Polícia obstrui busca por jovem cristã desaparecida

| 13/09/2005 - 00:00


Três meses depois que a filha de 20 anos desapareceu quando executava um trabalho, o cristão copta Rezk Shafik Attallah continua convencido de que ela foi seqüestrada por um ex-policial.

Attallah disse que sua filha Marianna Rezk wshafik Attallah deixou o trabalho no dia 30 de maio no laboratório médico Al-Raay, em El-Fayoum, 100 quilômetros ao sul do Cairo, para colher material para exame na casa de um paciente. Nem sua família nem seu noivo obtiveram notícias dela desde então.

Como ela não voltou para casa, seu noivo, Bishoy Hosni, foi procurá-la no trabalho. Mohammed Salah Noman, proprietário do Centro de Computação Noman, vizinho do Laboratório Al-Raay, disse que Ali Mahmoud Abdel Rasoul, um muçulmano seu empregado, tinha seqüestrado a jovem.

Segundo informações, Rasoul, que esteve dava manutenção nos computadores do laboratório, foi exonerado da polícia por "mau comportamento".

Depois de ouvir essa informação, Attallah preencheu um formulário na polícia no dia que a filha desapareceu, apontando Rasoul como suspeito do seqüestro. Os oficiais de plantão, porém, recusaram-se a registrar o caso.

Ao mesmo tempo, um inspetor do Departamento Estadual de Investigação (SSI) disse que Rasoul arrumou seus pertences e mudou-se para Sohag, cerca 400 quilômetros ao sul do Cairo, levando consigo a filha de Attallah. Ele advertiu porém ao pai e ao noivo da jovem que parassem de procurá-la, afirmando que ela tinha ido embora por sua livre e espontânea vontade.

O noivo continua cético: "Se ela foi por livre vontade, então por que não veio nos dizer?", questiona Hosni.

Logo se espalharam rumores no distrito de El-Fayoum de que Marianna Attallah tinha deixado sua fé cristã e se convertido ao Islã. Mas Hosni nega os boatos, dizendo que durante o noivado ela tinha um relacionamento de proximidade com Deus e um envolvimento ativo na igreja, o que tinha feito com que ele se aprofundasse no entendimento da fé cristã.

Também ficou evidente para ele que a empregadora de Marianna, uma mulher copta chamada Ivon Asaad, estava de alguma maneira envolvida no desaparecimento da jovem.

Formada pela escola local de comércio, Marianna Attallah tinha começado a trabalhar no laboratório em 15 de março, e seu salário de 90 libras egípcias (US$ 15) por mês suplementava a parca renda de alfaiate de seu pai.

Mas os pais da jovem perceberam que algo no trabalho a estava perturbando, fazendo com que ela ficasse sozinha chorando por horas. Assim, apesar das dificuldades financeiras para mantê-la e aos seus quatro irmãos, eles encorajaram Marianna a deixar o emprego. Aliviada, ela demitiu-se no dia 28 de maio. No dia seguinte, Ivon foi visitá-la na casa da família, oferecendo mais do dobro do salário caso ela retornasse ao trabalho.

A oferta era boa demais para ser rejeitada, e ela retornou ao laboratório em 30 de maio. Quando, porém, Hosni mais tarde telefonou para Ivon, questionando as circunstâncias do desaparecimento de sua noiva, dentro de uma hora a polícia intimou a ele e ao pai da moça.

"Por que vocês ligaram para a senhorita Ivon?", perguntou o inspetor a eles. "Não liguem para ela novamente. Marianna não foi seqüestrada. Ela foi embora espontaneamente".

O inspetor continuou a atrapalhar as tentativas da família Attallah de recuperar sua filha. Em 11 de agosto, um oficial de segurança chamou o pai, sugerindo que ele comprasse um telefone celular para que a polícia pudesse entrar em contato assim que tivesse notícias da moça.

Attallah  juntou dinheiro para comprar o telefone e deu o número à polícia. Logo depois o inspetor ligou, dizendo a ele que sua filha estava em Alexandria e prometeu que se ele fosse encontrá-la, poderia trazê-la de volta para casa.

Cheio de esperança, o pai viajou 320 quilômetros ao norte, para Alexandria, onde o inspetor ligou novamente. "Sua filha está do outro lado da rua", disse.

Vendo uma mulher de véu, o pai se aproximou e tentou falar com ela, mas ela correu dele e entrou em um ônibus. Ele a seguiu e tentou falar com ela, mas os outros passageiros acharam que ele estava molestando a mulher e começaram a bater nele, forçando-o a descer do ônibus.

"Eles se divertiam torturando o pobre pai", comentou um ativista dos direitos humanos que entrevistou Attallah no final de agosto.

Apesar de Attallah ter enviado por fax petições sobre o caso de sua filha para o ministro do interior, o escritório do SSI em El-Fayoum e para o papa ortodoxo copta Senoudah III, ele não obteve resposta.

Centenas de moças coptas desaparecem e são dadas como seqüestradas todos os anos no Egito, mas as famílias reclamam que é difícil provar.

Ao mesmo tempo, oficiais de segurança freqüentemente impedem os pais cristãos de ter contato ou acesso às suas filhas quando elas são localizadas. Em vez disso deixam-nas sob custódia do "protetor" muçulmano que as seqüestrou.


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