Ativista cristão cubano é pressionado a deixar o país

| 19/01/2006 - 00:00


O cristão Juan Carlos Gonzalez Leiva, famoso ativista de direitos humanos em Cuba, foi submetido a diversas formas de hostilidade recentemente.

Conforme uma notícia publicada pela organização cristã de direitos humanos, Christian Solidarity Worldwide (CSW), Juan completará uma sentença de quatro anos dia 12 de março. Ele acredita, segundo a CSW, que a opressão foi uma forma de fazê-lo deixar o país depois dessa data.

Juan Carlos, que é cego e cumpre sua sentença há dois anos em prisão domiciliar, disse que o governo lhe nega água e eletricidade. Ele acrescentou, segundo a CSW, que multidões se reúnem em volta de sua casa a qualquer hora do dia, cantando palavras de ordem pró-governo e tocando música em alto volume.

Sua mulher Maritza deixou Cuba para se exilar nos Estados Unidos, pois ele estava preocupado com o bem-estar emocional e físico da esposa. A CSW informou que, apesar das ameaças, Juan promete continuar sua campanha pelas melhorias em direitos humanos enquanto estiver em Cuba.

A CSW relatou que, em uma carta de 14 de janeiro, Juan descreveu a forma como vem sendo tratado. "Elesnão me deixam sair de casa, e eu estou sem comida, água potável e energia elétrica. De vez em quando eles me deixam com linha no telefone, mas a maioria das vezes eu não consigo entrar em contato com o mundo lá fora."

Juan continua: "O pessoal em volta da minha casa batia nas janelas e na porta; eles colocaram caixas de som com música bem alta 24 horas por dia, o que não nos deixava dormir ou descansar. As pessoas que estavam lá variavam de criminosos a alunos de universidade, que gritavam as palavras de ordem do governo e falavam coisas agressivas e obscenas nos microfones. Essas pessoas gritavam ameaças contra nós, dizendo que iriam entrar na casa com tanques militares, que iriam nos queimar. Falavam também que nós somos pessoas anti-sociais a serviço do imperialismo, entre outras coisas".

Juan também disse que outros ativistas, amigos e familiares foram empurrados e agredidos pela multidão ao tentar entrar ou sair de sua casa. Segundo Juan Carlos, o governo cubano fez seu pai, Agustin Gonzalez, de refém, não permitindo sua saída do país, embora ele tenha um visto para ir aos Estados Unidos. "Essa é uma tática usada para me pressionar, para que eu vá embora do país", acredita o ativista.

Ele conta que esses grupos de 100 a 400 pessoas começam esses atos de vandalismo de madrugada e continuam até às 23 horas. Isso se repete diariamente ao som ensurdecedor de músicas.

A CSW relatou que Juan foi preso em março de 2002, depois de protestar em frente a um hospital, preocupado com os maus-tratos sofridos por um jornalista - ele havia sido espancado pela polícia cubana. A polícia foi logo acionada, atacando Juan e as outras nove pessoas que estavam com ele. Juan foi severamente espancado antes de ser preso.

Juan ficou preso sem julgamento por dois anos. Depois disso, ele foi sentenciado a quatro anos de prisão domiciliar. Ele foi condenado, segundo a CSW, por "desrespeito contra o chefe de Estado", junto a outras acusações de "desordem pública, desobediência e resistência à autoridade".

Stuart Windsor, diretor nacional da CSW, disse em uma nota de imprensa: "O mau-tratamento que as autoridades cubanas dispensaram a esse corajoso ativista de direitos humanos deve repercutir em toda a comunidade internacional. Ele já sofreu anos de maus-tratos na prisão e sua sentença se aproxima do fim, ele está sendo oprimido em uma tentativa de fazê-lo sair do país. A CSW continua a apoiar Juan em sua determinação de erguer a voz para melhorar os direitos humanos em Cuba e pede ao governo cubano que pare de perturbar a ele e a sua família".

A CSW é uma organização de direitos humanos que trabalha em prol dos que são perseguidos por seus credos cristãos e promove a liberdade religiosa.


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