Casal de cristãos iranianos é detido pela polícia secreta

| 04/10/2006 - 00:00


A polícia secreta iraniana prendeu um casal na cidade de Mashhad, nordeste do país. O casal foi obrigado a deixar para trás a filha de 6 anos e permanece incomunicável desde a prisão, em 26 de setembro.

Policiais à paisana invadiram o apartamento de Reza Montazami, 35 anos, e de sua mulher, Fereshteh Dibaj, 28 anos, às 7 horas da manhã de terça-feira (26). Christine, a filha do casal, foi deixada em casa e encontrada pela avó.

Alegando permissão das autoridades, os homens promoveram uma verdadeira varredura na casa da família. Computadores, diversos objetos pessoais do casal e livros cristãos foram apreendidos.

Assim que o casal percebeu que estava prestes a ser preso, Reza Montazami ligou para sua mãe e pediu que ela fosse rapidamente ao apartamento buscar Christine.

O casal foi levado em um veículo não-identificado, pouco antes da mãe de Reza chegar. Dois homens ainda vasculhavam as dependências do apartamento quando ela entrou para buscar a neta Christine.

"Acreditamos no poder da oração"

A mãe de Reza quis saber do destino de Reza e Fereshteh, e os homens responderam que eles tinham sido levados ao posto policial local. Mas quando os parentes de Reza foram ao local indicado, o policial em serviço afirmou não ter nenhuma informação sobre a prisão.

A família então decidiu ir a um posto policial de outra cidade em busca de respostas. Finalmente, no fim do dia, um membro da Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) admitiu que o casal havia sido preso para interrogatório.

Os oficiais se recusaram a explicar por que eles haviam sido detidos e não permitiram que fossem vistos pela família. Eles sugeriram que os parentes voltassem no dia seguinte de manhã, quando um outro oficial estaria presente.

A família de Reza voltou na quarta-feira de manhã, tentando em vão encontrar o casal preso. Eles ficaram de vigília no quartel do IRGC até que os oficiais os mandaram para casa no início da tarde. "Eles não informaram os motivos da prisão", disse um tio de Reza. "Pedimos que orem. Nós acreditamos no poder da oração".

"Guerra psicológica"

Sobre as acusações, os oficiais se limitaram a dizer que o interrogatório continuaria e que estão sendo preparados documentos contendo denúncias exatas contra eles.

Foi então que as autoridades informaram aos familiares que o casal se apresentaria ao Tribunal da Corte Revolucionária pouco antes das 16 horas para julgamento.

A família chegou à Corte por volta das 15h30 de quinta-feira para acompanhar a audiência. Mas, após duas horas de espera, o juiz disse que não sabia o motivo de a polícia não ter trazido o casal para a audiência. Como a Corte iraniana fecha às sextas-feiras, a família foi aconselhada a voltar para um possível julgamento no sábado.

"Eles estão mentindo", disse um cristão iraniano que conseguiu escapar de diversas perseguições anos atrás por ter abandonado o islamismo e se tornado cristão. "É uma guerra psicológica para manter as famílias inseguras e com medo".

Vindo de uma família de posses de Mashhad, Reza Montazami, se converteu ao cristianismo aos 20 anos. Ele agora usa o primeiro nome Amir, entre seus amigos e família.

Filha de mártir

Sua esposa Fereshteh é a filha mais nova do reverendo Mehdi Dibaj, ministro da Assembléia de Deus, que há 12 anos foi executado por sua fé. Cristão durante 45 anos, Dibaj passou mais de nove anos na prisão, quando lhe sentenciaram à pena de morte por apostasia. Meses depois de uma série de protestos internacionais por sua liberação, ele foi seqüestrado e assassinado no caminho para a festa de aniversário de Fereshteh, então uma adolescente.

Reza Montazami e sua esposa lideram uma comunidade independente em Mashhad, uma das duas únicas remanescentes congregações cristãs protestantes que se conhece na cidade desde a Revolução Islâmica Iraniana, em 1976.

As duas igrejas foram fechadas pelo governo nos anos 80. Em dezembro de 1990, o governo executou um pastor de Mashhad - o reverendo Hussein Soodmand - um ex-muçulmano que havia se tornado cristão há 24 anos.  Ele se recusou a negar a fé depois de quatro meses de extrema tortura física e psicológica na prisão.

Desde então, outros convertidos em Mashhad que continuaram seus cultos em suas casas têm sido presos, ameaçados, fichados por abandono de fé e até despejados de seus lares pelas autoridades. Muitas dessas famílias cristãs estão fugindo do país na tentativa de garantir asilo no exterior.

Centro do ativismo xiita, Mashhad é uma cidade considerada sagrada para os iranianos que reúne milhares de peregrinos que visitam o santuário do século IX do Imame Ali Reza.


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