Funasa pede saída de religiosos de terras indígenas no Amazonas

| 09/03/2006 - 00:00


A Funasa (Fundação Nacional da Saúde) pediu, em 7 de março, ao Ministério Público Federal a retirada de missionários do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), ligado a Igreja Católica, e da Jocum (Jovens Com Uma Missão), entidade evangélica internacional, das terras indígenas da etnia suruahã, no Amazonas.

Segundo o diretor da fundação no Amazonas, Francisco Ayres, as missões interferem na cultura dos indígenas, desrespeitando a Constituição Federal.

Os índios suruahã, no total 137 pessoas, vivem em uma reserva de 239.070 hectares no município de Tapauá (a 450 km ao sul de Manaus). São conhecidos como o povo do veneno, porque praticam o suicídio através da ingestão do sumo da planta timbó, chamadas de konaha.

As mortes aumentaram a partir de 1930 com o avanço das frentes extrativistas.

Os doisestão em pé de guerra fazendo jesuitismo do século 21, interferindo nos valores, cultura e tradição dos índios, disse Ayres. Ele não relaciona, no entanto, a prática do suicídio com a interferência das entidades.

De acordo com a Funasa, contra a Jocum há o agravante de que os missionários removeram duas crianças e seis parentes da etnia para tratamento de saúde em São Paulo, em setembro de 2005, sem autorização da Funai (Fundação Nacional do Índio).

Missionários do Cimi Norte 1 e da Jocum estão há mais de 20 anos em contato com os suruahã, tentando reverter o quadro de suicídios. O coordenador do Cimi, Francisco Loebens, disse que a instituição vai argumentar em todas as instâncias contra a decisão da Funasa. O Cimi nunca fez agressão cultura contra os suruahã, afirmou.

Os missionários da Jocum afirmam, em seu site, que retiraram as crianças da aldeia porque os pais queriam salvá-las do infanticídio, prática tradicional da etnia. Procurada pela Folha, a missionária Márcia Suzuki pediu que a reportagem enviasse por escrito as perguntas sobre a Funasa, mas não enviou resposta até as 20h.

A antropóloga Luciene Pohl, que coordenou uma pesquisa sobre os suruahã em 2001, disse à Folha que os missionários interferem porque a etnia tem preceitos morais rígidos de educação: crianças doentes são rejeitadas. É um morte social, a criança é deixada de lado pela mãe.


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