitos ferimentos na cabeça, Tadjodja foi reconhecido somente pela roupa.

Acredito que os agressores não atiraram nele, nem incendiaram o carro porque eles estavam muito perto dos vilarejos próximos de Puna e Tabalu, onde existem postos policiais, relatou Mona Saroinsong, coordenadora do Centro de Crise da Igreja Protestante em Sulawesi do Norte.

No mesmo domingo, o corpo de Denis Lingbuliwa, cristão do vilarejo de Wawopada, foi jogado atrás do mercado de Poso. Testemunhas disseram que Lingbuliwa foi parado por uma multidão enraivecida quando se dirigia a Palu, arrancado da moto e espancado até a morte.

As mortes foram atribuídas a uma multidão violenta que se amotinou em Poso no dia 16 de novembro, ameaçando a polícia, queimando pneus na rua e procurando por cristãos em quem desabafar sua raiva.

No dia anterior, a polícia havia detido três homens suspeitos de envolvimento numa série de ataques violentos contra os cristãos no dia 12 de outubro que deixou nove pessoas mortas. Irwin Hamid, um dos suspeitos, foi morto durante a detenção. A polícia libertou o irmão de Hamid no fim daquele dia, mas ele fora muito espancado enquanto esteve sob custódia, despertando a raiva dos muçulmanos de Poso.

Quando a notícia se espalhou, um grande grupo de muçulmanos reuniu-se fora da delegacia de polícia de Poso, gritando pela libertação dos outros suspeitos e ameaçando mais violência. Isso levou à morte de Oranje Tadjodja, de seu sobrinho e de Denis Lingbuliwa no dia seguinte.

De acordo com Saroinsong, Alguns vilarejos das áreas costeiras de Poso estão agora traumatizados e com medo de realizar suas atividades diárias. Eles não têm liberdade para irem às suas plantações ou para os campos de arroz. Pediram guardas, mas a polícia e o exército não têm pessoal suficiente para dar segurança.

Tentena, uma cidade na ponta norte de Lake Poso, tem uma população de maioria cristã. Os moradores de lá fizeram uma manifestação fora do quartel da polícia no dia 29 de novembro, pedindo a intervenção policial para impedir mais violência.

Entretanto, mais dois vilarejos cristãos foram atacados na mesma tarde. Um grupo de 20 extremistas muçulmanos entraram no vilarejo de Kilotran por volta das 19h da noite, disparando armas automáticas contra as casas.

Dois moradores locais, I Made Simson e seu cunhado I Ketub Sarman, morreram em conseqüência de ferimentos fatais sofridos no ataque. Vários outros foram feridos à bala.

De acordo com Ferdie Saerang, do grupo de advocacia cristã Poso Watch, a maioria dos moradores estavam na igreja no momento, caso contrário teria havido mais mortes.

O vilarejo de Tobomawo, cerca de 134 quilômetros a leste de Poso, foi atacado quase que simultaneamente por dois homens em motos disparando armas automáticas contra a igreja durante um culto noturno. Ruslam, 32, e Arifin, 28, morreram instantaneamente. Uma mulher de 37 anos chamada Moda ficou seriamente ferida e não há esperança que ela sobreviva. Yulmin, 23, e Sandra Tengker, esposa do pastor da igreja, sofreram ferimentos à bala não fatais.

Panfletos que circulam em Poso e nos vilarejos circunvizinhos apelam aos muçulmanos de Poso a cerrar fileiras para atacar, expulsar e matar os cristãos. Os folhetos insistem que os muçulmanos tenham como objetivo especificamente os cristãos em posição de autoridade.

O governo mandou mais 3.400 oficiais de polícia e soldados do exército a Poso desde os ataques de 12 de outubro. Uma reportagem do Jakarta Post de 3 de dezembro citou Susilo Bambang Yudhoyono, Ministro Coordenador dos Assuntos Políticos e de Segurança, que teria dito serem necessárias duras medidas devido à frágil situação em Poso.

O Rev. Rinaldy Damanik, coordenador do Centro de Crise GKST e Secretário Geral do Sínodo da Igreja, que está cumprindo uma controvertida sentença de três anos na Prisão de Palu, manifestou sua tristeza com as recentes mortes. Ele apelou às pessoas fora da Indonésia que peçam a seus governos e orem pelo povo de Poso.

Não existe melhor forma de nos ajudar do que alertar os poderes internacionais a respeito da situação aqui em Poso e pedir-lhes que façam pressão sobre o governo indonésio para que estabeleça e mantenha uma paz significativa, disse Damanik.


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