Mulher sofre com o seqüestro dos filhos

| 20/09/2005 - 00:00


Há um ano Maria Samar, paquistanesa cristã, passou pela segunda experiência traumática de seqüestro em sua vida.

Seus filhos Joshua e Miriam, na época com 5 e 3 anos, foram roubados de uma corte em Lahore pelo pai muçulmano Adbul Ghaffar. O mesmo homem que tinha seqüestrado Maria, comprando-a de seu tio pelo equivalente a US$ 2.000,00 quando ela tinha apenas 17 anos, sendo obrigada a se casar e a tornar-se muçulmana contra a sua vontade.

Nenhuma pista levou ao paradeiro das crianças desde que a juíza Khizer Hayat Gohndal emitiu um mandato de prisão contra Ghaffr, no dia 2 de outubro do ano passado.

"Sinto muitas saudades e choro muito por eles", disse Maria ao Compass ao falar do último ano sem os filhos. "Noutra noite eu lembrei de como eles eram fazendo suas travessuras, de como eles riam. Isso me entristeceu, e eu oro pela segurança deles e que estejam a salvo quando retornarem".

O advogado dela, Tahir Gul, do Centro para Assistência Jurídica (CLAAS) em Lahore, está confiante que caso Ghaffar seja preso ele não obterá a custódia das crianças.

"No Paquistão, normalmente os juízes são parciais contra os cristãos, e os muçulmanos quase sempre têm vantagem numa disputa nos tribunais", disse Gul ao Compass. Mas, nessa situação, afirmou ele, a própria corte é queixosa, pois as crianças foram seqüestradas quando estavam sob sua custódia. Sendo assim, é pouco provável que Ghaffar vença.

Mas achar Ghaffar tem sido difícil, e até agora o delegado Ijaz Jumboh não obteve sucesso em prendê-lo. Ghaffar e sua família simplesmente desapareceram, disse Gul. "Não existem pistas até o momento".

Essa não é a primeira vez que Maria encontra-se numa situação desfavorável. Depois de escapar da casa de Ghaffar há cinco anos, ela passou por dificuldades para encontrar um advogado que cuidasse de seu caso, por causa da ligação de seu marido com o partido político Sipahe-eSabah na cidade de Gujranwala, perto de Lahore. Mesmo seu próprio pai e irmãos a deixaram depois que Ghaffar ameaçou vingar-se da família casos eles a ajudassem.

Em dezembro de 2000, CLAAS concordou em ajudar Maria entrar com o pedido de divórcio e entrou com pedido de abrigo para mulheres que sofrem abuso.

Um parecer do ano de 2003 citou a conversão e o casamento forçados como base para dissolver o casamento.

Mas em resposta, Ghaffar entrou com processo para obter a custódia dos dois filhos, alegando que os dois eram oficialmente considerados muçulmanos e não deveriam ser criados como cristãos.

Embora esse caso estivesse em andamento quando Ghaffar seqüestrou Joshua e Miriam da corte no dia 13 de setembro de 2004, foi retirado pelos próprios advogados dele.

O maior medo de Maria é que Joshua e Miriam tenham esquecido de Jesus. Ela lembra o fato de ela ter sofrido agressões físicas de seu marido e de sua sogra por se recusar a decorar o Corão durante os dois anos em que ela passou enclausurada em sua própria casa.

 "Eu passei os ensinamentos cristãos para os meus filhos", disse ela, que está melhorando suas habilidades em costura na esperança de poder sustentar financeiramente seus dois filhos. "Eu acredito que eles irão se lembrar de tudo que eu ensinei e não irão aprender o que Ghaffar tentou passar para eles".

Um ano depois do desaparecimento de seus filhos, ela acredita que só um milagre poderá trazê-los de volta. "Estou certa de que toda mãe sabe o que é viver sem seus filhos. Peço que todas as mães orem de forma especial pelo retorno seguro das crianças. Por favor, orem para que esta mãe tenha seus filhos de volta".


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