Cristãos enfrentam ameaças de ataques terroristas

| 26/11/2005 - 00:00


A força policial da Indonésia começou a tomar medidas de segurança para se prevenir de possíveis ataques contra igrejas e cristãos durante o Natal, isso porque os cristãos tornaram públicas suas queixas sobre a indiferença das autoridade em relação à presente perseguição.

Conforme "AsiaNews", Sutanto, chefe geral da polícia nacional indonésia, emitiu uma ordem para todo o território nacional, pedindo que as medidas de segurança já se adiantassem em torno das igrejas e outros edifícios públicos, impossibilitando qualquer ofensiva terrorista que possa ocorrer durante a época de Natal.

A ordem veio por causa das terríveis decapitações e dos tiroteios ocorridos durante as últimas semanas na área religiosamente dividida de Poso, Sulawesi Central.

No mês passado, três adolescentes cristãs foram decapitadas. Em menos de dez dias, dia 8 de novembro, outras duas garotas foram baleadas na mesma área, apesar da tropa de mil homens, enviada pelo presidente indonésio Susilo Bambang Yudhoyono, para resguardar a cidade perturbada.

Apesar de não haver prova sobre uma conexão entre os dois acontecimentos, foi encontrado, junto com as cabeças das três garotas, uma nota escrita que dizia: "Outros cem adolescentes cristãos serão mortos". Esse bilhete alarmou a polícia.

Respondendo ao alerta de segurança da polícia para o Natal e Ano Novo, o grupo de direitos humanos International Christian Concern (ICC) criticou o governo indonésio por "não progredir e até favorecer outras formas de perseguição contra os cristãos em toda a Indonésia".

Conforme uma declaração do ICC, as medidas de segurança são "necessárias, apreciadas e maravilhosas", mas não abordam o problema real. Segundo o grupo, o problema reside no sistema legal e governamental.

"Nos últimos dois anos, cerca de 40 incidentes violentos dirigidos aos cristãos na área de Poso - assassinatos, esfaqueamento e bombardeios - passaram em branco, sem prisões ou condenações", o ICC notou. E pior: enquanto a investigação das decapitações estava sendo feita, o ICC disse que o exército indonésio libertou os suspeitos depois do mandato de sete dias. Eles foram detidos de novo pela unidade policial.

A instituição disse haver uma razão para suspeitar da provável "conspiração do governo" por trás das perseguições.

"Em Java Ocidental, houve por volta de 60 igrejas cristãs sendo fechadas nos últimos seis meses. Militantes islâmicos trabalham com a polícia e com funcionários públicos para interditar igrejas", o ICC afirmou, dizendo que possui documentos que comprovam o fato.

No país islâmico mais populoso do mundo, os cristãos indonésios continuam a sofrer discriminação na lei. Por exemplo: enquanto os muçulmanos cultuam de forma livre, independente da hora ou do lugar, "os cristãos não podem obter permissão para construir igrejas, sendo assim forçados a se reunir em casas, escritórios ou hotéis, violando o decreto SKB-69 (que regulamenta locais de culto)", disse o ICC.

O grupo de direitos humanos se mostrou desapontado em relação aos pronunciamentos do governo indonésio sobre a proteção da minoria cristã, já que "houve poucos resultados concretos".

No fim de sua declaração, o ICC disse: "A fim de se obter uma mudança efetiva em um governo onde muitos líderes-chave são muçulmanos radicais, a comunidade internacional deve aplicar um esforço concentrado para trazer uma luz a essa situação chocante".

De acordo com AsiaNews, a polícia de Palu acusou os criminosos de "direcionar suas ações a outras áreas, já que falharam na tentativa de acender o conflito religioso em Poso", acrescentando que o ataque foi "orquestrado por uma máfia organizada".

Como parte das medidas de segurança para as festividades de Natal, a polícia indonésia fará batidas policias, exigindo que os chefes de vilas informem a presença de qualquer pessoa de fora, que passe mais de 24 horas em sua comunidade. A polícia em Jacarta também formará um inventário das igrejas programando celebrações de Natal e Ano Novo, a fim de enviar as forças de segurança apropriadas.


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