Grupo de direitos humanos relata as atrocidades de Mianmar

| 08/12/2006 - 00:00


Representantes do grupo Christian Solidarity Worldwide (CSW) voltaram de uma visita investigativa a Mianmar, na fronteira com a Tailândia. Eles coletaram evidências das "grandes violações" de direitos humanos que o regime militar de Mianmar realiza contra os grupos étnicos Karen, Karenni e Shan. Essas etnias estão agrupadas em Estados do país.
 
A equipe do CSW visitou os deslocados internos nos Estados Karen e Shan, no leste de Mianmar. As pessoas deram testemunho de trabalho forçado, tortura, saques e destruição das vilas, plantações e currais.

Um representante do CSW disse: Neste ano, o exército birmanês lançou a maior ofensiva contra os Karens desde 1997. Há no mínimo 25 mil Karens deslocados. Os Policiais de Mianmar Livre, um grupo de ajuda que trabalha nas áreas de conflito, relatam que cerca de 50 pessoas foram assassinadas. Um homem, Saw They Shur, foi queimado vivo em sua casa na vila de Play Hta em 1 de novembro".

A ofensiva afetou particularmente os distritos ao norte do Estado Karen. O CSW visitou os deslocados que fugiram dessas áreas para um campo perto da fronteira com a Tailândia.

O responsável por Ações Institucionais do CSW, Benedict Rogers, disse: A situação é medonha. Cerca de 70 pessoas chegaram ao campo no dia em que estávamos lá. Soubemos que 400 viriam no dia seguinte. O número de pessoas está se multiplicando, subiu de 2 para 3 mil pessoas em apenas algumas semanas. Não há remédios nem comida suficiente para todos. Mas, aqueles que chegam ao campo de refugiados têm sorte, se comparados aos que estão escondidos na selva, em retirada, perseguidos pelo exército birmanês".

O CSW entrevistou alguns dos recém-chegados no campo, e ouviu história sobre as atrocidades do regime. "Quando o exército vê as pessoas, ele não as prende mais. Eles atiram, um homem contou ao CSW. O exército mata até crianças e bebês.

Outro homem disse ao CSW que ele foi preso, e foi tão agredido que chegou a perder a visão de um olho. Ele foi torturado com água, choque elétrico e formigas. O exército veio caçando as pessoas. Eles roubam ou queimam e destroem qualquer coisa que virem na selva. Roubam panelas, roupas, o que houver na casa das pessoas. Eu não me atrevo a voltar à minha vila. Não há esperança nem um lugar para mim no futuro."

Mervyn Thomas, diretor executivo do CSW, disse: Toda vez que uma equipe volta de uma viagem investigativa a Mianmar, não tem erro: eles voltam com novas histórias dessa violação contínua e terrível dos direitos humanos, perpetrada pelos ditadores. As evidências de atrocidade se acumulam: tortura, trabalhos forçados, perseguição religiosa, estupro, destruição de vilas, assassinato. É hora de o Conselho de Segurança da ONU aprovar uma resolução compulsória para Mianmar, exigindo que o regime liberte todos os prisioneiros políticos, abra o país para receber livremente ajuda humanitária, encerre suas violações dos direitos humanos e se engaje em um dialogo significativo com os grupos democráticos e as minorias étnicas".


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