Família iraniana deportada da Turquia consegue asilo nos EUA

| 14/12/2005 - 00:00


Os Estados Unidos concederam asilo em caráter emergencial a uma família de quatro cristãos iranianos que enfrentavam dificuldades na Turquia desde outubro, após terem recebido ordem de deportação.

Na primeira semana de dezembro, Zivar Khademian e seus três filhos, todos adultos, foram inscritos nos Estados Unidos num programa de orientação cultural de três dias para concessão de asilo sob a proteção da ICMC (International Catholic Migration Commission), em Istambul.

Simultaneamente, foram emitidas para a família identidades temporárias da ICMC, confirmando o status de asilados sob o programa americano de refugiados. Os novos cartões de identidade foram os primeiros documentos escritos confirmando formalmente o status de refugiados, embora, em 10 de novembro, tivessem sido informados que seriam aceitos, através de um telefonema do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (UNHCR - United Nations High Commissioner for Refugees) em Ancara.

Todos da família passaram por avaliação médica, a pedido do governo americano, como é de rotina para todos os que querem se refugiar nos Estados Unidos.

A viúva Khademian, junto com a sua filha Fatemeh Moini, de 19 anos, e seus filhos Hossein e Kazem Moini, ambos já com quase 30 anos, tiveram que fugir para a Turquia em janeiro de 2003. Eles foram batizados às escondidas em uma igreja evangélica em Teerã, poucos dias antes de deixarem o Irã.

Chegando à Turquia, a família teve, em duas ocasiões, o pedido de asilo recusado pelo UNHCR, apesar de sua condição de ex-muçulmanos convertidos ao cristianismo. Sob as leis rígidas do islã, qualquer um que abandone a fé muçulmana deve enfrentar a pena de morte.

Kazem Moini foi preso por seis meses em Teerã depois de ser pego duplicando fitas cristãs, e um parente muçulmano fundamentalista da milícia Bsaij exigia que Fatemeh Moini fosse dada em casamento como cumprimento da promessa feita pelo pai dela, já falecido.

Posteriormente, a família também obteve uma cópia do pedido de prisão emitido em outubro do ano passado pela Suprema Coorte do Irã contra Zivar Khademian por apostasia.

Embora, em fevereiro passado, a família tivesse recebido uma carta de rejeição da UNHCR dando o caso por encerrado, as autoridades turcas adiaram a ordem de deportação por seis meses, em resposta ao pedido de uma igreja canadense que tinha esperança de patrocinar a família. Mas, quando venceu a prorrogação do prazo, a família recebeu ordem para deixar a Turquia até 20 de outubro, caso contrário, seria forçada a voltar para o Irã, onde provavelmente enfrentariam a prisão e até mesmo a pena de morte.

Depois de um apelo formal à UNHCR pelo programa de assistência legal Helsink Citizens Assembly Refugee, em Istambul, os Estados Unidos intervieram diretamente, convocando a família para uma entrevista em Istambul, quatro dias depois de expirado o prazo para que eles deixassem o país.

Embora a família não tenha recebido nenhuma indicação de quando serão transferidos para os Estados Unidos ou de onde serão assentados, a eles foram instruídos a contatar a International Organization for Migration (IOM) a cada quarta-feira para tentar agendar a partida nos vôos marcados para partir de Istambul.

"Por causa das cotas anuais de asilo, é pouco provável que a família deixe o país antes do final de dezembro", o responsável pelo caso na Helsinki Citizens Assembly disse ao Compass.

Enquanto isso, as autoridades policiais de Kastamonu, cidade na região central da Turquia onde a família foi enviada para morar nos últimos dois anos, chamaram Kzem Moini há dez dias, pedindo para que ele voltasse para pegar sua permissão de residência. De acordo com o oficial, a permissão tinha vindo de Ancara para dar procedimento aos vistos de saída da Turquia.

Além disso, Hossein Moini foi notificado de que deveria retomar seus exames médicos no Hospital Americano de Istambul na semana retrasada.

Mas uma vez que os exames sejam concluídos e a permissão de residência seja retirada, a família precisará somente aguardar pelas notícias vindas de um telefonema, confirmando seus lugares reservados no tão aguardado vôo para uma nova vida.


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