Cristãos de Mosul se ressentem de ameaças às vésperas do Natal

| 18/12/2006 - 00:00


Está em andamento uma cruzada para impor a lei islâmica em Mosul, no norte do Iraque, uma cidade onde as ameaças e a violência contra os cristãos alcançaram um nível de autêntica perseguição com fins políticos e ideológicos.

Com a proximidade do Natal, os cristãos estão confinados em suas casas que se tornaram como "prisões" que eles não ousam deixar por medo de seqüestros e assassinatos. A emigração é difícil para eles porque países árabes e europeus decidiram fechar suas portas.

Seqüestros e assassinatos estão na ordem do dia também para os cristãos de Bagdá, mas em Mosul a situação é diferente e mais preocupante. Testemunhas alegam que as ações que visam atingir os cristãos de Mosul não são motivadas apenas pelo lucro - exigência de resgate, apreensão de propriedades - mas especialmente por um plano político que existe por trás de tudo. Extremistas sunitas fizeram da cidade sua fortaleza e eles parecem estar decididos a fundar um chamado "Emirado Islâmico", formado pelas províncias de Salahaddin, Anbar, Diyala, Bagdá e parte de Wasit. Mosul seria a capital.

Até um ano atrás, os membros da comunidade cristã estavam confiantes de que as coisas mudariam, mas agora eles têm apenas palavras de desesperança para descrever sua situação. "Estamos vivendo as vésperas do Natal, a época mais feliz de todo o ano, como se estivéssemos na prisão. O mundo se prepara para celebrar, enquanto nós nos preparamos para morrer. Quem ouvirá nosso choro, quem pode nos socorrer agora que nos sentimos como estrangeiros em nossa própria terra?"

O patriarca caldeu Emanuel III pede aos caldeus de todo mundo que observem o jejum "Bautha" de Nínive (parte da liturgia assíria para comemorar o jejum feito pelos moradores de Nínive no tempo do profeta Jonas) nos dias 18 e 19 de dezembro. O patriarca pede orações "para que o Senhor possa conceder a bênção da paz sobre o nosso país, por segurança e estabilidade e para que haja um clima de fraternidade e amor entre os filhos do Iraque".

Campanha contra "vestuário não islâmico"

A violência contra os cristãos de Mosul aumentou depois da queda de Saddam Hussein. Muitas igrejas e conventos foram imediatamente atacados ou bombardeados. Bispos e sacerdotes começaram a ser seqüestrados. O mais horrível episódio foi o da morte do sacerdote sírio-ortodoxo Paulos Eskandar, cujo corpo decapitado foi descoberto no dia 11 de outubro, na região leste de Mosul, após dois dias de cativeiro.

Fundamentalistas muçulmanos estão invadindo o cotidiano das pessoas cada vez mais. No dia 12 de dezembro, um grupo de fundamentalistas parou um ônibus que transportava estudantes cristãos; o grupo entrou no ônibus para distribuir panfletos dizendo que as jovens deveriam usar o "hijab" (véu) e que os rapazes deveriam se vestir de maneira sóbria e não roupas em estilo ocidental. A mesma tática foi usada para distribuir a mensagem na universidade: desconhecidos colaram panfletos e cartazes nas áreas onde os estudantes cristãos costumam se reunir. O aviso é claro: "Qualquer um que violar os princípios da sharia será punido de acordo com a lei muçulmana".

No início de dezembro, o motorista de uma linha de ônibus impôs sua decisão de dividir homens e mulheres dentro do veículo, proibindo-os de se sentar uns ao lado dos outros. Recentemente, outros panfletos ordenavam que proprietários de lojas de roupas cobrissem os manequins das vitrines com um véu. E os comerciantes tiveram de obedecer, usando sacos plásticos em vez de véus.

Além disso, alguns banheiros públicos baniram o uso do sabonete porque isso "não existia no tempo de Maomé". As ordens chegaram a um ponto absurdo: os restaurantes não podem preparar saladas mistas com pepino e tomate porque um representa o gênero masculino e outro o feminino.

Um fato importante a observar é que não é apenas o povo pobre e analfabeto que engrossa as fileiras dos extremistas: professores universitários e pessoas escolarizadas também acreditam que é correto impor tal controle sobre a população.

Contra a arte não muçulmana

De acordo com a polícia iraquiana, os extremistas sunitas são apoiados por terroristas estrangeiros. Uma nova campanha foi lançada contra a "arte não muçulmana". Em novembro, monumentos públicos considerados pagãos foram destruídos. Uma estátua famosa no norte da cidade, em al Zihour, foi destruída porque retratava um grupo de mulheres carregando jarros em seus ombros.

Outras obras visadas eram anteriores aos anos 70 e incluíam estátuas de alguns artistas importantes como o poeta árabe Ani Tamman e um cantor de música sacra, Mullah Othman al-Mosulli.

O website do Instituto War and Peace Reporting informou que um militante preso em outubro explicou os objetivos de seu grupo durante o interrogatório: colocar um fim à ocupação americana, derrubar o governo iraquiano e introduzir a sharia no país.


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