Congresso retira autoridade de patriarca ortodoxo

| 12/09/2005 - 00:00


Abuna Antonios, da Igreja Ortodoxa Eritréia, teve sua autoridade patriarcal retirada pelo congresso do Santo Sínodo ocorrido em 7 de agosto.

De acordo com uma carta retirada do escritório do patriarca pela repressiva nação oeste-africana, o bispo de 78 anos não foi removido de sua posição. Mas Antonios foi proibido de continuar em suas funções administrativas e até de abençoar sua congregação.

Datada de 9 de agosto, a carta na linguagem Tigrinya foi colocada no site Asmarino Independent News em 20 de agosto.

De acordo com uma declaração, o Santo Sínodo ordenou que o patriarca respondesse por seis acusações, as quais dizem que ele teria sido um obstáculo no trabalho da Santa Igreja Cristã. A lista de acusações incluía sua relutância em excomungar 3.000 membros da Medhane Alem, um movimento ortodoxo de Escola Dominical, e seu pedido para que o governo soltasse alguns dos cristãos traidores presos.

Eleito patriarca apenas há 17 meses, Antonios começou a desafiar a interferência do governo nos assuntos da igreja no começo desse ano. A fé ortodoxa, que constitui cerca de 40% da população, começou a sofrer ingerências quando a mensagem natalina anual do patriarca não foi transmitida em rede nacional de rádio e televisão no dia 7 de janeiro.

Depois, ocorreram várias batidas policiais nos portões de Medhane Alem, e três dos mais importantes líderes dos movimentos ortodoxos foram presos em março. Apesar dos questionamentos patriarcais, o reverendo Futsum Kuluberhan, o reverendo Teklab Mengisteab e o reverendo Gebremedhin Georgis estão ainda presos e incomunicáveis no conhecido centro de investigação de Asmara, Wongel Mermera.

De acordo com a declaração do Santo Sínodo, o congresso para depor o patriarca foi convocado por Yeftehe Dimetros, apontado pelo governo como administrador da Igreja Ortodoxa.

Fontes na Eritréia acusam Dimetros de ter feito todas as acusações contra o patriarca, notando que muitos padres que deram suporte ao líder eleito da igreja têm sido suspensos do escritório e perdido seus salários.

Como político, Dimetros viola cânones centenários da igreja no seu papel. Os artigos 32 e 96 da Constituição da Igreja Ortodoxa da Eritréia requerem que a posição dele seja ocupada por um bispo apontado pelo patriarca.

Rumores estão circulando em Asmara de que o governo do presidente Isaias Afwerki pretende anunciar a eleição de outro patriarca logo. Isso também seria uma direta intervenção na igreja ao estatuir o modo de seleção de um novo patriarca.

Durante um movimento de derrubada do governo que colocou na ilegalidade todas as igrejas protestantes, exceto a luterana, desde maio de 2002, a Igreja Ortodoxa da Eritréia gozou de relativa imunidade como a religião da comunidade mais antiga da nação, datando do quarto século a.C.

Um setor da família oriental ortodoxa, a Igreja Ortodoxa da Eritréia se tornou independente em 1994, seguida da aceitação em 2003 como membro do Conselho Mundial de Igrejas. Juntamente com a fé católica, luterana e muçulmana, é uma das quatro religiões oficialmente reconhecidas na Eritréia.

Como contraste, igrejas evangélicas locais têm sido fechadas nos últimos três anos, com seus pastores e membros submetidos a duras investigações, prisões e torturas por adorarem fora dos prédios da igreja considerados legais, mesmo que em seus próprios lares.

Mas também têm havido pressões do governo contra a Igreja Católica, com várias perseguições e prisões reportadas contra alguns de seus membros e movimentos de renovação. No final de 2003, o bispado católico resistiu vigorosamente contra as exigências do governo para que se submetesse a prestar relatórios regulares das atividades da igreja, declarando que sua igreja se reportaria somente ao Vaticano.

Mais recentemente, a Igreja Católica recusou-se a se submeter às ordens do governo para que todos os seus padres com menos de 40 anos se apresentassem para o treinamento militar. Há notícias de que os ortodoxos, luteranos e muçulmanos já se submeteram ao registro compulsório de seus padres, pastores e imames para prestarem o serviço militar.

O governo da Eritréia insiste em negar que qualquer perseguição religiosa ocorra no país, descrevendo os relatórios documentados da Anistia Internacional, do Departamento de Estado dos Estados Unidos e outras fontes como sem fundamento.


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