Políticos radicais islâmicos são acusados de blasfêmia

| 30/08/2006 - 00:00


Ashfaq Chaudhry, chefe da filial de Islamabad do Movimento do Povo Paquistanês, acusou os membros do Muttahida Majlis-e-Amal (MMA, uma aliança política de seis organizações radicais islâmicas), incluindo o líder da oposição, Maulana Fazlur Rehman, de blasfêmia.

Na semana passada, parlamentares do MMA rasgaram cópias do projeto da Lei de Proteção à Mulher que continha versos do Alcorão. Ashfaq Chaudhry também acusou o presidente do MMA Qazi Hussain Ahmed, e o deputado e secretário-geral da aliança partidária Hafiz Hussain Ahmed.

Para Chaudrhry, as atitudes foram ofensivas a todos os muçulmanos paquistaneses e os acusados deveriam ser processados sob a lei de blasfêmia e receber punição exemplar. A vergonhosa lei de blasfêmia refere-se à seção 295-b do Código Penal do Paquistão que prevê prisão perpétua por profanação do Alcorão.

Qazi Hussain Ahmad reagiu imediatamente, rejeitando as acusações. O presidente da MMA confirmou a ação de protesto contra a Lei de Proteção à Mulher, mas insistiu que o projeto de lei não continha qualquer verso do Alcorão.

Uso e abuso da lei

Para Peter Jacob, secretário da Comissão Nacional para Justiça e Paz (uma agência cristã), esse episódio é apenas um outro exemplo de como a religião é usada e abusada por motivos pessoais.

"Este é um grave incidente, uma vez que aconteceu na mais alta assembléia do país", disse Peter Jacob. "E é a segunda vez que o governo usa essa lei de modo abusivo. A primeira vez envolveu o primeiro-ministro Nawaz Sharif, quando alguns legisladores de oposição foram acusados de blasfêmia porque fizeram alguns comentários sobre a sharia".

Os abusos no que prevê a lei sobre blasfêmia e religião têm aumentado de modo progressivo, observou o ativista.

No passado, houve outros incidentes como o que envolveu Slamat Masih, que foi acusado de blasfêmia por escrever nos muros de uma mesquita, apesar de ser analfabeto; ou o de Yousaf Masih, um varredor de rua cristão, também analfabeto, que foi igualmente acusado de destruir textos sagrados ao cumprir a ordem de queimar um monte de lixo e papéis.

A Comissão Nacional para Justiça e Paz realmente quer ver os legisladores da MMA julgados de acordo com a lei, mas "não com base na lei de blasfêmia, que precisa ser abolida".

Em contrapartida, o Muttaheda Qaumi Movemente (MQM) insiste que o MMA profanou o Alcorão, a Hadith e a Sunna (escritos islâmicos com lendas e histórias sobre a vida de Maomé), além de macular a reputação do Paquistão. Por essa razão, a entidade anunciou que irá encaminhar uma petição contra o MMA junto à Suprema Corte.


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