Escreva para Abe, o evangelista indonésio acusado de difamação

| 09/08/2006 - 00:00


Abraão "Abe" Bentar, 55 anos, não tem outra escolha, a não ser adaptar-se à vida atrás das grades. Sentenciado por um tribunal local a quatro anos e meio de cadeia, esse evangelista passa seus dias na prisão de Tasikmalaya, em Java Ocidental.

Embora se recupere paulatinamente do derrame que afetou seu braço direito, Abraão ainda sofre de hipertensão arterial e diabetes. Ele passa bem por causa dos remédios e da comida que sua esposa e uma igreja levam.

O evangelista, entretanto, enfrenta o desânimo e o medo. Quando a Portas Abertas o visitou, levou um tempo até que ele nos reconhecesse e aceitasse se reunir conosco. Ele mencionou que "visitantes" indesejados sempre o atormentam.

"Já fui maltratado muitas vezes e perdi seis dentes por causa disso", Abe explicou. Entre os seus agressores estavam visitantes muçulmanos que tentaram reconvertê-lo à sua antiga religião, o islamismo.

"Deus" em vez de "Jesus Cristo"

Em uma prisão com quase 400 detentos, Abe divide sua cela com quatro pessoas. Ele não encontra dificuldade em ter um tempo para si e para cultuar a Deus. "Todos os dias, eu me levanto às 3 horas da madrugada para orar e cantar. Eu paro às 4 horas para dar aos meus companheiros de cela uma chance para fazerem seus pedidos", ele explica.

Ele tem liberdade para se reunir com outros quatro prisioneiros cristãos aos domingos. Embora possa pregar, Abe está proibido de mencionar "Jesus Cristo". Ele afirma que, em vez disso, ele tem de dizer "Deus".

Os outros prisioneiros podem ouvir as canções que os cristãos cantam. Eles parecem gostar da melodia, disse Abe, embora não entendam de fato do que as músicas falam.

As outras atividades de Abe incluem a prática de esportes e a confecção de capachos. Ele diz: " é muito difícil para mim. Eu era uma pessoa respeitada quando estava livre. Mas, agora, tenho que lidar com esse tipo de trabalho doméstico".

Abe desfruta de um bom relacionamento com os carcereiros. Entretanto, ele suspeita que será transferido para uma prisão em Java Central porque ele pode ser maltratado pelos novos carcereiros. Por outro lado, essa transferência irá levá-lo para mais perto de sua esposa Waty, 36 anos, e de sua filha Rinda, 14 anos.

É difícil para um pai como Abe aceitar sua atual circunstância. Mas, ele percebeu que "isso não é nada comparado ao que Paulo e o próprio Jesus Cristo sofreram". Apesar dos desafios em se ajustar à vida atrás das grades, ele é capaz de perdoar os que o perseguem.

Forçado a confessar

Abe foi acusado de difamar o islamismo e o profeta Maomé. Na segunda audiência, em 31 de maio, os juizes o consideraram culpado e o sentenciaram. Foi durante essa audiência que Abe, por intermédio de seu advogado, confessou as acusações.

No dia anterior à audiência, vários radicais muçulmanos foram vê-lo na prisão. Eles o interrogaram, dizendo: "Diga, o que você ganhou por ser um cristão?" Abe replicou: "Jesus Cristo tem me abençoado abundantemente".

Um golpe foi desferido contra a cabeça dele. Quando lhe pediram para recitar a shahadat (a declaração de fé islâmica), Abe se recusou. Ele recebeu outro golpe.

Se não fosse pelas ameaças colocando em risco diversas igrejas em seu distrito, Abe teria permanecido com sua alegação de inocência.

"Mas não sou culpado como declarado. Fui forçado a confessar que era, sob grande pressão. Até agora, não consigo parar de pensar no que fiz. Outros cristãos acham que eu mereço ser preso."

Enquanto isso, a Portas Abertas auxilia a família de Abe, pagando  aluguel de sua casa em Java Central por mais dois anos.

Ore para que Deus continue sustentado e fortalecendo essa família na fé em Jesus Cristo.


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