Historiador da igreja doméstica tem documentos retidos

| 24/02/2006 - 00:00


Quando Zhang Yinan, historiador da igreja doméstica da China, solicitou um passaporte com a finalidade de atender a um convite para participar de um café da manhã em oração este mês, em Washington, a polícia, de imediato, cercou sua casa e chegou a seguir sua esposa até o hospital onde ela trabalha como enfermeira.

Zhang, 50, foi pego em 26 de setembro de 2003, e preso por dois anos sob a acusação de "tentar subverter o governo nacional". Ele foi solto em 25 de setembro de 2005, mas o Departamento de Polícia do município de Lushan reteve seus documentos pessoais, inclusive sua identidade, tornando impossível para ele viajar.

O único documento oficial que Zhang ainda possui é seu cartão de preso, da "Escola para Cultivar Virtudes" (um centro de reeducação por meio de trabalho forçado), em Henan.

A polícia de Henan usou os diários de oração pessoal de Zhang como prova para acusá-lo de tentar derrubar o governo.

Recentemente, Zhang fez um requerimento para ter seus diários e demais documentos de volta, mas o oficial de polícia, Li Haitao, investigador chefe do caso de Zhang, indeferiu o pedido. Quando lhe pediram uma explicação para isso, Li disse que tinha que continuar estudando os diários para achar outras provas incriminatórias contra Zhang.

Li foi promovido e se tornou o diretor do Grupo de Proteção e Segurança Doméstica do Município de Lushan, depois do seu sucesso no processo contra Zhang em 2003.

Sobre sua soltura, Zhang escreveu uma carta pública para agradecer aos cristãos de todo o mundo, que têm orado por ele e ajudado sua família durante seu período de prisão. No final da carta, ele fez uma citação do discurso "Eu tenho um sonho", de Martin Luther King Jr., para descrever sua nova liberdade alcançada: "Livre afinal, livre afinal. Obrigada, Deus Todo-Poderoso, nós estamos livres afinal!"

Zhang logo percebeu que sua liberdade era apenas parcial. Sem um documento de identidade, ele não poderia usar o transporte coletivo, se hospedar num hotel ou deixar a província.

No entanto, quando Zhang solicitou a devolução de sua identidade, Li disse que ela não estava entre os itens confiscados.

Em dezembro de 2005, Zhang recebeu um convite para participar do 56º Café da Manhã Nacional em Oração, em Washington D.C. Depois de Zhang ter ido ao posto policial para solicitar um passaporte, a polícia cercou seu apartamento, e a esposa dele esteve sob vigilância constante. A polícia não a seguiu apenas até seu local de trabalho no hospital, mas chegou a vigiá-la em uma sala de operação, onde ela estava auxiliando os médicos numa cirurgia.

Policiais frios

Um número estimado de 50 a 60 policiais foi designado para vigiar 24 horas por dia a casa de Zhang, até dia 2 de fevereiro, início do Café da Manhã em Oração.

Mais tarde, alguns dos policiais que estavam de serviço contaram para Zhang que eles não tinham outra escolha senão seguir as ordens das autoridades superiores.

Como essa vigilância coincidiu com o feriado nacional do Ano Novo Chinês, Zhang chamou Li e pediu permissão a ele para que os policiais, que estavam em pé enfrentando o frio do inverno rigoroso, fossem para casa ficar com seus familiares. Zhang prometeu que não sairia de seu apartamento, mas Li disse que não tinha autoridade para tomar essa decisão.

O antecessor de Li, Zhang Dangyi, foi o responsável pelo caso de Zhang originalmente. Depois de muito examinar o diário de oração de Zhang, ele concluiu que "Zhang Yinan talvez esteja pensando algo que não deveria neste momento, mas, sem dúvida, ele não cometeu crime algum". Ele sugeriu que Zhang fosse solto sem acusações, mas as autoridades de Henan responderam dando seu cargo para Li, que tinha a fama de maltratar os cristãos da igreja doméstica da região.

Os documentos de Zhang ainda estão retidos pela polícia, mas ele está determinado a continuar viajando e ministrando aos cristãos da igreja doméstica. "Eu fui chamado por Deus para ser um evangelista", afirma. "Não importa o quanto dure ou quão árduo seja o inverno, um dia ele passará".

Como ele escreveu uma vez na prisão, para o seu filho: "Da prisão de Wang Mingdao, desde agosto de 1955 até hoje, os pregadores da igreja doméstica chinesa têm sido aprisionados constantemente. Mas o Senhor tem feito nascer rosas no meio dos espinhos".

Zhang acrescentou: "Nosso Senhor Jesus ama a China, e Ele tem permitido que uma geração após outra resista ao sofrimento e passe por vários tipos de provação para que nós possamos estar edificados nele".


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