EMI é investigada por suposto desaparecimento de crianças

| 23/01/2007 - 00:00


Depois que oficiais do Estado de Rajasthan impediram o retorno de centenas de crianças a um orfanato dirigido pela Missão Internacional Emanuel (EMI, sigla em inglês) no ano passado, o partido Bharatiya Janata Party (BJP) formou um comitê para investigar a instituição pelo suposto "desaparecimento" das crianças.

O advogado da EMI, Mohammad Akram, disse que o Departamento do Bem-estar Social do Estado primeiro notificou a EMI em 5 de dezembro, dizendo que um comitê havia sido formado para verificar o desaparecimento das crianças no orfanato, depois que o número de residentes diminuiu de mais de 1.700 para apenas 435.
 
Akram explicou que a maioria das crianças saiu para as férias de verão em suas vilas em março de 2006. Somente 435 crianças ficaram no orfanato.
 
"Quando as outras crianças retornaram, os funcionários do departamento se recusaram a aceitá-los de volta", explicou Akram.
 
Autoridades do distrito disseram às crianças que elas precisavam de permissão do governo para ficar no orfanato.

"Como todos são de famílias pobres, eles não ousaram se aproximar das autoridades e conseqüentemente voltaram para suas vilas", disse Akram. "Na verdade, muitos deles, que não tinham para onde ir, se tornaram mendigos".
 
O BJP ajudou a lançar uma campanha contra a EMI em janeiro de 2006. Na quarta-feira (10 de janeiro), o Departamento de Bem-estar Social notificou a EMI pela terceira vez em um mês, pedindo que fornecessem rapidamente detalhes sobre as crianças do seu Orfanato Central Esperança em Raipura, distrito de Kota.
 
O departamento pediu o número de registro da EMI, os nomes de seus membros e a lista das crianças registradas no orfanato, junto com nomes, endereços e informações de contato. Eles deram à EMI menos de 24 horas para entregar as informações.

A notificação também exigiu uma explicação de por que um grande número de crianças deixou o orfanato e para onde elas foram, perguntando até que companhias aéreas eles tinham usado para deixar o país.
 
"A EMI respondeu a notificação em 5 de dezembro, dizendo que precisava de pelo menos 20 dias para providenciar os detalhes", disse Akram.
 
O departamento enviou outra notificação em 22 de dezembro de 2006, dizendo que os detalhes deveriam ser entregues até 25 de dezembro.
 
"No entanto, naquele momento percebemos que alguns documentos, aparentemente levados pelos funcionários do departamento que se instalaram no orfanato no ano anterior, estavam desaparecidos", disse Akram.

A EMI escreveu ao departamento em 26 de dezembro de 2006, pedindo que eles devolvessem os documentos desaparecidos para que os papéis solicitados pudessem ser completos. O departamento, no entanto, negou ter levado qualquer documento do orfanato.
 
Longa campanha de difamação

O departamento enviou funcionários ao orfanato depois que a Suprema Corte do Estado negou cinco petições enviadas pela EMI em 13 de junho de 2006.
 
A EMI enviou as petições após o Registro de Sociedades de Kota revogar o registro de cinco instituições de EMI em 20 de fevereiro de 2006 e bloquear suas contas bancárias, alegando infrações das leis das sociedades.
 
Funcionários do Bem-estar Social permaneceram no orfanato até que a Suprema Corte ordenasse sua saída em 8 de agosto de 2006.
 
A EMI opera as instituições: Emmanuel Bible Institute Samiti (instituto bíblico), Emmanuel Anath Ashram (orfanato), Emmanuel School Society (escola), Emmanuel Chikitsalaya (hospital) Samiti, e Emmanuel Believers Fellowship (igreja). A organização lidera um movimento de igrejas nacionais e atende a mais de 10 mil crianças com trabalhos humanitários e educacionais.
 
Akram disse que foi extremamente lamentável que o departamento tenha tomado como alvos o reverendo Samuel Thomas, presidente da EMI e filho do arcebispo M.A. Thomas, fundador da EMI, que "servem generosamente aos pobres e oprimidos".
 
"Como resultado, muitas crianças carentes estão sofrendo", ele disse.
 
As tensões em Kota começaram em 25 de janeiro de 2006, quando o arcebispo Thomas e seu filho receberam ameaças de morte anônimas dizendo que eles não deveriam realizar a cerimônia anual de graduação de centenas de órfãos e estudantes cristãos dalit, programada para 25 de fevereiro.
 
A polícia do Estado de Rajasthan então prendeu Samuel Thomas em 16 de março de 2006 alegando distribuição do livro Haqeekat (A Verdade), que supostamente denigre a fé hindu. A polícia tinha prendido anteriormente vários outros líderes da EMI ligados ao livro.
 
Em março de 2006, uma delegação do Conselho Geral dos Cristãos da Índia submeteu um relatório ao primeiro ministro da Índia concluindo que o partido BJP tinha encorajado autoridades do Estado a perseguir cristãos, incluindo membros da EMI. O relatório indicou o ministro do Bem-estar Social, Madan Dilawar, como figura-chave na campanha contra a EMI.
 
Samuel Thomas foi liberado sob fiança em 2 de maio de 2006, enquanto seu pai permaneceu escondido até que a Suprema Corte concedesse fiança antecipada para ele em 7 de agosto de 2006.


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