Governo indonésio cria unidade para investigar violência

| 10/01/2006 - 00:00


O governo indonésio estabeleceu um novo Comando de Operações de Segurança, ou "kopskam", para investigar a violência em Sulawesi Central depois da explosão de uma bomba na véspera do Ano Novo, que matou oito pessoas em Palu.
 
A bomba, que deixou outras 56 pessoas feridas, explodiu em um mercado na área cristã de Palu, às 6h30, quando os moradores compravam carne de porco para as festas. Carne de porco é uma ofensa aos muçulmanos; e atentados no que moradores locais chamam de "mercado cristão", onde a carne é vendida, pode apontar para terroristas islâmicos.
 
Essa explosão foi o último acontecimento em uma cadeia de incidentes violentos durante os últimos dois anos, ecoando o conflito entre muçulmanos e cristãos de 1998 a 2001, que acabou com mais de mil vidas.
 
Um acordo de paz foi assinado em dezembro de 2001, mas ataques esporádicos continuaram desde então - com os cristãos formando a maioria esmagadora das vítimas.
 
No dia 2 de janeiro, 52 pessoas foram interrogadas e 35 foram nomeadas testemunhas, de acordo com o jornal "The Jakarta Post". A polícia também interrogou um homem de 40 anos, conhecido como Mulyono, (habitualmente os indonésios são identificados por um só nome), que foi visto questionando os vendedores na noite anterior. No dia 3 de janeiro, entretanto, alguns moradores afirmaram que Mulyono era apenas um novo fornecedor de carne de porco em busca de novos clientes.
 
Imediatamente, grupos de direitos humanos pediram uma investigação independente, mas o governo respondeu com o novo Comando de Operações de Segurança, formado por oficiais do exército e da polícia.

A equipe do novo "kopskam" planejou mandar 1.100 reforços policiais e um número não-especificado de soldados para Poso e Palu, segundo o "Jakarta Post".
 
Cerca de 4 mil militares da polícia e do exército já foram enviados para restabelecer a ordem na turbulenta província em 2005. Eles, porém, não conseguiram evitar os repetidos ataques aos civis, nem conseguiram localizar e prender os perpetradores da contínua violência.
 
Edmond Leonard, um ativista da Comissão Nacional de Pessoas Desaparecidas e Vítimas da Violência (Kontras) em Sulawesi, estranhou que o ataque tenha acontecido em Palu quando a polícia havia reforçado as medidas de segurança em vista das festas de fim de ano, depois de avisos de possíveis ataques terroristas.
 
"Esse fato nos faz pensar que os oficiais de segurança podem ser parte do problema", afirmou Edmond à agência on-line de notícias "Paras Indonesia".
 
A mesma agência citou Munarman, presidente da Fundação Indonésia de Auxílio Legal, que disse que a intranqüilidade se devia "às ações de certas pessoas e tropas do local que agiam fora do comando".
 
O Centro Poso, um grupo que abriga as organizações de caridade locais, disse ao " The Jakarta Post" que a formação do "kopskam" iria meramente "proteger certos partidos sobre os quais se supõe que tenham desempenhado um papel na criação do conflito."
 
Ibrahim Buaya, um ativista de direitos humanos independente, também escreveu criticando a resposta do governo: "Depois de cada ataque, os cristãos ouvem a polícia, o governo, os líderes islâmicos dizerem: Não se deixem provocar por esses ataques terroristas! Mas vamos sentar e esperar até sermos exterminados?"
 
Ibrahim providenciou uma lista parcial de outros ataques ou tentativas terroristas em Sulawesi na segunda metade de 2005. (Leia abaixo)
 
Onda de violência

Diversos ataques fatais aos cristãos também aconteceram nos primeiros seis meses de 2005. Entre eles está a explosão do mercado cristão de Tentena, em 28 de maio, que deixou 22 mortos e ao menos 49 feridos.

Sem dúvida os ataques mais horrendos foram as decapitações que aconteceram no fim de outubro e no começo de novembro em Poso e Palu. Na primeira delas, quatro adolescentes foram atacadas quando iam para a escola cristã em Poso. Theresia Morangke, Alfita Poliwo e Yarni Sambue foram decapitadas, enquanto a quarta jovem, Noviana Malewa, continua se recuperando dos graves ferimentos.
 
As cabeças das três moças foram encontradas em sacos plásticos com um bilhete: "Iremos assassinar mais 100 adolescentes cristãos e suas cabeças serão dadas como presentes".
 
Outras duas estudantes - uma cristã e outra muçulmana - foram baleadas em 8 de novembro. Assaltantes com facões atacaram três jovens, matando um deles em 18 de novembro. Um casal cristão foi baleado e gravemente ferido em 19 de novembro.
 
Os grupos cristãos e de direitos humanos vêem a violência como uma tentativa de reacender os conflitos religiosos na região.
 
Algumas autoridades, entretanto, continuam a negar qualquer elemento religioso.
 
Em uma entrevista ao "The Jakarta Post" em 3 de janeiro, um membro do Conselho de Representantes Regionais que estudou a violência em Palu e Poso disse: "Nós eliminamos qualquer hipótese de que o sentimento religioso é o principal problema na área".
 
Conhecido apenas como Muspani, o membro do Conselho disse que ter chegado a essa conclusão porque as explosões nos mercados cristãos em Tentena e Palu e as decapitações de adolescentes cristãs "não conseguiram despertar a violência" por parte da comunidade cristã.
 
Episódios de violência

Lista parcial dos ataques terroristas realizados em Palu e Poso na segunda metade de 2005
 
28 de julho
Três bombas ativadas foram encontradas na vila Tagolu, perto de Poso.

3 de agosto
A testemunha Budiyanto, 31, que testificou sobre os suspeitos na explosão de Tentena e outros casos de tiros, foi baleado e morto em Poso.
 
4 de agosto
Outra testemunha, Sarlito, 43, que testificou sobre o mesmo caso que Budiyanto, também foi baleado e morto em Poso.
 
17 de setembro
Uma bomba explodiu na vila de Bone Sompe, Poso, ferindo seriamente quatro pessoas.
 
29 de setembro
Hasrin Lajidi, 43, foi baleado e morto em Landangan, Poso.
 
3 de outubro
Milton Tadoa, 53, foi baleado e morto em Pantangolemba, Poso.
 
12 de outubro
O policial Agus Sulaiman, 27, envolvido na investigação das explosões de Tentena e em outros incidentes, foi baleado e morto.
 
22 de outubro
Seis militantes foram pegos tentando trazer uma grande quantia de explosivos para Poso via Sulawesi do Sul. Quatro dos homens foram presos, mas dois escaparam.
 
27 de outubro
Uma bomba explodiu em um ônibus cristão que ia de Palu a Tentena.
 
29 de outubro
Quatro estudantes foram atacadas em seu caminho para uma escola cristã em Buyumboyo, leste de Poso. Três foram decapitadas, a quarta continua se recuperando dos graves ferimentos.

8 de novembro
Duas estudantes foram baleadas no rosto. Siti Nuraini, 17, morreu em conseqüência dos ferimentos, enquanto sua acompanhante Ivon Maganti foi severamente ferida continua se recuperando.
 
18 de novembro
Supriyanti (20, mulher), Anca (23, homem) e Evi (20, mulher) foram atacados com facões enquanto iam para o trabalho de moto. Supriyanti morreu em decorrência dos ferimentos; Evi foi severamente ferida, mas Anca, que estava dirigindo, escapou ileso. Suas religiões não foram divulgadas.
 
19 de novembro
O conferencista Pudji Laksono, 45, e sua mulher Novlin Pallinggi, 37, foram baleados enquanto voltavam para casa de moto depois de um culto na igreja. Ambos foram severamente feridos.
 
31 de dezembro
Uma bomba explodiu no mercado cristão em Palu, matando oito e ferindo 56 pessoas.


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