Pastor é detido por "conversão fraudulenta" na Índia

| 20/04/2006 - 00:00


Apoiada por extremistas hindus, a polícia de Jabalpur, no Estado de Madhya Pradesh, prendeu um pastor pentecostal e seis outros líderes cristãos na noite de 18 de abril, sob acusação de "conversão fraudulenta".

Eles foram libertados sob fiança por volta da meia-noite, acusados de conversão por aliciamento e de promoverem reuniões religiosas ilegais.

Shrada Vishwakarma, um hindu, chamou a polícia, denunciando o pastor Lal. A polícia de Madhya Pradesh apareceu na casa dele por volta das 8h30 da manhã, tratando com grosseria o dono da casa e outros líderes cristãos que lá estavam. Os policiais confiscaram Bíblias como evidência de "conversões fraudulentas".

Quando o pastor Lal tentou telefonar para pedir ajuda, os ativistas do Bajrang Dal (braço jovem do VHP, ou Conselho Mundial Hindu) tomaram o telefone celular no momento em que o pastor conversava com um líder cristão, que estava em uma convenção de pastores a oito quilômetros dali.

"A polícia invadiu nossa casa e, com gritos ameaçadores, me insultaram e começaram a bater na mobília com os cacetetes", contou o pastor Lal ao Compass. "Eles me acusaram de converter pessoas ao cristianismo, jogaram longe minha Bíblia e rasgaram as Bíblias dos outros. Ao mesmo tempo em que eles me agrediam, um policial agarrava um irmão pela orelha, e outro arrastava um irmão pelos cabelos - enquanto isso, podíamos ouvir a gritaria dos fundamentalistas do Bajrang Dal do lado de fora".

Os líderes cristãos ficaram detidos na delegacia de Barela, e, do lado de fora, os extremistas hindus gritavam palavras de ordem contra eles. Os cristãos da vizinhança correram até a delegacia, para demonstrar solidariedade ao pastor Lal e os outros.

O procurador dos cristãos, R. A. Robertson, disse que eles seriam libertados sob fiança à meia-noite.

Sanjay Kumar, inspetor de polícia de Barela, disse ao Compass que, como o pastor Lal estava sob investigação por aliciar pessoas à conversão, "é nosso dever investigar o caso e gravar suas declarações".

Reuniões de oração "ilegais"

Indira Iyengar, presidente da Associação Cristã Madhya Pradesh e membro da Comissão de Minorias do Estado, disse que a coletoria de Jabalpur informou a ela que Lal e outros seis cristãos estavam sob investigação por promoverem reuniões de oração ilegais.

"O coletor me informou que o pastor e seis outros cristãos realizavam reuniões de oração em casas. Ele disse que a administração deveria ter sido notificada e isso não foi feito", contou Indira. "De acordo com a Lei de Liberdade Religiosa de Madhya Pradesh, reuniões domésticas não são permitidas, segundo a explicação do coletor".

Indira disse que iria escrever para o ministro e para a Comissão Nacional de Minorias alegando que "reuniões domésticas" são parte da prática religiosa cristã tanto quanto os encontros na igreja, e que não há distinção de culto entre as duas.

"Essa forma de discriminação entre igrejas e reuniões domésticas é uma tática dos fundamentalistas hindus e do governo para perturbar a comunidade cristã", disse ela. "É outro pretexto desses elementos fundamentalistas para prender os cristãos sob acusações de conversão".

Quem governa?

John Dayal, presidente do Conselho Geral dos Cristãos da Índia, disse que se a polícia quisesse prender o pastor não seria necessário o suporte do Bajrang Dal.

"Quem está governando em Madhya Pradesh - é o Bajrang Dal?", questiona Dayal. "Sob o Código Penal Indiano, a participação do Bajrang Dal no arrombamento de casas é um crime."

John Dayal acredita que antes de a polícia registrar uma queixa contra o pastor, o grupo extremista é que deveria ser processado por seus crimes. "Encontro de oração em casas não é um crime, nem mesmo sob a imoral lei anticonversão."

De acordo com o Ato de Liberdade Religioso de Madhya Pradesh, de 1968, é preciso obter permissão para promover uma religião ou organizar funções religiosas.

O padre Cedric Prakash, diretor do centro de direitos humanos Prashant, disse ao Compass que os atos de intimidação e ameaça da polícia foram uma grosseira violação dos direitos básicos dos cidadãos indianos.

"A polícia tem todo o direito de investigar qualquer atividade de uma pessoa de modo civilizado, mas eles não têm o direito de prender ninguém ou de fabricar acusações fictícias", ele disse. "A polícia, em conivência com o governo ultradireitista hindu de Madhya Pradesh, deveria parar com essa mentalidade fascista e agir no sentido de proteger a liberdade das pessoas. Lal tem o direito de pregar sua religião em qualquer lugar, ainda mais no recesso de sua casa."


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