Família cristã acusa muçulmano de seqüestrar sua filha

| 28/11/2005 - 00:00


Na semana passada, arriscando perder a honra familiar, um casal cristão egípcio tornou público o desaparecimento repentino de sua filha sob circunstâncias questionáveis.
 
Após incluir Heba Nabil Narouz Ghali, de 21 anos, nos informes de "pessoas desaparecidas" no jornal e por toda a televisão nacional, a família Ghali identificou e acusou um muçulmano de ter seqüestrado sua filha há sete semanas.
 
Um artigo de 10 de novembro no jornal semanal "El-Wafd" declarou que a jovem foi vista pela última vez em 28 de setembro, saindo do trabalho em um supermercado local, em Sheikh Zayid, um bairro da Cidade do Cairo.
 
A família Ghali também divulgou a foto de sua filha e uma solicitação por informações em uma transmissão no dia 11 de novembro, no canal 3 da televisão.
 
Em uma entrevista a Compass, o pai da garota desaparecida, Nabil Narouz Ghali, disse que quando sua filha não voltou do trabalho, por volta das 22 horas, do dia 28 de setembro, a família telefonou para o hipermercado, onde a moça trabalhava desde fevereiro.

Os funcionários disseram que a jovem cristã havia deixado o trabalho e tomado o ônibus às 20h30, como sempre fazia.
 
Contudo, quando a família Ghalis foi ao supermercado no dia seguinte, recebeu a notícia de que a filha do casal havia se demitido. Além disso, seus companheiros de trabalho e o supervisor lhes deram relatos conflitantes sobre quando ela havia pedido demissão.
 
Os colegas de trabalho de Heba Ghali disseram que ela notificou dois dias antes e declararam que seu supervisor não estaria no supermercado até às 17 horas daquele dia. Entretanto, dentro da loja, o casal esteve pessoalmente com o supervisor, que declarou que a filha deles havia se demitido no dia anterior.
 
"Enquanto estávamos lá, uma das amigas de minha filha, que dizia ser cristã, veio até mim e disse-me: Sua filha se converteu ao islamismo,", contou Nabil Ghali a Compass. "Posteriormente, descobrimos que essa moça na realidade não era cristã".
 
A fim de verificar essa alegação, Nabil Ghali entrou em contato com o padre de sua paróquia. O clérigo checou com um colega envolvido em sessões de aconselhamento solicitadas pelo governo para cristãos que desejam se converter ao islamismo.
 
Mas, nenhum dos clérigos coptas obtive qualquer informação sobre a suposta conversão de Heba Ghali.
 
Após o período de espera de 24 horas exigido por lei, Nabil Ghali informou o desaparecimento de sua filha à polícia na delegacia da cidade Seis de Outubro, dois dias após Heba ter desaparecido.
 
O oficial de plantão chamou um informante em Sheik Zayid, o qual constatou que Heba Ghali era freqüentemente vista em companhia de amigos muçulmanos. Então, o oficial se recusou registrar a notificação de seqüestro e somente registrou que a garota estava desaparecida.
 
O policial também visitou o hipermercado e retornou com a o pedido de demissão do trabalho da jovem desaparecida. O documento, mostrado a Compass, não continha nem a assinatura exigida, nem o carimbo do gerente do supermercado.
 
Apesar de a família Ghali ter insistido em que a caligrafia na demissão não era a mesma do formulário de solicitação de emprego de Heba Ghali, a polícia recusou-se enviar os documentos para que um especialista em caligrafia os examinasse. 
 
"Na verdade, não era necessário verificar a caligrafia com um especialista", comentou o advogado da família Ghali, Athanasius William: "É óbvio que a caligrafia nos dois documentos é muito diferente".
 
Ela tinha um relacionamento muito bom com toda a família, contou Nabil Ghali a Compass: "Ela não fugiria de nós e nunca mencionou que tinha amigos muçulmanos".
 
Com seu pai enfrentando problemas de saúde, seu irmão ainda na escola e sua irmã mais velha casada, Heba Ghali era um dos principais arrimos de sua família.
 
A família Ghali mostrou a Compass uma carta manuscrita que eles receberam cinco dias depois do desaparecimento de sua filha.
 
Cheia de insultos e obscenidades, a carta declarava que sua filha havia tido um caso com um homem chamado Mahmoud Mustafa Ali e tinha fugido para se casar com ele. Incluía o número do telefone celular e do telefone fixo de Ali e incitava a família a recuperar sua filha.
 
Nabil Ghali telefonou para Ali, que admitiu ter conhecido Heba enquanto entregava produtos no supermercado em que ela trabalhava. Mas, informou não ter conhecimento do desaparecimento da jovem.
 
Ao obter o endereço de Ali através da companhia telefônica, Nabil Ghali solicitou a ajuda de um amigo muçulmano e foram visitar Ali em 10 de novembro.
 
Os dois homens não encontraram Ali em casa, mas souberam pela sua ex-esposa que Heba Ghali havia se convertido ao islamismo e se casado com ele. A esposa admitiu ter se divorciado de Ali antes que ele e sua nova esposa se mudassem para a parte alta do Egito, disse Nabil Ghali.
 
No dia seguinte, uma fonte da força policial contou para Ghali que sua filha havia se convertido ao islamismo no centro islâmico Al-Azhar da Cidade do Cairo.
 
"A jovem tem mais de 21 anos. Ela tem o direito de casar-se e converter-se sem a permissão da família", disse William, o advogado da família. "Entretanto, eles têm o direito de confirmar que a conversão e o casamento foram feitos legalmente e sob o livre arbítrio de sua filha".
 
"Ninguém me apóia, nem o padre, ninguém", disse Nabil Ghali em lágrimas. "Só quero a minha filha de volta. Ela é uma boa menina".
 
Em 13 de novembro, a família Ghali conseguiu uma cópia do certificado de conversão de Heba Ghali, datada de 28 de setembro, através de um contato na força policial. Eles planejam verificar com vários padres envolvidos nas sessões de aconselhamento pré-conversão para confirmar a autenticidade do documento.
 
Na próxima semana, o advogado William também planeja registrar boletim de seqüestro contra Ali.
 
"Isso significa que, legalmente, a polícia deve encontrar a garota e trazê-la para ver sua família", comentou ele. 
 
Contudo, William apressou-se em mencionar que, mesmo se a família Ghali puder ver sua filha, talvez eles nunca descubram a verdade sobre seu desaparecimento. 
 
"Tais encontros sempre acontecem na delegacia de polícia e a garota geralmente está encoberta e cercada por homens e oficiais da polícia.eu somente soube de um em que a garota teve coragem de dizer que foi levada pela força".
 
Relatos de seqüestros e conversão forçados de jovens cristãs são comuns na comunidade copta do Egito.
 
Algumas jovens se apaixonam por homens muçulmanos e voluntariamente deixam suas famílias e se convertem ao islamismo a fim de fugir da pobreza e tristes situações familiares.
 
Entretanto, na semana passada, o governo americano admitiu que "há relatos plausíveis de que as autoridades governamentais fracassaram em cooperar com as famílias cristãs que procuram reaver a custódia de suas filhas". A declaração veio do Relatório Anual sobre Liberdade Religiosa do Departamento Estatal a respeito do Egito.
 
A polícia de segurança do Egito, a Investigação de Segurança Estatal (SSI), tipicamente alega proteger as jovens em situações em que suas famílias de origem declaram pretender matar a filha convertida a fim de "guardar a honra da família".
 
Sem a cooperação policial, as famílias têm dificuldade em descobrir os motivos de cada conversão.
 
Em maio, numa situação parecida, a cristã copta Marianna Attallah, de 20 anos, desapareceu enquanto realizava atividades externas em El-Fayoum. Os oficiais da SSI disseram ao pai e ao noivo de Marianna que ela havia se convertido ao islamismo e solicitaram que cessassem de procurá-la.


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