Pastor é solto da prisão depois de sofrer ataque de nervos

| 18/11/2005 - 00:00


Aproximadamente 10 meses após o pastor Oqbamichael Tekle-Haimonot ter sido preso durante um casamento na Eritréia Ocidental, as autoridades do centro de treinamento militar de Sawa soltaram o líder evangélico enfermo sob fiança.
 
Ministro da Igreja Kale Hiwot (Palavra da Vida), Oqbamichael Haimonot havia sofrido um severo ataque de nervos em maio passado, após ter sido submetido à solitária, trabalhos pesados e outros maus tratos físicos e emocionais em Sawa.
 
Mas a saúde do pastor evangélico tem melhorado significativamente desde que ele foi liberto em outubro passado. "Ele está de bom humor", confirmou nesta semana um colega protestante.
 
As condições de liberdade sob fiança para o pastor requereram que este assinasse um documento (preparado pelas autoridades militares) prometendo que não participaria de nenhuma reunião cristã ilegal no futuro.
 
Desde maio de 2002, o governo da Eritréia proibiu qualquer encontro religioso, a não ser aqueles das igrejas oficiais reconhecidas - Ortodoxa, Católica, Luterana e Islâmica - fechando todas as igrejas independentes. As autoridades chegaram a invadir reuniões de oração de pequenos grupos domésticos e cerimônias protestantes de casamento em prédios públicos.
 
O pastor Oqbamichael Haimonot foi preso em Barentu, em 9 de janeiro, com outros dois pastores evangélicos e 64 membros de suas igrejas. Todos eles foram depois enviados para o centro de treinamento de Sawa para a "punição militar" por participar de "atividades religiosas ilegais". O grupo de crentes estava acompanhando a noiva para a cerimônia de casamento, quando a polícia de segurança interrompeu o cortejo e prendeu a todos, inclusive a noiva e o noivo.
 
Em quatro meses, muitos idosos e crianças que estavam entre os presos foram libertos depois de pagarem considerável quantia de fiança. Entretanto, o pastor Oqbamichael e outros cinco evangélicos tiveram a liberdade negada.
 
Os cristãos presos em uma batida policial realizada contra 25 membros da Igreja Kale Hiwot, na sua sede em Asmara, cinco semanas atrás, foram todos libertos sob fiança do distrito policial número 5, na capital, na manhã de 8 de novembro.
 
Esses prisioneiros protestantes foram instruídos a solicitar a alguém para pagar a fiança por eles, e, depois, a assinar uma declaração pronta, prometendo que não iriam participar de nenhuma reunião cristã não registrada no futuro. Todas as mulheres e algumas outras pessoas presas na batida em Kale Hiwot foram libertas anteriormente, depois de três semanas de interrogatório contínuo.
 
As libertações recentes fazem com que baixe para 1.752 o número total de cristãos da Eritréia presos em distritos policiais, acampamentos de treinamento militar e prisões, sob o regime do presidente Isaias Afwerki. Pelo menos 26 pastores protestantes que dedicam seu tempo totalmente para o ministério e clérigos da Igreja Ortodoxa estão entre estes, alguns mantidos em celas clandestinas e em containeres sob condições torturantes.
 
Até mesmo a Igreja Ortodoxa da Eritréia, existente desde o quarto século, está sob fogo direto do governo desde agosto, quando o patriarca Abune Antonios foi destituído de sua autoridade eclesiástica e afastado da participação em cerimônias. O patriarca permanece sob custódia domiciliar por ter protestado contra a prisão de três pastores ortodoxos ordenados e por resistir à interferência do governo em assuntos da igreja.
 
O papa Shenoudah III, mentor espiritual da Igreja Orotdoxa Copta, recusou-se a comentar publicamente o ocorrido com o patriarca da Eritréia. Mas em setembro, sua revista oficial, "El Keraza", divulgou que "o problema do patriarca da Eritréia é motivo de preocupação de todas as igrejas do mundo".
 
O prelado copta do Egito encaminhou ao clérigo da Igreja Ortodoxa um pedido de oração pelo patriarca Antonios durante essa "grande tribulação".


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