Xeique convertido ao cristianismo continua preso no Egito

| 20/10/2006 - 00:00


Um xeique muçulmano preso no Egito há 18 meses declarou de sua cela na prisão que está preso por "insultar o islamismo" ao se tornar cristão.
 
A polícia secreta egípcia transferiu Bahaa el-Din Ahmed Hussein el-Akkad, de 57 anos, para o Presídio Wadi el-Natroun no mês passado. Ele soube que permaneceria lá indefinidamente a menos que concordasse em trabalhar como informante do governo contra os convertidos ao cristianismo.
 
Segundo o advogado do preso, Athanasius William, seu cliente permanece encarcerado nesta prisão no deserto "somente porque escolheu uma fé diferente, escolheu ser cristão".
 
Bahaa el-Din ficou preso, sem acusações, por mais de um ano, depois que os oficiais da Investigação de Segurança do Estado (SSI, sigla em inglês) o detiveram no Cairo, em 6 de abril de 2005 (leia mais).
 
Embora submetido a repetidos interrogatórios, o ex-muçulmano nunca soube das acusações específicas contra ele. Entretanto, vários colegas de cela espalharam boatos de que ele estava convertendo e batizando pessoas ao cristianismo, o que resultou em insultos e, pelo menos uma vez, em agressão severa por parte de um companheiro de prisão.
 
Quando as cortes finalmente ordenaram a libertação de Bahaa el-Din da prisão provisória, há 10 semanas, as autoridades da SSI deliberadamente ignoraram a decisão. Em vez disso, eles mantiveram o cristão em seu gabinete de Gaber Ibn Hayyan em Giza e, então, o transferiram para o Presídio Wadi el-Natroun, localizado a 100 quilômetros ao norte do Cairo, ao longo da rodovia para Alexandria.
 
O advogado Athanasius afirmou ao Compass que era estritamente ilegal a SSI ter novamente detido seu cliente "sem as ordens de um oficial legalmente autorizado", como exigido no Artigo 280 das leis de penalidades egípcias.
 
Desiludido com o islã

Em uma série de mensagens manuscritas enviadas de forma clandestina da prisão nos últimos meses, às quais o Compass teve acesso, Bahaa el-Din declarou que "escolheu a fé cristã" depois de anos de busca no Islã.
 
Por mais de 20 anos, o ex-xeique foi membro do grupo islâmico fundamentalista Tabligh e Dawa, dedicado à conversão de não-muçulmanos, mas que estritamente se opunha à violência. Ele também esteve à frente de uma comunidade em uma mesquita em Al-Haram, na área de Giza, adjacente ao Cairo. Em 1994, ele publicou "Islã: a Religião" (título em inglês: "Islam: the Religion"), um livro de 500 páginas que analisa as crenças tradicionais da fé islâmica.
 
Mas ele estava desiludido e, cinco anos atrás, ele começou a orar para que, de alguma maneira, pudesse conhecer Deus pessoalmente. Somente em janeiro de 2005 ele conversou, pela primeira vez, com alguém que lhe explicou as doutrinas da fé cristã. Ele começou a estudar as Escrituras intensivamente e, dentro de algumas semanas, tornou-se um seguidor de Jesus.
 
"Esta é uma prova a todos os muçulmanos", escreveu Bahaa el-Din, "que a pessoa que estuda as duas religiões de uma perspectiva séria e objetiva, escolherá a abordagem cristã".
 
Entretanto, depois de dois meses, a notícia da conversão de Bahaa el-Din ao cristianismo chegou até a SSI e a polícia secreta o levou, sem aviso prévio, do seu escritório.
 
Família espera em vão

Após seis semanas detido pela SSI, o ex-xeique foi enviado para o Presídio Tora Mazraa, no Cairo. Quando Athanasius finalmente conseguiu a procuração de advogado para visitar seu cliente, soube que Bahaa el-Din foi preso segundo as provisões da lei emergencial, sob suspeita de "cometer blasfêmia contra o islã".
 
No ano seguinte, a detenção foi renovada a cada 45 dias sob as provisões da lei emergencial, mesmo sem que ele tivesse sido formalmente acusado.
 
Contudo, no último mês de julho, as autoridades instituíram uma nova lei que restringisse essa lei, especificando que a duração da detenção provisória para uma infração não deveria, em "quaisquer circunstâncias", exceder a seis meses.
 
Bahaa el-Din foi acusado de "insultar a religião divina", uma infração de acordo com o Artigo 98-F do código penal egípcio. Então, uma corte do Cairo ordenou que ele fosse solto em 30 de julho.
 
Após ter conhecimento da soltura ordenada pela corte, a esposa do convertido e seus três filhos esperaram em vão pelo seu retorno. Dez dias depois, o advogado finalmente confirmou que, embora Bahaa el-Din tivesse sido libertado da prisão, ele permanecia sob custódia da SSI em Giza.
 
Prisão no deserto

Em meados de setembro, as autoridades transferiram o ex-xeique para o presídio de segurança máxima de Wadi el-Natroun, onde está encarcerada a maioria dos islâmicos egípcios condenados por atividades contra o governo.
 
Conhecida por suas duras condições no deserto, o estabelecimento mantém seus prisioneiros em pequenas celas que medem não mais que dois metros quadrados.
 
De acordo com o advogado, Bahaa el-Din está debilitado na prisão, apresentando hipertensão e doenças de pele causadas pelas temperaturas extremas, condições anti-higiênicas da cela e picadas de insetos e pequenos répteis.
 
"Ele está trancado em um local onde pode morrer porque sua idade, corpo e mente não conseguem agüentar esta crueldade e obstinação das autoridades de segurança do estado", disse William.
 
O advogado não recebeu resposta de uma petição que fez ao Advogado Geral Abdel Meguid Mahmoud, em 4 de setembro, citando violações legais no caso de Bahaa el-Din.
 
Apesar dos cidadãos egípcios serem livres para adotar o islamismo e obter identidades muçulmanas legais, os cidadãos muçulmanos não têm permissão para alterar sua identidade religiosa. Aqueles que se tornam cristãos estão sujeitos à intensa perseguição pela SSI, que freqüentemente detém convertidos por insultar o islã ou "ameaçar a segurança nacional".


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