Primeiro-ministro malaio quer o fim dos debates inter-religiosos

| 27/07/2006 - 00:00


O primeiro-ministro da Malásia, Datuk Seri Abdullah Ahmad Badawi, exigiu o fim das discussões sobre questões inter-religiosas porque elas estão causando tensões na sociedade de múltiplos credos. A exigência aconteceu apenas dois dias depois que o próprio primeiro-ministro, durante uma visita à Indonésia, elogiou a tolerância religiosa da Malásia e a proteção dada às minorias contra a discriminação.

Badawi posicionou-se contra o Artigo 11, uma organização que abriga múltiplas crenças e inclui 13 ONGs. O grupo organizou fóruns em defesa da supremacia da Constituição federal contra a sorrateira islamização. O primeiro-ministro exigiu o fim imediato dessas atividades porque elas "causam tensões em nossa sociedade, onde convivem diferentes crenças".

Ele disse que o Conselho Supremo da Organização Nacional Malaios Unidos (UMNO, sigla em inglês), o partido que governa a Malásia, estava preocupado com as questões levantadas pelo Artigo 11, como as conversões ao islã e os problemas que isso cria para as famílias não-muçulmanas.

Há algum tempo o UMNO tem seguido políticas criadas para proteger as prerrogativas do islã e a maioria malaia.

Discriminação

O premiê Datuk Badawi, que é o presidente do partido, disse que "se as discussões não forem controladas ou encerradas elas aumentariam a crescente tensão na nossa sociedade multi-religiosa. As questões religiosas são ainda mais delicadas que as questões étnicas". Por essa razão ele disse que o governo está encorajando todos os partidos para que coloquem um fim às discussões sobre a formação de uma comissão inter-religiosa (IFC).

Não está claro, entretanto, como o fim das discussões inter-religiosas pode contribuir com o que o próprio primeiro-ministro defendeu quando se dirigiu aos estudantes da Universidade Estadual Islâmica de Jacarta, isto é, a necessidade de que países muçulmanos que querem se modernizar "sejam justos e atenciosos para com todos, sem distinção de raça ou de religião".

Em seu pronunciamento ele disse que em seu país "não há motivo para temer qualquer discriminação ou perseguição por causa da religião, porque a Constituição da Malásia garante a liberdade de culto".

De fato, o Artigo 11 da Constituição garante liberdade de religião, mas muitos malaios que não são muçulmanos sunitas ou malaios étnicos reclamam da discriminação que sofrem por parte da maioria no dia-a-dia.

Em um país de 25 milhões de pessoas, os muçulmanos constituem metade de população; a outra metade é formada por cristãos, hindus, budistas e seguidores de seitas tradicionais como o xamanismo.


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