Sacerdote caldeu seqüestrado é solto do cativeiro

| 14/09/2006 - 00:00


Um bispo caldeu, feito refém há quase um mês, foi solto por seus seqüestradores em Bagdá, na noite se segunda-feira (11 de setembro).

Saad Sirop confirmou sua libertação "milagrosa" à agência de notícias Compass, em uma conversa telefônica no dia 13 de setembro.

Depois de ser abandonado por seus seqüestradores em uma rua escura da cidade, por volta das 20 horas da segunda-feira, o bispo telefonou ao seu irmão, pedindo para ele ir buscá-lo.

O sacerdote, de 34 anos, disse não saber onde ficou escondido durante seu cativeiro de 28 dias, pois ele estava vendado. Embora Saad houvesse confirmado que estava bem, ele admitiu que a experiência foi "um pouco difícil" para ele. Mas Saad se recusou a dar mais detalhes por "razões de segurança".

"Continuo assustado com tudo isso. Mas acho que, no fim, Deus fez o que Ele queria."

Salmo 23

O padre disse que ele nunca deixou de acreditar que seria resgatado.

"Sempre recitava o Salmo 23: O Senhor é o meu pastor, nada me faltará. Estava certo de que Deus iria me resgatar, e que Ele estaria comigo."

Com a voz embargada, Saad Sirop continuou a falar, agradecendo a todos que oraram por ele durante seu seqüestro. "Realmente,orações me deram uma grande força para superar a situação, até Deus vir me resgatar", ele disse.

O bispo caldeu foi seqüestrado na noite de 15 de agosto, enquanto voltava para casa.

Depois que seu rapto foi confirmado pelo patriarca caldeu Emmanuel Delly, o papa pediu publicamente a sua libertação, em 19 de agosto.

Os raptores de Saad por fim entraram em contato com o patriarca Emmanuel no dia 22 de agosto, exigindo 800 mil dólares em troca da libertação do padre.

"O patriarca lhes disse que não tinha esse dinheiro, ele não podia pagar", o arcebispo caldeu de Kirkuk, Louis Sako, disse ao Compass. "Se começarmos a dar o dinheiro da igreja, eles vão seqüestrar um padre por dia."

Mas outras fontes, da igreja, confirmaram que o patriarca caldeu entregou uma quantia menor aos seqüestradores de Saad no dia 25 de agosto.

Depois de tensos dias de silêncio, o patriarca Emmanuel disse à agência de notícias Serviço Internacional Missionário, no dia 2 de setembro, que havia falado ao telefone com Saad em 26 de agosto. Os seqüestradores prometeram, durante o telefonema, libertar o padre imediatamente.

Quando Saad não apareceu de volta, o monsenhor Philip Najim fez outro apelo, na semana passada, em nome do patriarca caldeu, pedindo a libertação de Saad. O apelo foi veiculado no canal árabe de televisão Al-Jazeera.

Nenhuma explicação foi dada para a libertação do padre, há dois dias.

Negócio próspero

O padre confirmou que ele se preparava para viajar à Roma neste mês, a fim de continuar seu doutorado em filosofia e teologia. Ele dirige o Departamento Teológico da Faculdade Babel da Igreja Católica em Bagdá.

Em outro seqüestro ocorrido em Bagdá no começo de agosto, o padre Raad Washan foi capturado por caçadores de resgate, e aprisionado por três dias, até que conseguiu escapar. Esse padre caldeu sofreu queimaduras de cigarro e foi amordaçado e espancado, conforme uma reportagem feita pela Fundação Ajuda à Igreja Necessitada.

Os católicos caldeus são um ramo da Igreja no oriente, e estão em comunhão com Roma. Eles são a maior comunidade cristã no Iraque.

Seqüestro se tornou um negócio próspero no Iraque, onde entre 30 e 40 iraquianos foram seqüestrados semanalmente no outono passado, segundo uma pesquisa feita em agosto pelo Instituto Brookings, de Washington, D.C. Um militar norte-americano, entrevistado pela agência de notícias AFP, estima que o valor médio dos resgates pedidos é de 30 mil dólares.


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