Evangélicos recebem ameaça de linchamento

| 07/10/2005 - 00:00


A direção geral das Associações Religiosas do Ministério do Interior ordenou à Subsecretaria de Governo que intervenha na comunidade de San Nicolás, no município de Ixmiquilpán, a cerca de 270 quilômetros ao norte da Cidade do México, para evitar que católicos cumpram as ameaças de linchamento contra um grupo de evangélicos.

O titular do setor de Normatividade do Ministério do Interior, Francisco Javier Fernández Perroni, pediu ao subsecretário do Governo, Francisco González Vargas, para que os direitos e garantias constitucionais dos membros da Igreja Bethel sejam respeitados.

A crise entre a maioria católica e uma minoria evangélica teve início no início deste mês, depois que os moradores católicos da comunidade de 8 mil habitantes concordaram em expulsar os evangélicos do povoado e confiscar o prédio onde iriam construir templo.

Segundo a revista "Proceso", depois das ameaças dos católicos de novos linchamentos na comunidade de San Nicolás, as autoridades federais solicitaram que respeitem os direitos da minoria protestante.

O prefeito da localidade, Carlos Felipe Hernández, disse que vai manter a polícia por perto enquanto a Subsecretaria do Governo tenta solucionar o conflito constituindo uma mesa de diálogo.

Os moradores católicos determinaram que os evangélicos abandonem a região num prazo máximo de 30 dias. Do contrário, disseram, correm o risco de ser detidos e enforcados.

Os protestantes acusam os católicos e as autoridades de violarem a Constituição e a Lei de Associações Religiosas e Culto Público, que estabelecem como direito do indivíduo a livre escolha de crença religiosa.

No último dia 22 de agosto foi registrado outro incidente de intolerância religiosa, quando católicos impediram que Ponciano Rodríguez, líder evangélico, fosse sepultado no cemitério de San Nicolás.

O caixão ficou exposto durante dois dias em praça pública até que a comunidade vizinha de Cerritos permitiu que o enterro ocorresse em seu cemitério.

Os conflitos religiosos não são novos em San Nicolás, onde foi firmado, em 2001, acordo de paz assinado por católicos e evangélicos. O Estado de Hidalgo, ao qual pertence o povoado, registrou nos últimos anos um notável crescimento do número de protestantes, em sua maioria indígenas que renunciaram ao catolicismo.


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