Ramadã: tempo de jejuar e orar

| 16/10/2006 - 00:00


Para um bilhão de muçulmanos, o dia 24 de setembro marcou o primeiro dia do Ramadã. Ele acontece no nono mês do calendário lunar islâmico, mês em que acredita-se que o Alcorão foi "enviado do céu". Dessa forma, o mês inteiro é destinado a auto-negação, para que mais tempo seja utilizado para adoração e contemplação.

Durante esse período, é proibido fumar e manter relações sexuais. Entretanto, o aspecto mais conhecido do Jejum do Ramadã é a restrição de horário, que tem um enorme impacto tanto na vida pública quanto na privada em países islâmicos.

As famílias madrugam para fazer uma refeição antes do nascer do sol e se reúnem novamente para comer assim que escurece. Após a refeição, muitos se reúnem para apreciar a companhia da família e amigos. Mas o Ramadã envolve muito mais que comida.

As restrições devem abranger todos os aspectos: a língua, de não falar mal das pessoas pelas costas nem fofocar; os olhos, de não contemplarem coisas ilícitas; os ouvidos, de não escutar conversa ociosa ou palavras obscenas; os pés, de não irem a lugares pecaminosos - todas as partes do corpo deve fazer parte do jejum.

Mês de reavaliação

Os muçulmanos devem usar esse mês para reavaliar suas vidas sob o prisma das diretrizes islâmicas: eles devem fazer as pazes com aqueles que os injustiçaram, fortalecer laços afetivos com a família e os amigos, livrar-se de mal hábitos, purificar suas vidas, seus pensamentos e seus sentimentos.

O Ramadã é um período para praticar o autocontrole, um período para limpar o corpo e a alma das impurezas e focalizar na devoção a Deus. Para os muçulmanos sunitas, muitas mesquitas recitam todo o Alcorão em oração durante o mês do Ramadã.

Alguns muçulmanos passam noites inteiras em oração e, para muitos deles, há a intenção de colher benefício espiritual de sua restrição física.

No ano passado, uma jovem muçulmana disse: "O Ramadã tem sido tão maravilhoso. Nunca me senti tão em paz. É o mês que todas as portas do paraíso estão abertas e todas do inferno estão fechadas. Além disso, estou perdendo peso, o que é ótimo para mim".

Quando o jejum acaba (neste ano será no próximo dia 23), começa uma celebração de três dias chamada Eid al-Fitr. Nesse período, presentes são trocados e os lares são decorados. Amigos e familiares se reúnem para rezar e festejar. Em algumas cidades, organizam-se feiras.
Também é uma época para fazer caridade aos pobres e contribuições às mesquitas.

Obrigações e riscos para não-muçulmanos

Para os que dependem da venda de comida nas ruas, seu sustento corre risco - e se eles continuarem a comercializar com a comunidade cristã, o não-cumprimento do Ramadã por parte deles é tornado público.

Para outros, as centenas de orações e sermões no rádio e na televisão são equilibrados pela oportunidade de provar os doces que são as especialidades do Ramadã; e muitos compartilharão uma ou mais refeições matinais do Ramadã com amigos muçulmanos.

Mas crianças cristãs que estudam em escolas públicas islâmicas podem ter dificuldade com sua rotina diária, conforme é freqüentemente o caso para minorias em diversos países. Por exemplo, desde que a lei islâmica sharia foi estabelecida em Kano, no norte da Nigéria, em 2001, é obrigatório que alunos cristãos em toda rede escolar pública primária e secundária sigam o Ramadã.

Porém, para muitos cristãos que vivem em sociedades islâmicas, o Ramadã é uma época de tensão e pressão, em que todos os tipos de decisões devem ser tomadas levando-se em conta como eles viverão ao lado de vizinhos muçulmanos.

De acordo com líderes cristãos, as escolas públicas se tornaram centros onde muçulmanos tornam jovens cristãos alvos para conversão ao islamismo.

Foi durante o Ramadã em 2003 que Zeeshan Gil, um adolescente cristão paquistanês, foi seqüestrado e preso em uma escola islâmica por duas semanas, onde foi forçado a recitar o shahada, o credo islâmico.

Recitar o credo shahada é tudo o que o islã exige para alguém tornar-se um muçulmano, então Zeeshan foi considerado convertido ao islamismo.

Quando sua mãe o localizou e conseguiu libertá-lo, ele teve que se manter escondido para evitar que fosse capturado novamente.

Orações bloqueadas

Mas há, também, histórias de esperança. No ano passado, um grupo de cristãos africanos relatou que no décimo sétimo dia do Ramadã, um imame que conduzia orações não conseguiu continuar rezando. E então ele teve uma visão que revelou que cristãos estavam orando próximo ao local: suas orações estavam bloqueando as do imame, provando serem mais fortes.

Ele pediu aos cristãos para não orarem ao mesmo tempo em que os muçulmanos.

Depois disso, foi descoberto que vários jovens muçulmanos decidiram se converter ao cristianismo.

Pedidos de oração:

Assim como milhares de muçulmanos fazem suas orações durante o Ramadã, por favor reserve um período para interceder junto ao Pai:

 Ore para que Deus se revele a eles.
 Ore para que a restrição seja uma indicação de legitimidade nas relações entre as comunidades muçulmanas e cristãs.
 Ore para que os cristãos que sentem a pressão do Ramadã sejam fortalecidos.
 Ore para que aqueles que compartilham refeições com amigos muçulmanos durante o Ramadã tenham sabedoria e coragem.

Reúna-se com seus irmãos

A "noite do poder" é quando os muçulmanos comemoram o momento em que Profeta Maomé recebeu a primeira revelação do Alcorão. Nessa data, os muçulmanos passam horas na mesquita fazendo pedidos a Deus.

Este é um foco de oração especial dentro do Ramadã, então, por que não se reunir aos irmãos de sua igreja para orar para que o Espírito do Senhor se espalhe pelo mundo muçulmano? A "noite do poder" deste ano será no dia 19 de outubro.

Veja pedidos de oração e outros artigos na página Ore pelos cristãos durante o Ramadã


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