Mobilização inédita tenta impedir execução na Coréia do Norte

| 28/04/2006 - 00:00


Em um movimento inédito, ativistas e familiares de Son Jong Nam apelam à comunidade internacional para que ela intervenha e impeça a execução do famoso norte-coreano.

Conforme a divulgação da imprensa, a Solidariedade Cristã Mundial (CSW, sigla em inglês) participou juntamente com várias agências da manifestação, do lado de fora do complexo governamental na Coréia do Sul, a fim de exigir esforços para libertar Son Jong Nam, que foi condenado à execução pública.

O apelo começou depois que o irmão de Jong Nam, Son Jong Hoon, recebeu a informação de um parente. Ele contou: Meu irmão foi condenado à execução pública e nem mesmo os membros da família podem visitá-lo.

A CSW afirma que esta é a primeira vez que um apelo desse tipo é feito na tentativa de evitar a realização da execução de uma pessoa conhecida no país. Em 4 de abril, cinco organizações de desertores norte-coreanos que trabalham para os direitos humanos na Coréia do Norte emitiram uma declaração em comum para que haja uma intervenção que detenha a execução planejada. Agora eles ampliaram suas atividades solicitando que a comunidade internacional também intervenha no caso.

A declaração conjunta das agências informa que o senhor Jong Nam, de 48 anos, está preso no porão da Agência de Segurança Nacional em Pyongyang e está em péssimo estado em decorrência de horríveis torturas.

A CSW informa que o senhor Jong Nam é acusado de trair seu país e compartilhar informações com os sul-coreanos.

Clamor pela vida

Acredita-se que as acusações se devem à visita que Jong Nam fez à China, onde encontrou-se com seu irmão e falou sobre a vida na Coréia do Norte e, possivelmente, da sua relação com o cristianismo. Ele também recebeu assistência financeira de seu irmão para a sua própria sobrevivência, declara a CSW.

Em uma entrevista coletiva divulgada pelo jornal "The Daily NK", seu irmão, Son Jong Hoon, de 43 anos, declarou: Na China, eu conversei com ele somente sobre como meus irmãos estavam e o que os norte-coreanos acham do regime de Kim Jong Il. Ele não deveria ser executado pelo crime de traição ou espionagem. Sua execução deve ser impedida.

A CSW diz que Jong Nam desertou da Coréia do Norte em 1997, juntamente com sua esposa, filho e irmão. Ele freqüentou a Igreja na China e se tornou cristão - um crime sério na Coréia do Norte. Em 2002, enquanto seu irmão conseguiu chegar à Coréia do Sul, Son Jong Nam foi repatriado em abril de 2001 e preso por três anos no campo de prisão de Ham-Gyung-Buk. Ele foi posto em liberdade condicional em maio de 2004, depois da intervenção de contatos influentes. Mais tarde, foi expulso para Chongjin, onde trabalhou em um instituto de pesquisa de mísseis.

As informações da CSW continuam: Em maio de 2004, o Jong Nam encontrou-se com seu irmão na China e retornou para a Coréia do Norte. Contudo, um indivíduo em Musan, que o ajudou a viajar para a China, informou à Agência de Segurança Nacional de Musan sobre ele. O Escritório de Segurança Nacional em Musan solicitou aos seus colegas em Pyongyang que prendessem Jong Nam. Em janeiro de 2006, ele foi levado pela polícia secreta quando saía da casa da sua irmã em Pyongyang. Essas pessoas próximas a ele foram expulsas de Pyongyang.

A CSW acrescenta: Essas pessoas que estão mais próximas da situação, incluindo Son Jong Hoon, agora estão recorrendo à comunidade internacional, para que levante sua voz em um clamor pela vida de Jong Nam. A declaração das organizações de desertores norte-coreanos diz: Organizações que incluem a Associação dos Desertores Norte-coreanos, a Rede da Democracia contra o Gulag Norte-coreano, a Difusão Livre da Coréia do Norte e 8 mil norte-coreanos estão solicitando que impeçam a execução pública de Son Jong Nam. ... Ele está atualmente enfrentando risco de morrer. Através da conscientização da comunidade internacional podemos salvar Jong Nam.

Data incerta

A advogada Internacional da CSW, Elizabeth Batha, que reuniu extensos testemunhos de numerosas vítimas de tortura e testemunhas de execuções pública, declarou: Estamos muito preocupados com a vida e o bem-estar de Son Jong Nam. A Coréia do Norte pratica tortura brutal e é difícil imaginar a dor e o sofrimento que já foram impostos sobre ele. Pedimos que a comunidade internacional perceba a coragem e a ousadia daqueles que decidiram tomar dar esse passo inédito de anunciar isto ao exterior. Esperamos que aqueles que ocupam posição de influência estejam, sem restrições, solicitando enfaticamente que os norte-coreanos eliminem seu planos de realizar esta execução injusta.

Em uma entrevista coletiva, Son Jong Hoon respondeu às perguntas sobre a data da execução pública dizendo: A data para a execução anunciada é divulgada apenas em decorrência de assassinatos e outros crimes comuns. Para crimes políticos e traição, a data geralmente não é anunciada com antecedência, porque pode causar um impacto indesejável sobre as pessoas. Eles realizam a execução em uma data arbitrária. Contudo, ele disse que soube de uma fonte de alto nível da Coréia do Norte que a execução seria realizada em abril.

A CSW declara não se sabe se a execução aconteceu. Obter tais informações da Coréia do Norte é obviamente um algo difícil e perigoso. Embora haja incerteza sobre a situação, espera-se que a cobertura limitada do caso que ocorreu na Coréia do Sul tenha sido eficaz em protelar a ação final da Coréia do Norte.

Desilusão com o regime

Son Jong Nam nasceu em Sadong, Soryongdong, Pyongyang e serviu todo o período militar como oficial não comissionado da Sede de Proteção de Segurança, de outubro de 1975 a maio de 1983. Em 20 de Janeiro de 1998, a cunhada de Jong Nam foi investigada pela polícia secreta enquanto estava grávida. Durante o interrogatório, ela recebeu chutes no estômago e, conseqüentemente, abortou seu filho. Jong Nam levou o assunto diante do Comitê Central do Povo, mas ele foi colocado sob pressão por suas ações e disseram que fosse embora. Isto lhe trouxe desilusão com o regime e sua decisão de sair da Coréia do Norte foi tomada logo depois.

Os direitos humanos da Coréia do Norte estão classificados entre os piores do mundo, informa a CSW.


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