Cristão pode ter funeral muçulmano por imposição da lei

| 09/12/2006 - 00:00


A Malásia está enfrentando um outro caso que corre o risco de inflamar o debate público sobre o pleno respeito à liberdade religiosa no país. Um cristão, que morreu no final de novembro, pode ser enterrado segundo os ritos muçulmanos, apesar da oposição de sua família.

Rayappan Anthony, que tinha 71 anos, se converteu ao islamismo em 1990, quando se casou pela segunda vez com uma muçulmana, mudando seu nome para Muhamad Rayappan Abdullah. Entretanto, seus parentes insistem que ele retornou ao cristianismo em 1999 e foi batizado de novo. Seu erro foi ter deixado de informar isso ao Departamento de Assuntos Religiosos. Mas, Anthony comunicou a outros órgãos, como o escritório nacional de estatísticas, sobre a mudança de religião, tanto que seus documentos, datados de 2003, trazem seu nome como Anthony e sua fé como "cristã".

Quando Anthony, que sofria de diabetes, morreu no hospital em 29 de novembro, um vizinho que sabia de sua conversão para o islã informou o Departamento de Assuntos Religiosos. Conseqüentemente, a corte islâmica, que na Malásia regulamenta as questões familiares de cidadãos muçulmanos, determinou que o corpo do cristão deveria ser transferido para o Conselho Religioso Islâmico Selangor. A família se opôs, mas não conseguiu obter o corpo.

Esperança

No dia 8 último, havia um raio de esperança para os parentes de Anthony. O Gabinete Malaio pediu à Procuradoria Geral que investigasse o caso a fim de confirmar o status religioso do falecido.

O primeiro-ministro Abdullah Ahmad Badawi disse que era "importante" que o caso fosse resolvido. Agora a família de Anthony precisa provar a verdadeira religião dele diante de uma corte islâmica.

Membros do governo se disseram otimistas: "A corte islâmica deve ser justa com a família e não criará problemas. A religião dessa pessoa está claramente demonstrada em seus documentos".

O caso de Anthony-Abdullah faz lembrar o caso de Moorthy, um malaio hindu que foi enterrado como muçulmano em dezembro de 2005 (leia mais). Uma corte islâmica declarou que antes de morrer, o homem - um herói nacional por ter sido o primeiro malaio a escalar o Everest - tinha se convertido ao islã. Sua esposa perdeu o apelo que fez junto à Suprema Corte da Malásia.


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