Falta de Bíblias ameaça crescimento de comunidades cristãs

| 02/01/2006 - 00:00


Em Nam Tee, uma vila escondida no interior de Laos, existe uma grande comunidade cristã, que sobrevive sem Bíblias e sem cuidados e meio à perseguição. Mas o pastor da vila, Khampet Deesakoun, diz: "Acho que essa perseguição pode aumentar nossa fé".

Segundo a agência de notícias BosNewsLife que visitou o lugar com o grupo cristão Christian Freedom Interneational (CFI), a falta de Bíblias e de livros cristãos no país é, no momento, a maior ameaça ao crescimento das comunidades cristãs nas áreas rurais de Laos. O governo comunista impôs restrições à distribuição de Bíblias, atingindo em especial as vilas próximas à fronteira com a Tailândia, onde as igrejas crescem mais do que nunca.

A agência de notícias entrevistou o pastor Khampet Deesakoun, 38 anos, responsável pela igreja evangélica em Nam Tee, uma vila remota com apenas 700 habitantes, a 150 quilômetros da capital do país.

Khampet diz que sem Bíblia e livros cristãos os novos convertidos não são capazes de crescer na fé e estudar a Palavra de Deus. O pastor se converteu há dez anos e contou que a igreja começou com poucas famílias, mas ela é agora uma congregação de 400 pessoas. "Quase metade da vila se tornou cristã", ele disse.

População empobrecida

O pastor Khampet falou que as vacas e os frangos asiáticos têm recebido mais atenção do que os vilarejos pobres. Essa foi a primeira vez eles que viram agentes de ajuda humanitária e um repórter.

Através de um intérprete, o pastor emocionado disse a esses visitantes cristãos que sua vila nunca havia recebido ajuda antes. A sua igreja permanece inacabada, no topo de uma colina pantanosa.

Além das Bíblias, os cristãos de Laos carecem de atendimento médico. Nesta visita, o CFI levou um médico, uma enfermeira e um dentista, além de material médico e brinquedos para as crianças.

Longas filas

Assim que souberam da chegada dos estrangeiros, longas filas de pessoas, incluindo budistas, se formaram do lado de fora da igreja, na esperança de encontrarem um médico pela primeira vez. O diretor da CFI, Jim Jacobs, disse que, quando era necessário, eles arrancavam um dente, porque era provável que as pessoas não receberiam um dentista tão cedo para continuar qualquer tipo de tratamento. Eles distribuíram remédio para malária, que é a causa de muitas mortes.

Enquanto as consultas aconteciam em um hospital sujo, quente e improvisado, as crianças começaram a cantar músicas de "reavivamento" em lao. Em outro lugar da vila, os norte-americanos as ensinaram a falar e a cantar "Deus é bom", em uma tentativa de ajudar a superar a angústia das famílias sob perseguição.

O poder do governo

Jim Jacobson explicou que a prática do cristianismo é uma ameaça ao poder do governo e à ideologia do estado. Ele frisou que o governo proíbe os estrangeiros de semearem o cristianismo, e os que são pegos distribuindo material religioso podem ser presos ou deportados. Agentes de direitos humanos dizem que os cristãos são torturados e presos por sua fé, mas as autoridades do Laos não responderam a essas acusações.

Jim defende o contrabando de Bíblia para o país se for necessário. Sabendo de alguns críticos que dizem ser esta uma tarefa ilegal, Jim responde: "Eu digo a eles que, de uma perspectiva cristã, é nossa obrigação cumprir a Grande Missão para que qualquer um possa ouvir o Evangelho".

Os cristãos são 1,5 % da nação majoritariamente budista, de mais de 6 milhões de habitantes. A Igreja acredita que o número de cristãos vem crescendo, apesar da opressão do governo. Há pouco tempo, milhares se converteram em vilas remotas, em algo que alguns líderes chamam de um "reavivamento".


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