China afirma que cidadãos têm "plena e ampla liberdade religiosa

| 28/06/2006 - 00:00


Autoridades chinesas expressaram "forte desagrado" com a resolução aprovada pelo parlamento norte-americano, em 12 de junho, de condenar a crescente perseguição de religiosos na China.

O porta-voz do Ministério do Exterior, Jiang Yu, disse que a resolução se baseou em "acusações sem fundamento", segundo reportagem da agência de notícias Associated Press de 13 de junho. Jiang Yu também disse que os cidadãos chineses desfrutam de "plena e ampla liberdade religiosa, como determina a lei".

A resolução contra a "crescente perseguição" foi tomada depois que o presidente George W. Bush convidou à Casa Branca três membros de uma rede de igrejas domésticas na China: o escritor Yu Jie, o professor de direito Wang Yi e o acadêmico Li Biaguang.

Desejo de mudança

Durante o encontro com o presidente Bush, Yu Jie disse que os cristãos chineses - particularmente os ativistas cristãos - querem promover uma mudança "através do amor e da justiça de Deus e por meios não-violentos", segundo reportagem do "Washington Post".

Yu Jie freqüenta a Igreja da Arca, uma igreja doméstica protestante não-registrada, que se reúne em um apartamento alugado em Pequim.

O governo chinês exige que todas as igrejas protestantes se registrem junto ao governo. Por causa do estrito controle e da adaptação da teologia para tornar-se "compatível com o socialismo", muitos cristãos preferem se reunir em um expressivo número de igrejas domésticas clandestinas.

A Igreja da Arca originou-se de um pequeno grupo doméstico de estudos bíblicos liderado por Yu Jie e sua esposa Liu Min. A polícia invadiu a igreja em 15 de janeiro, e, desde então, a igreja teve que transferir os locais de reuniões seis vezes para escapar da importunação.

Quando Yu Jie foi convidado a visitar a Casa Branca, a polícia secreta de Pequim intimou Liu Min em seu escritório, no centro da cidade.

"Eles exigiram que eu fosse imediatamente ao primeiro andar", contou Liu Min.

Ela encontrou dois homens e uma mulher em uma lanchonete. "Eles me disseram para parar de freqüentar a Igreja da Arca, achando que se eu deixasse de ir os outros iriam se dispersar", disse.

Quando ela respondeu que não poderia obedecer à ordem, a polícia afirmou que espalharia boatos para prejudicar a reputação de seu marido. Eles também a aconselharam a se divorciar de Yu Jie.

"Eu lhes disse que eles podiam fazer o que quisessem, mas que eu conhecia e confiava em meu marido", contou Liu Min.

Um mês para pensar

Em resposta, os policiais disseram que iriam dar a ela um mês para pensar sobre isso e que eles retornariam na próxima vez que Yu Jie deixasse o país.

Quando Yu Jie e o professor Wang Yi retornaram a Pequim, uma multidão de jornalistas e a polícia secreta o receberam no aeroporto. Yu Jie pode enfrentar dificuldades para viajar no futuro. No começo de maio, funcionários da alfângeda detiveram o advogado cristão Fan Yafeng quando ele tentava se juntar a Yu Jie para o encontro com o presidente Bush.

Fan Yafeng presta serviço para a Associação de Advogados Cristãos Chineses, que oferece ajuda legal para os cristãos de igrejas domésticas que são perseguidos por causa da fé.

Tanto Fan Yafeng quanto Li Baiguang freqüentam a Igreja da Arca; os dois trabalharam juntos em alguns casos de perseguição, incluindo o do pastor Cai Zhuohua - condenado por "práticas comerciais ilegais" depois que um depósito cheio de materiais cristãos foi descoberto e desapropriado em setembro de 2004.

Pequim e o Vaticano

Duas outras resoluções foram aprovadas em 12 de junho. Uma censurou a China por ordenar bispos católicos sem a aprovação do papa Bento XVI, e a outra defendeu a memória das demonstrações pró-democracia da Praça da Paz Celestial, em 1989.

A Associação Patriótica Católica (CPA, sigla em inglês), que é aprovada pelo governo chinês, ordenou Joseph Ma Yinglin e Joseph liu Xinhong como bispos, apesar da falta de autorização do Vaticano.

O papa imediatamente ordenou que todos aqueles que tomaram parte na ordenação fossem excomungados.

O governo comunista da China rompeu os laços diplomáticos com o Vaticano quando chegou ao poder em 1949. O governo mantém controle rígido da CPA e todas as igrejas filiadas.

Existe também uma igreja católica não-registrada, ou clandestina, que rejeita as ordenações da CPA e permanece fiel ao Vaticano.

Preocupação específica

A Associação de Ajuda à China (CAA, sigla em inglês), um grupo norte-americano que monitora a opressão religiosa, divulgou um relatório em 26 de junho afirmando que as autoridades chinesas prenderam pelo menos 1.958 cristãos nos últimos doze meses.

Alguns comentaristas dizem que as prisões são uma exceção em um país onde milhões de pessoas exercem sua religião livremente, sem penalidades. O relatório da CAA indicou que havia detenções não declaradas em metade das províncias da China.

Os cristãos chineses nos centros urbanos dizem que o principal é manter a discrição e evitar provocações ou embaraços com oficiais locais. Em áreas rurais, entretanto, as autoridades são muito mais propensas a atacar a invadir cultos em igrejas domésticas, agredir pastores e interrogar membros de igrejas.

Depois de uma viagem à China, em agosto de 2005, a Comissão Internacional de Liberdade Religiosa dos Estados Unidos (USCIRF) relatou que o governo chinês continuava a violar sistematicamente o direito à "liberdade de pensamento, consciência e religião ou fé", contrariando a Constituição do país e os acordos internacionais de direitos humanos assinados pela China.

O Departamento de Estado norte-americano designou a China como um "país de preocupação específica" (CPC) em 2005. Em 3 de maio último, quando a USCIRF anunciou sua recomendação ao Departamento de Estado para a formação da lista 2006 de CPC, a China permaneceu entre os 11 países listados.


Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Instagram

© 2021 Todos os direitos reservados

INÍCIO
LISTA MUNDIAL
DOE