Cristão egípcio é capturado na fronteira com a Líbia

| 08/12/2003 - 00:00


Um cristão copta casado em segredo com uma mulher convertida do islamismo foi detido pela segunda vez na semana passada quando tentava sair do Egito para o Canadá.

Boulos Farid Rezek-Allah Awad, 31, foi barrado na fronteira com a Líbia no dia 25 de novembro e detido pela polícia egípcia de fronteira durante 12 horas. Assim que as autoridades confirmaram a identidade de Rezek-Allah, foi-lhe recusada permissão de saída e depois liberado.

Tão logo Rezek-Allah voltou para o Cairo, depois do feriado, foi chamado aos escritórios de Lazghouly da polícia de segurança. Lá ele foi interrogado e ameaçado por Hussein Gohar, o oficial da segurança que monitora o seu caso desde que ele foi preso pela primeira vez há nove meses.

Quando Gohar exigiu saber o paradeiro de sua esposa cristã, Rezek-Allah disse-lhe que ela conseguira fugir do país na sua frente. Jurando que a encontraria, o oficial lhe disse: Eu a trarei de volta e a cortarei em pedaços na sua frente.

Quando ele foi liberado do interrogatório três dias antes, a polícia disse a Rezek-Allah que ele constava na lista negra e nunca teria permissão para sair do Egito.

Rezek-Allah é acusado de transgredir a lei egípcia ao se casar com uma mulher muçulmana, Enas Yehya Abdel Aziz. Agora com 27 anos, a mulher mudou o nome para Enas Badawi Guirguis, depois de converter-se ao cristianismo há três anos.

De acordo com a lei islâmica que vigora no Egito, um homem cristão somente pode casar-se com uma mulher muçulmana se concordar em aceitar a crença dela. Mas no caso de Rezek-Allah, sua esposa abandonou o islamismo e converteu-se ao cristianismo. No Egito é ilegal os muçulmanos mudarem seu status religioso legal para o de cristão, já que isso constitui um insulto ao islamismo.

Como os dois estavam planejando imigrar para o Canadá, nunca viveram juntos desde o casamento em segredo no ano passado.

Ninguém sabia a respeito do nosso casamento, disse Enas a Portas Abertas em maio. Ele ainda vivia com seus pais, e estávamos apenas esperando meus documentos e o exame médico voltar da embaixada.

Mas no dia 26 de fevereiro deste ano, apenas a alguns meses antes da partida antecipada, Rezek-Allah foi detido em casa no meio da noite por nove policiais. Só quatro dias depois o advogado da família o localizou na delegacia de polícia El-Shobra, no Cairo.

Os policiais que o interrogaram insultaram e penduraram o farmacêutico pelos braços; acusaram-no de evangelizar muçulmanos e de falsificar documentos legais. Sob tortura, ele admitiu que quando se casou com Enas, sabia que ela era uma ex-muçulmana que tinha mudado de identidade secretamente.

Mas enquanto isso, sua esposa conseguiu desaparecer. Foram encontradas cópias do seu documento de identidade e da certidão de casamento, indicando que ela fora batizada cerca de três anos antes, e depois casada no dia 22 de maio de 2002. Mas a polícia não conseguiu rastrear a própria Enas, como prova real do caso.

Pelo fato de Rezek-Allah não saber do paradeiro da esposa, ele foi finalmente libertado no dia 1 de junho da Prisão Tora, para onde fora transferido em meados de abril.

Nos dois meses seguintes, Rezek-Allah foi submetido a uma vigilância e maus tratos quase que constantes, deixando sua família muito tensa e tornando quase impossível a ele contatar qualquer pessoa que tivesse contato com sua esposa.

Não vendo outra solução, Rezek-Allah decidiu viajar para o Canadá para fazer os exames finais para a licença em farmácia. Ela tinha já um visto válido de imigração para o Canadá, concedido quando foi aprovado no exame de qualificação inicial no ano anterior. Mas, logo depois que ele embarcou num vôo da Alitalia no aeroporto do Cairo em 11 de agosto, chegou a polícia de segurança e o tirou do avião.

Depois disso, as autoridades estaduais de segurança até ameaçaram o farmacêutico, dizendo que o acusariam de ter matado a esposa, numa tentativa de forçá-la a comparecer perante as autoridades e anular as acusações de assassinato.

No dia 19 de outubro, o promotor público que ouviu o caso de Rezek-Allah concordou em retirar as acusações contra ele se ele concordasse em cancelar sua certidão ilegal de casamento. Entretanto, a corte deixou Enas como a primeira acusada por falsificação de documento oficial e de blasfemar contra uma religião celestial.

Com 20 quilos a menos pelos sofrimentos dos últimos nove meses, Rezek-Allah mal pode ser reconhecido pela foto do cartão de identidade emitida antes de sua detenção. Eu realmente luto com a depressão, disse ele, que ele acredita estar ligada às drogas que seus captores lhe aplicaram enquanto estava preso para induzi-lo a confessar sob interrogatório.

Se as autoridades canadenses ou qualquer outra perguntar por que não tenho permissão para sair do Egito, disse Rezek-Allah a Portas Abertas no Cairo há três semanas, a segurança do Estado lhes dará três razões. Eles dirão que sou um traficante de drogas, que sou culpado de falsificar documentos e que eu estava seqüestrando moças muçulmanas para convertê-las ao cristianismo.

O visto de imigração canadense do farmacêutico expira se ele não chegar no Canadá no início de abril do ano que vem.

Os cristãos locais acreditam que a única esperança de Rezek-Allah de algum dia sair do Egito e reunir-se à esposa é a intervenção direta do presidente Hosni Mubarak ou do ministro do Interior, Habib Al-Adli.


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