Projeto proíbe não-hindus de exercer sua religião em Tirupati

| 27/08/2006 - 00:00


O governo do Estado de Andhra Pradesh, sul da Índia, está tentando, através de uma lei, proibir não-hindus de orar nas imediações da vila de Tirupati, que abriga o templo de mesmo nome. As autoridades estão se curvando à pressão dos grupos extremistas hindus que são contrárias à presença de missionários cristãos.

A área já testemunhou violência contra irmãs de Madre Teresae, falando à agência AsiaNews, o bispo local reiterou sua condenação às políticas agressivas do partido Bharatia Janata (BJP).

A notícia foi publicada no "The Hinduistan Times", de 21 de agosto. O jornal afirmou que a decisão das autoridades locais de banir outras religiões que não o hinduísmo se deu após demonstrações de fundamentalistas hindus que "expressaram ressentimentos para com os missionários que pregam o cristianismo nas proximidades do templo".

O "Hinduistan" citou declaração do ministro da Previdência J. C. Diwakar Reddy afirmando que um projeto de lei estava sendo debatido em nível local. Se aprovada, a lei pode determinar prisão e multa de 2 mil rúpias (43 dólares). O ministro-chefe de Andhra Pradesh Y.S.R. Reddy disse: "Tentativas de conversão em Tirupati poderiam levar a prisão de dois anos".

"Instrumento de opressão"

O BJP, que tem orientação nacionalista-fundamentalista, está atualmente na oposição no país. O partido acusa os cristãos de converter os hindus dentro dos limites do templo. Em 25 de junho, um grupo de cerca de 50 extremistas atacou e aprisionou quatro freiras da ordem Missionárias da Caridade enquanto elas faziam sua visita semanal - autorizada pelo governo - ao hospital da cidade, onde elas davam assistência a pacientes com AIDS. De acordo com os extremistas, as irmãs estavam fazendo proselitismo.

Porém, a pressão exercida pelos fundamentalistas vai além. O semanário "The Organiser", ligado à organização extremista hindu RSS (Rashtriya Swayamsevak Sangh), afirmou que as organizações hindus tinha oficialmente pedido ao governo local para demitir todos os funcionários não-hindus da administração de Tirupati. A motivo: "Liberdade de religião como determina a Constituição significa propagar a religião de alguém entre a própria comunidade religiosa dessa pessoa e não entre pessoas de outras religiões em seus locais de culto".

O arcebispo de Hyderabad, Marampudi Joji, opôs-se a essas acusações afirmando que todas as comunidades, incluindo os cristãos, "têm o direito sagrado de praticar e difundir sua religião, sempre junto ao também sagrado dever de respeitar os outros e sua liberdade religiosa".

Falando ao AsiaNews, o arcebispo advertiu: "Se uma lei for decretada, nos oporemos a ela como cristãos e cidadãos cumpridores de seus deveres, e defenderemos os direitos que nos são garantidos pela Constituição". Marampudi Joji fez referência à mão dos grupos nacionalistas extremistas pos trás dos ataques contra as freiras e acrescentou: "Essas normas poderiam se tornar um instrumento de opressão contra certos grupos de cidadãos".

O presidente da União Católica da Índia, John Dayal, também expressou preocupação e, em uma carta ao presidente da Comissão Nacional de Minorias, exigiu uma investigação do governo para apurar as intenções das autoridades de Andhra Pradesh.


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