Polícia eritréia interrompe outra festa de casamento

| 19/09/2005 - 00:00


A polícia eritréia prendeu um casal de noivos da banida Igreja Aleluia, junto com os 18 convidados para o casamento na noite de 4 de setembro, arrastando-os para a cadeia porque eles são "pentes" (pentecostais), afirmaram as autoridades.
 
As 7 mulheres e os 13 homens estavam participando de uma cerimônia de casamento particular na casa da noiva, quando a polícia de Asmara invadiu a casa.
 
Invadindo a tradicional tenda de casamento do noivo, Mengesteab Tesfamariam, a polícia o levou sob custódia junto com sua noiva, Berekti Keshi Almaze, padrinhos e madrinhas.
 
Presos na Delegacia nº5 em Asmara, os 20 prisioneiros incluíam dois líderes importantes da Igreja Aleluia, Aklilu Habteab e Kashay Imbaye, bem como Zerit Gebreneguse, um evangelista da Igreja Filadélfia.
 
A Igreja Aleluia, conforme foi dito, tem tomado cuidado para evitar atrair a atenção dos policiais locais, que nos últimos meses têm agravado seus ataques a casamentos realizados por congregações protestantes que foram fechadas. A cerimônia de domingo foi realizada em uma casa particular, apenas com uns poucos amigos convidados e sem qualquer um dos avisos e notícias comuns de atividades cristãs.
 
Mas de alguma forma a polícia soube do casamento, chegando justamente quando a cerimônia estava começando. Além disso, os parentes e amigos dos convidados presos não tiveram permissão para ter acesso aos prisioneiros.
 
Um total de17 pastores protestantes estão agora presos na Eritréia, onde os adoradores de qualquer comunidade cristã que não sejam as igrejas Ortodoxa, Católica ou Luterana, reconhecidas pelo governo, estão sujeitos à prisão desde maio de 2002.
 
Sabe-se que pelo menos 1.000 membros de igrejas evangélicas estão sob custódia nas prisões, estações policiais e campos de confinamento militar em toda a Eritréia por se recusarem, depois de presos, a assinar documentos rejeitando sua fé. Muitos estão mantidos em solitárias e sujeitos a espancamentos regulares e outras mais severas formas de tortura.
 
Governo nega a demissão de patriarca

Ao mesmo tempo, Compass confirmou que Abune Antonios, patriarca da Igreja Ortodoxa da Eritréia, permanece "suspenso de todas as suas posições", sob prisão domiciliar. As autoridades locais ordenaram ao patriarca para restringir seus movimentos e atividades religiosas à sua residência e à Igreja Ortodoxa St. Mary em Asmara, a uma caminhada de 10 minutos da sua casa.
 
Semana passada, entretanto, o patriarca Antonios saiu do isolamento para assinar o livro público de condolências pela morte súbita do ministro do Exterior Ali Said Abdella. De acordo com várias fontes em Asmara, essa suspensão temporária da prisão domiciliar do patriarca foi "um truque do governo" para fazer a comunidade ortodoxa achar que o prelado ainda estava presidindo os assuntos da igreja.
 
"A verdade é que toda a Igreja Ortodoxa está agora sob o comando total de Yeftehe Dimetros," confirmou uma fonte local, descrevendo o ex-administrador como um "indicado político", sem o status necessário de um clérigo ordenado.
 
No dia 31 de agosto, o ministro de Informações da Eritréia, Ali Abdu, negou reportagens que estavam circulando entre os eritreus que vivem na Europa e nos Estados Unidos, as quais declaravam que o regime do presidente Isaias Afwerki havia demitido o patriarca ortodoxo no dia 7 de agosto.
 
Insistindo que o patriarca Antonios ainda estava em seu posto, Ali Abdu disse à agência France-Presse: "Nosso sistema de estado é secular, o qual está separado da religião. O sínodo que elege o patriarca é uma unidade soberana".
 
Mas fontes locais, contatadas pelo Compass, declararam que o patriarca foi deposto e esvaziado de sua autoridade clerical por fazer objeções à interferência governamental nos assuntos da igreja e protestar  contra a prisão de três padres.
 
De acordo com reportagem do dia 23 de agosto no site do "Asmarino Independent News", Dimetros havia viajado para o Egito no fim de julho para uma tentativa mal-sucedida de convencer o Papa copta ortodoxo Shenoudah III a substituir Abune Antonios como o chefe da Igreja Ortodoxa Eritréia.
 
Até agora, o gabinete do Papa Shenoudah se negou a fazer comentários públicos sobre essa questão. Entretanto as leis canônicas da igreja proíbem o estabelecimento arbitrário de um patriarca, tradicionalmente eleito com uma ordenação vitalícia.


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