Exército birmanês continua a atacar minoria étnica karen

| 07/06/2006 - 00:00


O Exército de Mianmar continua seus ataques no Estado de Karen. Muitos cristãos do país pertencem a essa etnia. Esses foram os maiores ataques desde 1997. Segundo as testemunhas, houve mais assassinatos, vilas queimadas, cidadãos presos (incluindo crianças) e a aplicação de trabalho forçado.

Conforme o último relatório dos Guardiões de um Mianmar Livre - uma equipe de apoio que trabalha no leste do país - o número de desabrigados no Estado de Karen chegou a 18 mil. Em uma área, mais de 800 pessoas foram capturadas e forçadas a trabalhar como carregadores para o exército, com mais outros mil prisioneiros.

No último ataque relatado, um batalhão do exército atacou e queimou a vila Ger Baw Kee , no distrito Muthraw (noroeste do país) no dia 2 de junho. No dia anterior, as vilas de Naw Yo Hta and Kay Pu foram atacadas pela terceira vez com morteiros pelos batalhões do exército. Os carregadores fugitivos disseram que o Exército de Mianmar planeja expandir as operações, atacando outros distritos. O exército já está movimentando, pelo menos, duas divisões para as áreas-alvo.

O grupo Christian Solidarity Worldwide (CSW) afirma que continuam os ataques deliberados contra cidadãos desarmados. Os aldeões foram baleados à queima-roupa, e diversos corpos encontrados estavam mutilados e decapitados. Além disso, os Guardiões dizem que, desde o dia 13 de maio, um batalhão especial do exército tem tentado capturar crianças karens enquanto iam à escola em áreas controladas pelo exército, mas cujos pais vivem nas colinas de Toungoo.

A CSW diz que, nos ataques ao distrito de Muthraw no dia 20 de maio, um garoto de 17 anos foi morto e outro foi ferido quando as forças armadas abriram fogo contra os aldeões que estavam em uma fazenda. No distrito de Nyaunglebin, uma mina de solo do exército matou uma mulher karen que estava grávida de cinco meses.

Atenção da comunidade internacional

A crise em Mianmar tem atraído a atenção da comunidade internacional, segundo a CSW. No dia 31 de maio, a secretária de Relações Exteriores britânico, condenou a decisão do governo birmanês de aumentar a prisão domiciliar do vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Daw Aung San Suu Kyi. Os EUA também ficaram alarmados com a detenção de Daw e de outras figuras pró-democráticas. Os EUA foram além, anunciando que procurarão uma resolução do Conselho de Segurança da ONU contra Mianmar.

Os Guardiões são uma organização que fornece ajuda emergencial médica e de alimentos para as pessoas desabrigadas. Eles também documentam e relatam violações contra os direitos humanos. Para mais informações, visite o site: www.freeburmarangers.org

Um grupo de parlamentares britânicos escolheram um Dia Antecipado de Propostas (EDM, sigla em inglês), condenando as rudes violações contra os direitos humanos e exigindo que o governo britânico providencie a ajuda humanitária necessária para aqueles que fogem dos ataques. A proposta já conta com 81 adeptos.

A diretora de advocacia da CSW, Tina Lambert, diz: "É difícil imaginar a brutalidade indiscriminada dessas atrocidades Enquanto estamos contentes em ver os EUA pressionando Mianmar através do Conselho de Segurança da ONU, exigimos que o restante da comunidade internacional siga o exemplo e procure um fim a esses ataques, através do apoio a uma resolução clara".

CSW é uma organização de direitos humanos especializada em liberdade religiosa. Ela trabalha em favor daqueles perseguidos por sua fé cristã, e promove também liberdade religiosa a todos.


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