Pastor nigeriano é preso por abrigar convertido do islamismo

| 15/12/2005 - 00:00


O tempo está se esgotando para o pastor Zacheous Habu Bu Ngwenche. Nas próximas duas semanas ele pode ser preso se não entregar um convertido do islamismo, que foi raptado de sua casa por militantes muçulmanos em setembro.
 
O pastor de 31 anos, da Igreja do Evangelho Quadrangular em Akwanga, Estado de Nasarawa, foi detido duas vezes em setembro por abrigar um muçulmano que se converteu ao cristianismo. Na segunda prisão, ele passou sete dias numa cela em Lafia, a capital do estado.
 
Uma das ovelhas de Zacheous, Adamu Bello, havia ido ao Estado de Bauchi para proclamar Cristo entre os muçulmanos. Na vila de Bura, Adamu pregou a Bature Suleimanu Idi, um muçulmano que, em janeiro, entregou sua vida a Cristo. Sentindo que a vida de Bature corria perigo por ter se tornado cristão, Adamu o mandou para Akwanga, para se refugiar na casa de Zacheous.
 
Em agosto, muçulmanos xiitas de Akwanga descobriram que Bature havia se convertido ao cristianismo. Eles, então o seqüestraram, no dia 10 de setembro.
 
"Bature foi raptado na frente da minha casa e depois foi levado para a mesquita dos xiitas, na estrada Wamba, em Akwanga", contou Zacheous. "Eu fui e me encontrei com os líderes da comunidade muçulmana da cidade, para protestar contra o rapto. Mas eles afirmaram que eu detinha Bature contra a sua vontade e estava lhe ensinando o cristianismo sem o consentimento de seus parentes".
 
Os líderes muçulmanos levaram o assunto à polícia, que prendeu Zacheous. Interrogando Bature e ele, a polícia descobriu que Bature decidiu se tornar um cristão por vontade própria.
 
Porém, a polícia disse que o caso era "muito delicado por causa da natureza instável das questões religiosas na Nigéria" e levou Zacheous e Bature ao distrito policial de Lafia. No departamento de investigação criminal, o comissário os interrogou e só descobriu o que a polícia de Akwanga sabia - que a conversão de Bature foi voluntária e não forçada.
 
A polícia os libertou, mas instruiu Zacheous a preparar a volta de Bature para sua cidade natal em Ningi. Entretanto, Bature disse à polícia que não iria voltar para sua vila, já que sua família iria matá-lo por ter renunciado ao islamismo.
 
Raptado de novo

Depois de Zacheous e Bature terem voltado para Akwanga, os militantes raptaram Bature mais uma vez, no dia 12 de setembro. No mesmo, dia Zacheous denunciou o rapto na delegacia de Akwanga. A polícia disse para ele voltar para casa, mas que avisasse no dia seguinte, caso Bature não voltasse.
 
"Eu voltei no dia seguinte à delegacia porque Bature não tinha voltado para casa", Zacheous falou. "Fui detido pela polícia e fiquei preso na delegacia."
 
A polícia o levou de novo a Lafia, onde o deixaram preso por sete dias. Sua igreja o ajudou a pagar a fiança.
 
"Agora me disseram para entregar o muçulmano convertido, mesmo com a polícia sabendo que foram os muçulmanos que raptaram Bature", disse Zacheous. "Meu medo é que ele seja morto. Organizamos equipes de busca para ajudar a resgatar Bature".
 
A polícia disse a Zacheous que, se ele não entregasse Bature antes do fim do ano, correria o risco de ser levado de volta à prisão.
 
Embora não sejam maioria, os muçulmanos têm comunidades grandes no Estado de Nasarawa. Algumas autoridades no Estado fizeram campanha para que a "sharia" fosse imposta, como aconteceu em 12 Estados no norte, mas não tiveram sucesso.
 
Oposição ao Reino

Zacheous, também um ex-muçulmano, se tornou cristão quando jovem e desde então seguiu o chamado missionário. Depois de se formar na escola de missões da Igreja do Evangelho Quadrangular, ele decidiu que seu primeiro campo missionário seria sua família; seus pais muçulmanos foram os primeiros a se converter.
 
"Os membros de minha família se tornaram os primeiros membros da igreja que plantei na minha vila", ele acrescentou.
 
Em abril de 1997, ele plantou a Igreja do Evangelho Quadrangular de Nasarawa na vila de Aban, que hoje tem cerca de 100 membros. Ele também plantou uma igreja em Agyaga com 60 membros; a da vila de Ningo tem 20 membros; e a da vila de Goho tem 25 membros. Outras vilas onde suas igrejas estão florescendo são Ninga, Anjida, Andaha e Buku.
 
No total, Zacheous plantou 18 igrejas em oito anos, que contam com mais ou menos 300 membros. Enquanto prepara 26 pastores, bem como missionários trabalhando em 22 áreas, Zacheous tem visto a oposição se levantar contra o trabalho missionário.
 
"Em 1989, eu plantei duas igrejas nas vilas de Nunku e Nunku Chu", ele afirmou. "Essas vilas eram muçulmanas. Fui frustrado lá; fui espancado pelos muçulmanos, nossa igreja foi atacada e tudo o que tínhamos foi destruído".
 
Os 15 membros da igreja em Nunku, incluindo os 14 convertidos do islamismo, se espalharam. Da mesma forma, os 25 membros da igreja em Nunku Chu, dos quais 15 haviam sido muçulmanos, se dispersaram. As duas igrejas existiram apenas por um ano.
 
Por causa da oposição que enfrentou nessas duas vilas, Zacheous se mudou para Akwanga, onde plantou a igreja que lidera. Dos seus 34 membros, três são convertidos do islamismo.


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