Estado nigeriano é acusado de treinar militantes islâmicos

| 22/02/2006 - 00:00


Agentes do Serviço de Inteligência nigeriano descobriram que o Estado de Kano estava buscando ajuda externa para treinar 100 militantes da jihad.

Segundo o ministro da Informação e da Orientação Nacional, Frank Nweke Jr., Kano esperava treinar os militantes na "inteligência" e na "prática da jihad" com a ajuda de governos islâmicos estrangeiros. O governo central já havia acusado Kano de procurar ajuda militante do Irã e da Líbia - acusação que foi negada pelas autoridades do Estado.

Em seu sentido mais amplo, jihad significa luta, se referindo à luta do muçulmano pela retidão, embora ela possa incluir a luta armada. As autoridades nigerianas empregam a palavra nesse sentido específico.
 
Em uma declaração feita no dia 9 de fevereiro, Frank Nweke anunciou um boicote aos vigilantes, chamados "hisbah", que aplicam a lei islâmica (sharia) em diversos estados do norte. Frank disse que os voluntários da "hisbah" usurpam o papel do governo de aplicar a lei.

"O estabelecimento da hisbah é uma violação da seção 214 da Constituição, que reconhece a Força Policial da Nigéria como a única agência encarregada do policiamento da federação", disse o ministro. "O governo federal deseja enfatizar que não tolerará mais o estabelecimento de unidades de segurança inconstitucionais e ilegais por parte de governos, grupos ou indivíduos em qualquer parte do país ou sob qualquer condição."

O inspetor geral de polícia Sunday Ehindero declarou que a existência das agências do "hisbah" em Kano e em outros Estados destrói a segurança nacional da Nigéria. Notando que os grupos "hisbah" já estão criando tensão religiosa no país, Sunday prometeu bani-los se eles continuarem suas atividades. A polícia deteve o líder do "hisbah" e seu vice na semana passada.

Os grupos do "hisbah" são mais visíveis nos Estados de Kano e Zamfara, onde recebem apoio estatal.

O governo de Kano, que nega as alegações dos oficiais federais, respondeu no dia 13 de fevereiro com um processo na Suprema Corte da Nigéria desafiando o fechamento do "hisbah".

O governador de Kano, Ibrahim Shekarau, cuja comissão de "hisbah" treinou 9 mil vigilantes islâmicos no ano passado, declarou que as leis de 2003 e 2005 de Kano estabelecem essa organização como necessária para providenciar bom governo. O processo procura uma injunção para impedir o governo federal de interromper as operações do "hisbah".

"Máquina de terror"

Os nigerianos estão ansiosos esperando o resultado da batalha legal. Essa é a mais recente da crise constitucional do presidente Olusegun Obasanjo, já que pode ser um marco na história religiosa do país.

Os cristãos que vivem em Estados regidos pela sharia reclamam de assaltos, opressão, intimidação e violação flagrante dos direito religiosos dos cristãos - tudo isso realizado pelo "hisbah". Um líder disse que uma "máquina de terror" está nas mãos de governos islâmicos fanáticos, apontada para exterminar os cristãos no norte da Nigéria.

O reverendo Murtala Marti Dangora disse que o "hisbah" tem sido usado como um instrumento de repressão, intimidação e opressão dos cristãos - e mais recentemente das mulheres cristãs.

"As mulheres cristãs são abordadas diariamente por homens do hisbah, afirmando que elas não estão se vestindo de acordo com a religião islâmica", disse o reverendo Murtala. "Por que esse seria o caso?"

Ele disse que o "hisbah" também abordou mulheres cristãs por dirigir motos.

"Isso acontece até quando o governo está ciente que os meios de transporte são escassos no Estado", o reverendo disse. Uma vez que as mulheres muçulmanas estão em purdah (isolamento, de acordo com os dogmas islâmicos) e só as mulheres cristãs estão engajadas em atividades produtivas, elas são as únicas a serem paradas por dirigir motos.

Segundo a sharia, homens e mulheres não podem viajar juntos em transportes públicos, embora a mulher supostamente possa viajar com seus parentes masculinos.

Mas o reverendo Seth Saleh, um clérigo da Igreja da Nigéria (Comunhão Anglicana), disse que o "hisbah" proibiu as mulheres cristãs de viajaram até com seus próprios maridos no Estado de Zamfara.
 
"Se você é um cristão em Gusau e não possui um carro, é impossível se locomover com sua família. Você não pode andar com sua esposa no mesmo carro. Então ela tem que ir andando para qualquer lugar que precise ir."

O pastor James Obi, da igreja Canal de Bênçãos em Gusau, disse que as atividades do "hisbah" têm humilhado a igreja em Zamfara. "Casos de estupro e agressão de mulheres cristãs por membros do hisbah e fanáticos muçulmanos estão crescendo neste Estado. Em dezembro de 2005, uma cristã da Igreja Fé Viva, aqui na cidade de Gusau, foi atacada e puxada de uma moto em movimento por membros do hisbah." Segundo o pastor James, a moça foi ferida e ficou hospitalizada.

Ele conta que, no mesmo período, uma cristã católica, em Gusau, havia ido para a missa, e, na volta para casa, ela foi atacada por alguns membros do "hisbah" e fanáticos muçulmanos. Ela foi despida, estuprada e espancada até entrar em coma.

O pastor James diz que os líderes cristãos no Estado levaram esses casos ao governo de Zamfara, mas foi em vão.

"O governo sempre nos disse que este é um Estado islâmico e que eles irão aplicar os dogmas do islamismo a todos os que viverem aqui. Se nós não gostamos, podemos ir embora. Então, a menos que o governo nigeriano aja de uma forma que nos proteja, não temos o que fazer - estamos perdidos aqui", diz o pastor James.


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