Família é expulsa de suas terras por se converter ao cristianismo

| 29/05/2006 - 00:00


Animistas que cultuam a natureza, moradores de uma vila no Estado de Jharkhand, humilharam e expulsaram do local uma família que se tornou cristã.

Em 21 de maio, Santosh Karmali, 42, foi forçado a assinar um acordo com os seguidores da religião "sarna", em Dubalia, distrito de Ranchi, abrindo mão das terras de sua família. "Sarna" é o nome genérico das religiões tribais animistas.

A esposa de Santosh, Shiva Devi, teve a cabeça raspada e lhe aplicaram cal no rosto. Os aldeões fizeram com que ela rodeasse a vila enquanto corriam atrás dela, do marido e dos filhos Amar, Vikram e Preetam, expulsando-os do local. Rompendo todos os laços familiares, o pai e a mãe de Santosh concordaram com milhares de aldeões e os ajudaram na expulsão.

A família foi banida da cidade para que "não poluam a atmosfera da vila nunca mais", disseram algumas fontes ao Compass. A "sarna samiti", um comitê sócio-religioso dos povos tribais em Jharkhand, se apropriou das terras que pertenciam a Santosh.

Sandeep Oraon, secretário-geral do grupo tribal de Dubalia, anunciou que seus fiéis iriam bater em todas as portas da vila para espalhar a acusação de que escolas e acampamentos médicos cristãos têm a única intenção de converter o povo tribal, disse uma fonte ao Compass.

Ranchi tem sido observada por ser o centro da igreja tribal no leste da Índia e tem sido alvo dos grupos hindus de direita.

O reverendo Babu Joseph, porta-voz da Conferência dos Bispos Católicos da Índia (CBCI), declarou ao Compass que o tratamento dado à família demonstrou total descaso com os direitos daqueles que querem exercer sua liberdade de consciência.

"Isso equivale a coerção social sobre um indivíduo que tem todo direito de escolher sua fé e praticá-la", ele disse.

A família pertencia à "sarna" que requer que seus fiéis adorem a natureza, como árvores e rios. Santosh e sua família tinham aceitado Cristo recentemente.

Evento de reconversão

O Comitê Central Sarna (CSC, sigla em inglês) exerce um rígido controle sobre os praticantes tribais da "sarna", vigiando a vida deles bem de perto. O CSC sustenta que Santosh e sua família foram "subornados" pelos missionários para aceitar o cristianismo.

Foi em um encontro do comitê, junto com o "panchayat" da vila (conselho civil local) de Dubalia, que Santosh foi forçado a assinar um acordo que o desapropriava de suas terras.

A religião "sarna" também ocasionou um tumulto nos subúrbios de Ranchi, capital de Jharkhand, em 25 de maio.

Em um evento que os líderes cristãos classificaram como um desacato às leis contra conversões forçadas do Estado, 24 cristãos "reconverteram-se" à "sarna" em uma cerimônia organizada pelo grupo animista "Sarna Sanatan Rakshak Samiti".

O partido político Vanvasi Kalyan Kendra apoiou o evento.

Poucos, mas barulhentos

Babu Joseph disse ao Compass que considerava irônico que aqueles que acusam os cristãos de práticas coercitivas estão fazendo exatamente isso, com completa impunidade.

"Isso diz muito de sua incongruência", ele afirma. "A fé religiosa não deve ser submetida aos caprichos de organizações políticas. Quando isso acontece, a religião começa a perder seu fundamento, e isso me deixa receoso quanto ao que está acontecendo no nosso país nas mãos de poucos, mas barulhentos grupos sócio-políticos, que alegam representar a vasta maioria dos indianos que amam a harmonia social."

Discursando durante o evento de reconversão, o ex-ministro do Meio Ambiente Dilip Singh Judeo disse: "Tenho encontrado muitos tribais convertidos. A maioria deles diz que tem sido seduzida pelo "glamour" ocidental e que quer voltar à fé original."

A União Católica Geral da Índia está analisando a possibilidade de tomar uma ação legal contra Judeo e os organizadores do evento por violação da lei estadual anticonversão.


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