Autoridades militares prendem 75 recrutas cristãos eritreus

| 07/02/2006 - 00:00


Autoridades militares da Eritréia prenderam 75 cristãos protestantes que estavam no Campo de Treinamento Militar de Sawa por "ler a Bíblia e orar durante seu tempo livre". Fontes locais da pequena nação do leste da África confirmaram o ocorrido.
 
Muitos dos prisioneiros evangélicos detidos, 37 deles mulheres, são jovens estudantes que cumpriam o serviço militar nacional obrigatório em Sawa, um lugar remoto nas montanhas da Eritréia, perto da fronteira do Sudão.
 
De acordo com relatos confirmados, os 75 jovens recrutas colocados sob "detenção e punição militar" não tentaram realizar nenhuma reunião cristã em Sawa nem cometeram alguma outra transgressão às leis militares.
 
"Em Sawa, não é permitido possuir uma Bíblia ou manter devoção e lealdade a Cristo", disse ao Compass um cristão eritreu. "Isto é considerado um ato de extremismo cristão."
 
Os recrutas muçulmanos, entretanto, têm permissão para ter o Alcorão e para fazer suas orações cinco vezes por dia.
 
Desde maio de 2002, o regime repressivo do presidente Isaias Afwerki fechou todas as igrejas evangélicas independentes e se recusou a dar permissão para que seus membros se reunissem em qualquer outro lugar para cultuar.
 
Apesar de pedirem para se registrarem legalmente, nenhuma dessas igrejas foi reconhecida pelo governo. Cristãos evangélicos pegos pela polícia durante reuniões em suas casas são presos, e, com freqüência, permanecem incomunicáveis por meses, mesmo sem acusações formais.
 
Acredita-se que aproximadamente 1.800 cristãos da Eritréia estão agora presos por causa de sua fé, mantidos em delegacias, campos militares e prisões em 12 lugares conhecidos por toda Eritréia. Entre eles estão 28 sacerdotes.
 
Os protestantes presos são rotineiramente submetidos a espancamentos e pressão psicológica para que neguem sua fé. Autoridades policiais e militares continuam a exigir que os prisioneiros mudem para uma das três denominações "oficiais" reconhecidas pelo governo.

Mas, mesmo essas denominações legalmente reconhecidas - as igrejas Ortodoxa, Católica e Luterana - enfrentaram problemas com o governo durante o ano passado, sofrendo ameaças e mesmo prisões por oficiais da polícia de segurança.
 
O ministro da Informação da Eritréia, Ali Abdu, confirmou para a Agência France-Presse que o patriarca ortodoxo Abune Antonios foi retirado de seu cargo, segundo ele, de acordo com uma decisão do Sínodo Sagrado da Igreja tomada em janeiro.
 
"O governo não teve nada a haver com esta decisão", insistiu o ministro Abdu, declarando que isso foi decidido em uma reunião interna da igreja.
 
O patriarca Antonios teve sua autoridade eclesiástica retirada em agosto e foi colocado sob prisão domiciliar. Desde então, violando diretamente o cânone da igreja, o Sínodo Sagrado da Igreja está sendo controlado por um administrador leigo indicado pelo governo.
 
Segundo informações, o patriarca perdeu o favor do governo por se opor à prisão de 3 padres ortodoxos de sua igreja. Os 3 clérigos continuam presos sem acusações.
 
O patriarca Antonios rejeitou prontamente sua exoneração, em uma carta datada de 14 de janeiro, um dia depois de ter sido notificado por escrito que ele havia sido retirado de sua posição. Contrabandeada de Asmara e publicada pelo jornal "Asmarino Independent News", a resposta do patriarca declarou que a decisão do sínodo é "ilegal" e baseada em falsas acusações.
 
O patriarca Abune Antonios, que está com 78 anos, pediu que os abades e teólogos da igreja se reunissem para resolver o assunto de acordo com a lei canônica. Ele também apelou para a Igreja Ortodoxa Copta do Egito, da qual a Igreja Ortodoxa da Eritréia recebeu seu mandato apostólico, para que ela intermediasse essa contenda.


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