Presidente da Missão Emmanuel é preso na Índia

| 21/03/2006 - 00:00


Policiais de Rajasthan prenderam o presidente da Missão Internacional Emmanuel (EMI, sigla em inglês) reverendo Dr. Samuel Thomas, filho do fundador da missão, arcebispo M.A. Thomas.
 
A prisão aconteceu em Noida, no Estado de Uttar Pradesh. Samuel e seu pai tiveram que ficar escondidos após a acusação dos extremistas hindus de distribuir um livro polêmico que os extremistas alegaram denegrir sua religião e divindades.

O arcebispo ainda está escondido. Os projetos liderados pelo ministério que ele fundou - incluindo orfanatos, escolas e um hospital - foram alvo de manifestações por parte de um grande número de extremistas hindus nos últimos meses, que queriam o fechamento das instituições.  Os extremistas chegaram a oferecer uma recompensa de 26 mil dólares pelas cabeças do arcebispo e de seu filho.

O ministro do Bem-Estar do Estado, Madan Dilawar, disse anteriormente que deveria ser apedrejado se não "tomasse medidas" contra Samuel e seu pai.

A prisão aconteceu ao meio-dia quando Thomas chegou à casa do advogado R.K. Jain, um advogado antigo da Corte Suprema da Índia, a fim de negociar a fiança antecipada para ele e para o seu pai. O advogado vive no município de Noida, no Estado de Uttar Pradesh.
 
Samuel Thomas estava acompanhado dos advogados C.J. Babu e Brahum Datt e do presidente nacional do Conselho Global dos Cristãos Indianos (GCIC, sigla em inglês) Sajan George.
 
Vários policiais à paisana pararam o carro em que o grupo de Samuel estava viajando e o forçaram a entrar no carro deles. Os oficiais não seguiram o procedimento apropriado - não apresentaram nenhuma identificação nem um mandado de prisão, de acordo com Sajan.
 
"Cinco ou seis pessoas, uma delas alegando ser o delegado de Bhimgunj Mandi, em Kota, , tentaram empurrar Thomas para dentro do carro estacionado próximo ao portão da casa do advogado", declarou Sajan em uma reclamação por escrito feita à Comissão Nacional de Direitos Humanos (NHRC, sigla em inglês). "Então, um deles colocou um revólver no meu rosto e disse para não nos opormos à detenção".
 
Sajan também argumentou que a polícia de Rajasthan o estava seguindo. "Eu tinha marcado um horário com o advogado para o meio-dia. Isto mostra que eles estavam cientes do compromisso - talvez grampeando meu telefone", disse ele.
 
Ao expressar apreensão a respeito do bem-estar de Samuel, Sajan solicitou que a NHRC tomasse "medidas apropriadas".
 
Após a prisão, a NHRC deveria solicitar que o governo do Estado de Rajasthan relatasse dentro de 24 horas sobre a posição de Samuel, de acordo com George.
 
Mohammad Akram, advogado de Samuel e seu pai em Rajasthan, disse que a corte da região de Kota anteriormente rejeitou uma fiança antecipatória para pai e filho. Uma petição de fiança para o arcebispo Thomas será julgada em audiência na Corte Suprema de Rajasthan, em 24 de março, disse ele.
 
Mansingh Chaudhary, delegado de polícia de Bhimgunj Mandi, registrou uma queixa oficial contra Samuel, o arcebispo, e alguns outros funcionários da EMI, em 14 de fevereiro, sob a seção 153(a) e 295(a) do Código Penal da Índia.
 
A seção 153(a) trata de sentimentos religiosos nocivos enquanto a seção 295(a) fala sobre infringir deliberadamente sentimentos religiosos ou insultar as crenças religiosas de uma comunidade. Ambas as ofensas são puníveis com até três anos de prisão. Além disso, segundo a lei da Corte Suprema, a verdade não é uma defesa baseada na seção 153(a).
 
Funcionários mais antigos da EMI disseram que a missão não foi a principal distribuidora de "Haqeeqat" (A Verdade ou Realidade), e que eles meramente mantiveram algumas cópias do livro no escritório principal na região de Kota. Aparentemente alguns funcionários haviam lido o livro.

A EMI trabalha sob cinco sociedades registradas: Instituto Bíblico Emmanuel de Samiti, Emmanuel Anath Ashram (orfanato), Sociedade Escolar Emmanuel, Emmanuel Chikitsalaya de Samiti (hospital), e Comunidade de Cristãos Emmanuel. A EMI lidera um movimento da igreja nativa, recebendo ajuda da Hopegivers International, com sede nos EUA, para o trabalho educacional e humanitário com mais de dez mil crianças.

As tensões iniciaram em 25 de janeiro, quando o arcebispo Thomas e seu filho receberam ameaças de morte anônimas, avisando-os para não realizar a cerimônia de formatura anual para centenas de órfãos e para os alunos cristãos dalit, marcada para 25 de fevereiro. A cerimônia foi adiada depois das ameaças e dos ataques.
 
Em 2 de fevereiro, uma multidão de extremistas hindus atacou um orfanato da EMI em Tindole, em que crianças e funcionários foram agredidos e apedrejados. Uma criança morreu. Em 10 de fevereiro, em Ramganjmandi, uma multidão hindu queimou totalmente a escola e o orfanato da EMI.

Em 20 de fevereiro, V.S. Thomas, responsável pelo Orfanato Centro de Esperança, em Raipura, e R.S. Nair, diretor da missão, foram detidos sem acusações. Durante as detenções, a polícia estava a postos enquanto um acusador surrava um dos homens, de acordo com a Hopegivers International.


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