Polícia invade reunião de igreja no Turcomenistão

| 11/05/2006 - 00:00


A polícia da capital invadiu a reunião de um grupo doméstico cristão no dia 3 de maio. Ela confiscou objetos pessoais e sujeitou o grupo a um interrogatório extenso.

Mais de 15 policiais entraram na reunião não-registrada feita por 13 membros da igreja Soygi (Amor), em Ashgabat, apenas algumas horas depois de autoridades dos EUA sugerirem que o Turcomenistão estivesse entre os piores violadores de liberdade religiosa do mundo.
 
Às 20 horas, os membros da polícia secreta, a "hyakimlik"(administração local), o gabinete de registro de estrangeiros, o Comitê de Assuntos Religiosos e as forças policiais comuns entraram na causa sem um mandado de busca e vasculharam as dependências. As autoridades recolheram Bíblias, textos de discipulado e vídeos, além de fotos pessoais e um notebook.
 
Os membros da igreja foram forçados a encenar sua reunião enquanto a polícia os filmava.
 
Os cristãos disseram que permaneceram calmos enquanto a polícia os interrogava, por quase duas horas e trinta minutos. "Todos nós louvamos o Senhor e agradecemos por todas as coisas que aconteceram", um dos membros da igreja disse.
 
Segundo um membro da igreja, que pediu para ficar em anonimato, uma mulher da liderança do grupo até pediu aos interrogadores para ajudar a igreja Soygi a se registrar. "Foi uma atitude muito corajosa", o membro da igreja disse.
 
Essa congregação turcomana acha que a polícia continuará a perturbá-los. Por isso ela pede aos cristãos de todo o mundo para que orem por ela: "Agora estamos sendo investigados. Precisamos desesperadamente de oração".
 
"Maior controle do Estado"

Ao realizarem reuniões não-registradas, os 35 cristãos que participam dos cultos dominicais da igreja Soygi estão tecnicamente quebrando a lei. Mas o registro no Turcomenistão pode ser extremamente difícil, e a interferência repressiva do governo geralmente enfraquece as atividades das comunidades religiosas registradas.
 
Felix Corley, editor da agência de notícias  Forum 18, é especialista em liberdade religiosa na Ásia Central. Ele disse ao Compass Direct que "as comunidades registradas têm dificuldade para alugar lugares para os cultos. Construir um novo templo é quase impossível". Segundo ele, há um controle severo do governo, que faz também relatórios financeiros. Isso faz com que seja quase impossível que a atividade registrada seja independente.
 
Na semana passada, a Comissão Internacional de Liberdade Religiosa dos EUA propôs que o Turcomenistão fosse acrescentado à lista de violadores da liberdade religiosa, feita pelo Departamento de Estado dos EUA.
A Comissão disse que o novo registro de grupos religiosos feito pelo Turcomenistão desde 2004 se tornou na verdade "um método mais expansivo para o Estado controlar as comunidades religiosas".
 
"Pai dos turcomanos"

O relatório anual da Comissão também notou que a "veneração" do presidente turcomano Saparmurat Niyazov, cada vez mais opressiva, se tornou efetivamente uma "religião imposta pelo Estado".
 
Saparmurat, que se chama de Turkmenbashi (pai dos turcomanos), anunciou há pouco tempo que todos que lessem três vezes sua obra espiritual, a "Ruhnama", iria automaticamente para o céu.
 
Por ocasião de sua independência da ex-União Soviética, em 1992, os muçulmanos sunitas, maioria da população do Turcomenistão, experimentaram uma era de tolerância religiosa, que viu centenas de turcomanos se converterem ao cristianismo.
 
Mas, em dezembro de 1996, o governo exigiu que todos os grupos religiosos se registrassem de novo. Apenas os muçulmanos e a tradicional Igreja Ortodoxa Russa receberam status legal. O novo requerimento exigia que o grupo religioso tivesse 500 membros para ser oficial.
 
Meses de espera

No fim da década de 1990, todos os cristãos estrangeiros suspeitos de atividade missionária foram deportados ou não tiveram sua licença de residência renovada. Realizar reuniões religiosas não-registradas foi considerado um delito criminal. Até os grupos muçulmanos registrados foram levados ao estrito controle do governo.
 
Quando o governo facilitou os requerimentos para o registro em março de 2004, nove minorias religiosas, incluindo sete igrejas protestantes evangélicas, foram registradas.
 
Mas as comunidades religiosas e as organizações de direitos humanos do Turcomenistão não se impressionaram com as grandes mudanças superficiais da lei.
 
A Igreja da Grande Graça, em Ashgabat, esperou nove meses para que seu registro fosse aprovado. Até agora, mesmo sendo reconhecida legalmente, a igreja não tem lugar nenhum para se reunir.
 
De acordo com um relatório feito pelo Forum 18, a igreja começou seus cultos em um salão público alugado, em novembro de 2005, mas ela foi impedida por um funcionário do Comitê de Assuntos Religiosos da cidade.
 
Em um debate aberto feito entre as igrejas registradas e representantes do governo em outubro de 2005, autoridades turcomanas deixaram claro que as igrejas não podem se reunir em edifícios estatais, casas e distritos comerciais e residenciais.


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