Julgamento das mulheres indonésias entra na reta final

| 01/09/2005 - 00:00


Um veredicto para as três mulheres cristãs na Indonésia acusadas de evangelizar crianças muçulmanas deve sair hoje.

Rebekka Zakaria, Eti Pangesti e Ratna Bangun foram presas no dia 13 de maio, depois de membros do Conselho Muçulmano (MUI) descobrirem que crianças muçulmanas compareciam às aulas ministradas pelas três. Alguns dos menores chegaram a pedir Bíblias, deixando o MUI ainda mais enfurecido.

Desde o início do julgamento, no dia 30 de junho, muçulmanos se amontoam no tribunal, gritando insultos, e também realizam protestos do lado de fora do tribunal.

Na última audiência, em 25 de agosto, radicais islâmicos entraram na corte antes do início da seção, fazendo do local um lugar de adoração muçulmana.

Membros de uma multidão também disseram que as mulheres nunca seriam perdoadas, e que não teriam permissão para retornar à vila em paz. Qualquer um que demonstrasse apoio pelas três professoras passaria pelas mesmas conseqüências, alguns dos radicais alertaram.

Quando finalmente teve início a audiência, a multidão continuava a gritar "mentirosas!", mesmo quando elas começaram a prestar o depoimento.

No resumo das provas, a defesa ressaltou que a acusação tinha listado muitas testemunhas que não tinham testificado contra as mulheres. E que essas testemunhas que tinham testificado, não tinham nenhum conhecimento do programa educacional e estavam falando de opiniões alheias.

As mulheres foram acusadas de deliberadamente mentirem, enganarem e forçarem as crianças a mudarem de religião contra a própria vontade, e sem o consentimento dos pais. Nenhuma das testemunhas, entretanto, tinha testificado ou fornecido provas dessas acusações.

A defesa também enfatizou que muitas das crianças tiveram suas fotos tiradas junto com os pais, uma indicação de que eles sabiam das atividades.

Quando a defesa expôs seu caso, os juízes anunciaram que o veredicto sairia hoje.

Enquanto Zakaria, Pangesti e Bangun ansiosamente aguardam o veredicto e esperam por um final feliz, líderes cristãos no país oram por elas, temendo que, caso sejam consideradas culpadas, esse caso pode estabelecer um precedente legal que poderá restringir atividades cristãs na maior nação muçulmana do mundo. As pessoas culpadas de coagir crianças a mudarem de religião, de acordo com o Ato de Proteção Infantil, de 2002, podem ser presas por até cinco anos de prisão e/ou multadas em até cerca de US$ 10.226,00.

Zakaria pastoreia a igreja Campo de Davi em Harguelis, distrito de Ingramayu, Java Ocidental.

Em agosto do ano de 2003, uma escola primária pediu para que a igreja providenciasse um programa educacional para as crianças cristãs, em linha com o Projeto de Lei do Sistema Nacional de Educação que entrou em vigor em junho desse ano.

Sendo assim, as três mulheres lançaram o programa "Domingo Feliz" em setembro de 2003. O programa mostrou ser bastante popular, e as crianças muçulmanas logo começaram a freqüentar o programa com o consentimento de seus pais. A maioria dessas crianças tirou fotos com seus pais para os dados cadastrais da igreja.

Quando líderes muçulmanos entraram com uma reclamação, os pais se recusaram a testificar em favor das três mulheres.


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