Prisioneiros são pressionados a negar a fé

| 30/08/2005 - 00:00


Três meses após a prisão de 250 cristãos que estavam assistindo a um casamento cristão protestante na capital da Eritréia, 129 continuam presos sob condições severas.
 
Inicialmente, 70 dos convidados presos se identificaram como membros das igrejas luterana, católica e ortodoxa aprovadas pelo governo, depois disso os policiais em Asmara os liberaram.
 
Compass confirmou que os 180 convidados restantes permaneceram na delegacia de polícia número 5 por seis semanas. A maioria pertencia a duas igrejas, a Meserete Christos e a  Full Gospel. Havia também membros de um grupo católico renovado chamado Tebadasso.
 
Alguns dos prisioneiros tiveram suas Bíblias confiscadas e queimadas em sua presença, e todos foram insultados e ridicularizados por causa de sua fé. Os homens foram espancados. 
 
Em meados de julho, o comandante da delegacia juntou os 121 homens e 59 mulheres. Ele lhes disse que estavam presos porque eles e os líderes de suas igrejas estavam trabalhando para os Estados Unidos para "acabar com a paz e a unidade do povo da Eritréia" e que tentariam derrubar o governo da Eritréia.
 
Logo depois, todos os acusados foram transferidos para o campo militar de Adi-Abeto e colocados em solitárias. Desde então, 51 mulheres foram liberadas depois de assinarem um compromisso de não assistir a nenhuma atividade cristã protestante no futuro, incluindo casamentos.
 
Autoridades militares se recusaram até agora a liberar as 8 mulheres restantes, duas delas menores de idade. Elas foram informadas de que ficarão nas solitárias até que assinem uma declaração negando sua fé evangélica.
 
Os 121 homens que ainda não prestaram serviço militar obrigatório foram transferidos de Adi-Abeto para o centro militar de treinamento de Wia, a 20 milhas ao sul do Mar Vermelho, porto de Massawa. Entre eles estão um pastor da igreja Meserete Christos, um evangelista da igreja de Kale Hiwot, e o cantor evangélico nacionalmente conhecido Esayes Stefanos.
 
Sob vigilância severa das autoridades militares e de segurança, casais que vão se casar nas igrejas não reconhecidas da Eritréia são forçados a diminuir a tradicional celebração de casamento. Já que cantar ou exercer outra atividade cristã em público são considerados atos ilegais, os cristãos evangélicos locais pararam de convidar pessoas para seus casamentos, por medo de que as pessoas sejam presas.
 
Em outro incidente, o Escritório de Segurança Nacional ordenou recentemente a todos os escritórios administrativos regionais que identificassem qualquer cristão protestante entre os que requisitavam renovações ou novas licenças de trabalho. Até agora, nove homens e mulheres protestantes foram vítimas desse processo, e seus direitos de conduzir um negócio legal foram revogados ou negados.

Enquanto isso, Compass confirmou que autoridades da Eritréia mudaram o local de prisão de 3 dos 17 pastores presos, liberaram um e possivelmente reviram as acusações legais contra dois deles.
 
Os pastores da igreja Full Gospel, Kidane Gebremeskel e Fanuel Mihreteab, foram transferidos do centro de investigações Wongel Mermera, no centro de Asmara, para a prisão Sembel nos arredores da cidade. Maior prisão da Eritréia, Sembel normalmente recebe prisioneiros cujos casos estão sob revisão pela Suprema Corte. As autoridades da igreja local não puderam saber se verdadeiras acusações foram apresentadas contra eles ou se algum veredicto foi alcançado no caso deles.
 
O pastor da igreja Full Gospel, Abraham Belay, que foi preso com outros dois em janeiro, foi transferido para Adi-Abeto, "provavelmente para ser mandado para o treinamento militar em Wia," disse uma fonte.
 
Após quase sete meses na prisão, o pastor da igreja Rema Habteab Oqbamichael foi liberado na semana passada do campo militar de Mai-Serwa. Os comandantes do campo deram um último aviso a ele, disseram que ele seria executado se participasse de qualquer atividade religiosa. Mas Oqbamichael foi descrito por outros cristãos como estando "animado, e aparentemente não amedrontado pelo aviso que recebeu."
 
Mas o pastor da igreja Kale Hiwot, Oqbamichael Haimanot, que sofreu um colapso mental três meses atrás por causa do duro tratamento recebido no centro de treinamento militar, está com a saúde precária. Preso em janeiro, Haimanot continua sob regime de trabalhos forçados por se recusar a renunciar a sua fé e ajudar a convencer sua congregação a retornar para a Igreja Ortodoxa.
 
Outro protestante preso, o evangelista Girmaye Ambaye, recebeu dura punição na delegacia número 1 em Asmara desde sua prisão em maio. Este é o segundo longo período de prisão de Ambaye, 45 anos, feito pela polícia da Eritréia. Ele continuou a testemunhar sobre sua fé, apesar de seu estado físico precário.
 
As condições dos outros 12 pastores evangélicos presos e mantidos incomunicáveis nos últimos 15 meses permanecem desconhecidas.
 
Mais de 1.000 membros de suas igrejas também estão sob custódia nas prisões, nos campos militares, nas delegacias de polícia e em contêineres de transporte, acusados de transgredir a lei cultuando em igrejas não aprovadas pelo governo.
 
A popular cantora cristã Helen Berhane esteve presa em um contêiner no campo militar de Mai-Serwa desde março de 2004. Ela foi presa por causa de sua última gravação, acusada de "corromper" os jovens da Eritréia.
 
Em maio de 2002, o governo da Eritréia proibiu todos os grupos religiosos, exceto os grupos Ortodoxos, Católicos, Luteranos e Muçulmanos. Desde então as autoridades têm se recusado a legalizar as 12 denominações protestantes independentes, prendendo quaisquer dos 20.000 membros pegos orando, cantando ou cultuando nos prédios das igrejas clandestinas ou em suas próprias casas.


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