Liberdade religiosa em xeque

| 06/05/2006 - 00:00


O presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz (CPJP) alertou para a violação do direito à liberdade religiosa em países democráticos e liberais. O cardeal Renato Martino manifestou a sua preocupação no discurso "Religião no espaço público: liberdade religiosa na nova Europa", pronunciado na Academia Diplomática de Viena.

Concluindo o itinerário que o fez passar pela Croácia, Hungria e Áustria para apresentar o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, o cardeal Martino afirmou que a neutralidade ideológica do Estado de Direito não se deve confundir com sua suposta neutralidade ética, sob o risco do predomínio dos mais fortes sobre os fracos e dos interesses particulares sobre o bem comum.

Segundo o comunicado enviado pelo CPJP à agência Zenit, o cardeal italiano denunciou que "também nos países democráticos e liberais o direito à liberdade religiosa nem é sempre respeitado na substância".

"A liberdade de religião é a garantia primária para que os direitos humanos não sejam colocados sobre a areia da convenção, mas sobre a rocha do fundamento transcendente", afirmou.

Para o presidente do CPJP, o respeito, por parte do Estado, do direito à liberdade de religião é um sinal de respeito pelos outros direitos fundamentais, dado que se trata de um reconhecimento implícito da existência "de uma ordem que supera a dimensão política da existência".

O cardeal italiano rejeitou ainda uma concepção da laicidade que exclui a religião da vida pública, relegando-a para o âmbito puramente privado. "Um regime político autenticamente laico - apontou - aceita que os cristãos atuem enquanto tal na sociedade, sem se camuflarem".

Sérias preocupações

Também a Comissão norte-americana sobre a liberdade religiosa no mundo manifestou ontem sérias preocupações sobre a violação a este direito fundamental, especialmente no Paquistão, Uzbequistão e Turcomenistão.

A Comissão, cujos membros são nomeados pelo congresso e pelo presidente norte-americanos, pede igualmente que a China, Irã, Myanmar (antiga Birmânia), Coréia do Norte, Vietnam, Eritréia, Sudão e Arábia Saudita continuem na "lista negra" elaborada pelo Departamento de Estado e atualizada em novembro de 2005.

Chama-se ainda a atenção do governo para a situação no Iraque e no Afeganistão, onde "o direito universal da liberdade de culto está em perigo".


Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Instagram

© 2021 Todos os direitos reservados

INÍCIO
LISTA MUNDIAL
DOE