Pastor nigeriano perdoa extremistas que incendiaram igreja

| 17/07/2006 - 00:00


Um pastor nigeriano, que teve sua igreja incendiada por rebeldes, descreveu como um garoto muçulmano o salvou de uma multidão furiosa. A família do pastor Augustine Aifuobhokhan estava sendo ameaçada de assassinato e o pastor acredita que os ativistas muçulmanos declararam uma guerra religiosa contra os cristãos na região. Apesar disso, ele declarou que os perdoa.

A igreja Capela da Maravilhosa Graça, em Maiduguri, foi uma das 56 igrejas destruídas pelos ativistas muçulmanos durante a última onda de ataques contra cristãos.

Durante os protestos violentos contra as charges do profeta Maomé, o grupo Liberdade Internacional (RI, sigla em inglês) disse que 50 cristãos foram mortos, entre os quais 18 foram queimados.

O RI conta: "Uma multidão empilhou várias cadeiras até o teto da igreja Maravilhosa Graça, e então derramaram gasolina nelas e incendiaram as toalhas do altar". Foi assim que o pastor Augustine, enquanto procurava um caminho entre os escombros, descreveu os eventos daquele dia, 18 de fevereiro de 2006.

O pastor disse: "Igrejas foram queimadas e lares cristãos foram alvo de ataques. Em algumas casas, os muçulmanos foram removidos e os cristãos foram espancados e queimados. Não temos dúvidas de que isso é realmente uma guerra contra os cristãos".

Uma equipe do IR foi à Maiduguri e encontrou claras evidências de que os ataques aos cristãos foram altamente organizados, com ativistas espalhados por locais ao redor da cidade e instruídos, via celular, sobre quais igrejas deveriam destruir e quais casas deveriam ser alvos de seus ataques.

O pastor descreveu sua dura experiência: "Quando eles me encontraram estavam com facões e outras armas perigosas. Eu perguntei a eles: Por que vocês querem me matar? Nós moramos juntos aqui por mais de 18 anos. Então o líder deles veio até mim, com seu facão em punho, para me atacar. Mas quando ele chegou na minha frente, o Deus Todo Poderoso interveio e baixou as mãos dele".

Em vez de assassinar o pastor, o grupo simplesmente pediu dinheiro e o deixou rapidamente. Entretanto, mais tarde outro grupo voltou, e depois outros dois grupos. Todas as vezes o pastor Augustine os confrontou e eles o deixaram.

Porém, no quarto ataque, um jovem correu em meio a multidão e implorou pela vida do pastor. Ele gritou para a multidão: "Se vocês querem matá-lo, então terão que me matar primeiro". Sua esposa, Ruth, descreveu o momento: "Esse jovem garoto permaneceu entre meu marido e a multidão. Ele estava implorando para que meu marido não fosse morto, para que poupassem sua vida, pois era seu amigo". Isso chocou todos ali, naquele momento, pois o menino era muçulmano.

Os agressores foram realmente traumatizantes para os quatro filhos do pastor, que têm entre dez e 16 anos. O pastor conta que seus filhos "choraram até não poder mais". Um deles estava vomitando, e a filha mais nova do casal teve que ser levada quase que diariamente ao hospital,durante duas semanas.
O chefe executivo do grupo RI, Andy Dipper, disse: "Está muito claro que hoje existem pessoas na Nigéria que querem destruir os cristãos e eliminar o cristianismo de sua terra. Isso é muito triste, pois os cristãos simplesmente querem conviver com pessoas de outra fé e de diferentes crenças".

O pastor Augustine confessou que foi difícil perdoar aqueles que destruíram sua igreja e ameaçaram matar sua família. "No começo, senti raiva e amargura, porque depois de 18 anos, a igreja era a coroa do meu trabalho. Mas, depois de um tempo, eu orei para que Deus os perdoasse."

O pastor ainda disse: "Ele podem ter destruído o prédio, mas nós somos a igreja e não podemos ser destruídos. Nós oramos por aqueles que nos perseguem".

Falando sobre a situação que sua congregação e ele enfrentam agora, Augustine diz que o maior dilema é: "O que iremos fazer?".


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